1,5°C o recorde que não devemos quebrar

1,5°C o recorde que não devemos quebrar

Às vésperas do início das Olimpíadas, maior evento esportivo do planeta, quando se espera a quebra de muitos recordes, uma campanha é lançada para alertar sobre o recorde que não deve ser ultrapassado:1,5°C. Esse é o limite para que aumento da temperatura média do planeta não se torne perigoso.

Miriam Prochnow que participou do Revezamento da Tocha Olímpica, conclama a todos para participarem ativamente dessa campanha.

Veja o vídeo “Apremavi na campanha 1,5°C o recorde que não devemos quebrar”.

A campanha pelo clima teve início no dia 29 de julho de 2016, com o objetivo de alertar a sociedade para as consequências das mudanças climáticas e conclamar todo mundo a implementar ações que tornem possível que o limite de um e meio grau Celsius não seja ultrapassado.

Como diz a campanha: “Isso é urgente porque sabemos agora o tamanho da ameaça à prosperidade e até mesmo à existência das nações que um aumento acima desse limite representa. As mudanças de temperatura podem soar mínimas, mas o aquecimento de 1°C que já tivemos resultou na duplicação dos dias e noites extremamente quentes em muitos países, bem como em tempestades sem precedentes, inundações, secas, crises alimentares, derretimento das capas glaciais e dos solos congelados, além da elevação do nível dos mares e submersão de grandes áreas de terra” alguns países já perderam ilhas e tiveram que resgatar seus habitantes. No Acordo de Paris, o primeiro tratado universal contra as mudanças climáticas, adotado em 2015, o mundo se comprometeu a fazer esforços para evitar que o aquecimento global ultrapasse 1,5°C. Não cumprir essa meta trará riscos significativos à sobrevivência de nações-ilhas como Kiribati, Maldivas e Tuvalu, a regiões costeiras como o Delta do Mekong, Flórida e sul de Bangladesh e cidades costeiras como o Rio de Janeiro, Santos e Recife.

Os 15 anos mais quentes já registrados ocorreram neste século. O ano passado foi o mais quente desde o início das medições e tudo indica que em 2016 teremos um novo recorde. Se continuarmos neste ritmo, enfrentaremos problemas cada vez mais graves de abastecimento de água e produção de alimentos, além da maior disseminação de epidemias transmitidas por mosquitos”.

A campanha é uma iniciativa do Observatório do Clima (OC), do Fórum dos Países Vulneráveis ao Clima (CVF), do Gestão de Interesse Público (GIP) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Preservar e restaurar os ecossistemas naturais é uma das melhores formas de combater as mudanças climáticas.

Dia histórico com Tocha Olímpica

Dia histórico com Tocha Olímpica

O dia 09 de julho de 2016 foi histórico para Miriam Prochnow, fundadora e conselheira da Apremavi, ela conduziu a Tocha Olímpica, no revezamento que aconteceu na cidade de Araranguá (SC).

Os preparativos começaram cedo, com a equipe da Apremavi chegando à cidade, trazendo mudas de árvores nativas da Mata Atlântica para serem plantadas e também distribuídas para a populacão. Foram plantadas mudas de ipê na mata ciliar do Rio Araranguá, na praça Hercílio Luz e também na localidade de Morro dos Conventos. O objetivo dessas ações foi chamar a atenção para a causa da sustentabilidade, que precisa entrar na agenda do nosso dia a dia.

Realizar essas ações na região Sul de SC tem também um significado maior, porque a região é considerada uma das 14 áreas mais críticas ambientalmente do país em consequência da poluição gerada pela atividade carbonífera. Foi também a região epicentro do furacão Catarina, o primeiro do Atlântico Sul.

A ação ambiental foi uma atividade conjunta da Apremavi, com a ONG Sócios da Natureza, o FSC® Brasil(responsável pela indicação de Miriam para o revezamento), a Fundação de Meio Ambiente de Araranguá (FAMA) e o Comitê Olímpico Rio2016. Miriam é uma das condutoras “Abraça”, que representam as causas de Sustentabilidade dos Jogos Rio 2016. Segundo Sabrina Porcher, do Comitê Organizador da Rio2016, o objetivo em Sustentabilidade sempre foi mexer com mentes e corações e com isso promover mudanças de atitudes e estabelecer novos paradigmas: “É isso que queremos também quando aliamos o esporte à sustentabilidade; engajar os jovens, crianças, idosos, a população em geral, nessa causa tão importante. Nossos 28 condutores representam com excelência essas causas pois são pessoas com trabalhos extremamente relevantes na área de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável“, completa.

Para defender ideias novas, é preciso sair de sua zona de conforto

Para defender ideias novas, é preciso sair de sua zona de conforto

Formada em pedagogia, se especializou em meio ambiente, com prioridade para a Mata Atlântica. Trabalha no acompanhamento e proposição de Políticas Públicas, aperfeiçoamento da Legislação Ambiental, Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.
“Comecei cedo, como uma das fundadoras da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), em 1987. A Apremavi é hoje uma das ONGs ambientalistas mais atuantes do Sul do Brasil e é reconhecida nacionalmente. Hoje atuo nela como coordenadora de políticas públicas e integrante do Conselho.”
 De lá pra cá não parou mais. Em 1988 foi fundadora e coordenadora geral da Federação de Entidades Ecologistas Catarinenses (FEEC), depois participou das articulações para a Rio/92, ajudando a criar o Fórum de ONGs e Movimentos Sociais (FBOMS). Ajudou a fundar a Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), da qual foi coordenadora geral mais tarde, levando-a a morar em Brasília a partir de 1999. Paralelamente ao movimento ambientalista, foi uma das fundadoras do Partido Verde (PV) em Santa Catarina, quando se tornou candidata à prefeita da cidade catarinense de Ibirama pelo PV, em 1988, tento como vice Edite Geisler – a primeira vez na história do Brasil que uma dupla de mulheres se candidatava a uma prefeitura.
 
Como o trabalho só aumentava, Prochnow teve que optar entre a militância em ONG ou a militância partidária, e a ONG ganhou. “Acabei sendo uma das primeiras ambientalistas com carteira assinada, como ecologista, no Brasil. Neste trabalho com meio ambiente, especialmente no acompanhamento de políticas públicas para a Mata Atlântica em Brasília, acabei me aproximando da Marina e, quando ela foi para o PV para ser candidata, me desafiou a ser candidata à deputada federal por Santa Catarina em 2010. Em resumo: conheço Marina de longa data, por conta da militância ambiental”, conta.
 
Hoje, além do trabalho na Apremavi, Miriam é Membro da Executiva Nacional da REDE, Coordenadora Regional e porta-voz do partido em Santa Catarina. Em seu estado natal, é também secretária executiva do Diálogo Florestal, uma iniciativa que reúne ONGs ambientalistas e sociais e empresas do setor florestal e faz parte do Conselho Internacional do TFD (The Forests Dialogue).
 
Em um bate-papo conosco, ela conta mais sobre sua história, suas perspectivas para o futuro, políticas regionais e nacionais, além de sua indicação como pré-candidata da REDE ao governo de Santa Catarina.
 
Como você recebeu sua indicação como pré-candidata ao Governo?
Como um desafio.  Um grande desafio.  A questão é que se você se compromete a propor e defender ideias novas, também precisa sair de sua zona de conforto e dizer que está disposta a participar da implementação. Não é só dizer para os outros o que eles devem fazer, mas mostrar como podemos ajudar. E a REDE-SC disse que eu poderia ajudar sendo pré-candidata ao governo, o que me enche de orgulho, mas ciente do grande compromisso.
 
Como você analisa a política em Santa Catarina?
Do ponto de vista político partidário e de políticas públicas, Santa Catarina é um reflexo do que acontece nacionalmente. Na minha avaliação, um desastre. Basta ver a crise em que a Assembleia Legislativa está metida no momento, com o afastamento do seu presidente pelo Ministério Público.
 
E também tem as votações vergonhosas, como no caso do “novo” Código de Meio Ambiente. E o pior é que tem vindo de Santa Catarina os maus exemplos para as mudanças na legislação nacional de meio ambiente (vide Código Florestal).
 
O Executivo está perdido em burocracias. Há alguns anos implantou uma série de secretarias regionais, justificando que seria uma forma de descentralização, mas o que está acontecendo na prática é que essa “descentralização” só serviu para drenar ainda mais os recursos públicos e burocratizar ainda mais o sistema administrativo estadual –virou uma máquina eleitoreira.
 
Os retrocessos ambientais que temos visto acontecer no país acontecem aqui também, sofremos dos mesmos problemas… Imobilidade urbana, falta de programas que incentivem a implantação do desenvolvimento sustentável, as estruturas que deveriam cuidar do meio ambiente totalmente “capengas” (vide greve da FATMA), além do rolo compressor dos processos de licenciamento, que também está em andamento.
 
Por outro lado, assim como no Brasil, Santa Catarina tem inúmeros bons exemplos que deveriam ser difundidos e que com um pouquinho de empenho dariam conta de uma grande virada.
 
Você poderia citar alguns exemplos importantes?
Santa Catarina é o maior produtor de suínos do Brasil. Nós já temos várias iniciativas de produção de energia a partir do uso dos dejetos dos suínos (através de biodigestores – resolvendo dois problemas: o destino adequado dos dejetos e a produção de energia), mas não existe incentivo para que essa prática se torne uma política pública. Para isso, precisaríamos de um programa que auxiliasse ainda mais os produtores rurais a adequarem suas granjas, para que a energia produzida pudesse ser vendida. Nessas mesmas granjas, ainda poderiam ser instalados painéis fotovoltaicos para produção de energia solar, que também poderia ser vendida. Os agricultores catarinenses poderiam ser também produtores e vendedores de energia sustentável e limpa.
 
Outro exemplo fica no Alto Vale do Itajaí. Temos uma iniciativa de aplicação do Código Florestal, onde 28 municípios organizados na Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (AMAVI), já criaram uma espécie de Cadastro Ambiental Rural (CAR), até antes da aprovação do novo Código. Eles já vinham regularizando propriedades através desse sistema descentralizado e eficiente, mas agora estão tendo problemas, porque os governos Federal e Estadual estão sentados no muro e não regulamentam o CAR. Aqui no Alto Vale o cadastramento estaria feito rapidamente e com um plus: tendo uma ferramenta de planejamento integrado entre os municípios para prever corredores ecológicos etc.
 
Sobre a política, o que te faz querer continuar e participar deste processo?
Por um lado, a esperança. Sem ela não temos nem como viver, não é mesmo? E, por outro, porque, queiramos ou não, é no âmbito das políticas públicas que se pode encaminhar mudanças mais rápidas para o que precisamos. Tentar influenciar a política pode fazer diferença e pelo menos sei que tentei cumprir o meu papel.
 
Você tem acompanhado o novo Código Florestal Nacional?
Tenho. A Apremavi está no Observatório do Código Florestal e também temos vários projetos com proprietários rurais, onde fazemos a adequação das propriedades.
 
Representantes do Ministério da Agricultura e do setor ruralista têm pressionado o Governo Federal a modificar as regras de implantação do Código, que estão sendo finalizadas pela Casa Civil da Presidência. Caso tenham a concordância do governo, as medidas sugeridas podem favorecer grandes proprietários rurais que desmataram. Um dos pontos se refere ao Programa de Regularização Ambiental, que prevê a conversão de multas aplicadas até 2008 em serviços de recuperação ambiental. Como você vê essa pressão e como esse tipo de “flexibilização”deve ser enfrentado?
A notícia saiu agora, mas a gente já estava sabendo dessa movimentação. É mais uma manobra dos ruralistas, que acham que não ganharam o suficiente com a aprovação do novo Código e querem mais. É um verdadeiro absurdo. O Governo Federal deveria ter vergonha na cara e não aceitar mais esse tipo de pressão. Mas com as estruturas ambientais cada vez mais frágeis, acho que vai ser difícil de conter. E vamos ter que apelar para a justiça.
 
Mas existem setores que não concordam com isso. O artigo do Marcio Santilli, Ruralismo de Fronteira, fala quem é o agronegócio e quem está representando. E o site Diálogo Florestal, em sua publicação intitulada Diálogo Florestal apoia a implantação do CAR.
Também saiu na Revista 22 uma declaração de um dos CEOs da Fibria, empresa de papel e celulose, falando que uma das prioridades no país deveria ser o CAR. Ou seja, o que o Marcio fala é absolutamente importante. Nós temos inúmeros exemplos práticos de proprietários rurais aqui em Santa Catarina que estão adequando suas propriedades. Mas a questão é que os tais “ruralistas” são os que aparecem e fazem a pressão funcionar.
 
Sobre a política nacional, como você vê os desafios da atual gestão em todos os aspectos e quais os erros e acertos do PT a frente da Presidência?
A atual gestão está focada somente no crescimento e não tem estratégia para o futuro do país. Isso pode ser visto na truculência com que tem tratado as questões energéticas, por exemplo. Não existem fóruns ou aberturas para discussão sequer de obras, quanto mais de modelos.  Acho que o PT, na verdade, tem várias gestões: as duas do Lula e a da Dilma. Cada uma é muito diferente da outra. A primeira gestão do Lula é, sem dúvida, a que mais se aproxima das propostas que o PT sempre defendeu e que poderia ter dado uma chance ao desenvolvimento sustentável no país. Mas, a partir do segundo mandato, e agora com a Dilma, isso tudo caiu por terra. Está muito claro o desmantelamento de estruturas importantes na administração, como o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). No atual mandato, vimos a velha política do “toma lá dá cá” imperar, isso é notório na distribuição dos ministérios aos partidos “aliados”, sem que existam critérios de mérito para as indicações.
 
Como positivo, posso destacar que a intensificação dos programas sociais tem dado uma contribuição muito importante. O problema é que eles estão sendo implantados de uma forma paternalista, sem os desdobramentos necessários para que as pessoas possam se tornar independentes e de assumirem seu papel real na sociedade.
 
De forma geral, o centralismo da Presidência é um dos maiores erros. O PT sempre pregou a descentralização, a autonomia, o respeito ao direito da população dizer e participar, mas não é isso que está sendo praticado. Infelizmente eu vejo que o Estado está totalmente sucateado. Sucateado de estruturas, ideias e estratégias.
 
Publicado em 14 de março de 2014 pela Rede Sustentabilidade.
Ambientalistas publicam nota de agradecimento

Ambientalistas publicam nota de agradecimento

Conselheiros da Apremavi publicam nota de agradecimento aos apoios e solidariedade recebidos pelo lamentável episódio ocorrido no dia 04 de agosto.

Agradecimento

Agradecemos de coração o apoio e solidariedade de milhares de pessoas da região, do estado, do Brasil e do exterior, diante do lamentável fato ocorrido no último domingo dia 4 de agosto. Todo carinho e atenção que recebemos é muito importante na superação do trauma e também no encaminhamento de ações para que as autoridades apurem os fatos e façam prevalecer a justiça.

Como expressa o nome da Apremavi – Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – sempre trabalhamos para melhorar as condições de vida de toda a população e o respeito à vida de todos os demais seres (animais e plantas) que conosco dividem este planeta finito. Vamos continuar lutando e demonstrando caminhos de convivência harmoniosa entre os humanos e demais animais, respeito às florestas e a outros recursos naturais.

Além de agradecer pedimos a todos que nos ajudem para lançarmos uma campanha, dirigida às autoridades nos três níveis de poder, para que cumpram seu dever constitucional e legal de implementar ações concretas contra a caça, o aprisionamento e tráfico de animais silvestres e a circulação de armas.

Wigold B. Schaffer
Miriam Prochnow
Carolina C. Schaffer
Gabriela L. Schaffer

Caçador agride ambientalista com arma de fogo

Caçador agride ambientalista com arma de fogo

O que acontece, quando no meio da mata, por detrás dos arbustos, não é um bicho que aparece, mas sim um caçador camuflado e armado, que vem em sua direção com um rifle com mira telescópica apontado diretamente pra você? Pode acontecer um tiro de raspão na mão, por conta do reflexo de defesa da pessoa, mas pode acontecer o pior, que é o que via de regra acaba acontecendo, quando o alvo é um animal”.

Wigold B. Schaffer e Miriam Prochnow, Conselheiros da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), formam vítimas de agressão e ficaram reféns sob a mira de arma de fogo e ameaça de morte por mais de 30 minutos, neste domingo, 4 de agosto de 2013, quando faziam um passeio pela mata de sua propriedade em Atalanta, SC. Saíram de sua casa por volta das 10h em companhia da filha Gabriela para dar uma caminhada no meio da mata e fazer fotos da flora e da fauna. Em torno de 10h30min foram atacados por um caçador.

Wigold conta que o homem surgiu de repente, com vestimenta camuflada da cabeça aos pés, empunhando uma arma de fogo dessas que utilizam um “pente” de munição e mira telescópica.

Ao perceber algo se movimentando atrás de uns palmiteiros jovens inicialmente pensei tratar-se de algum animal e comecei a fotografar, segundos depois surge o caçador vindo em minha direção com o dedo no gatilho e a arma apontada diretamente para mim”, relata Wigold. Por instinto de fotógrafo, Wigold continuou fotografando a aproximação do agressor e gritou por socorro, já que Miriam e Gabriela vinham a uns 50 metros atrás. “O agressor não parou, veio direto em minha direção com a arma apontada, até quase encostar o cano em meu rosto, aí ele tentou arrancar a câmera fotográfica de minhas mãos, nesse momento, num gesto de desespero e reflexo segurei o cano da arma e o desviei do meu corpo, foi quando ele puxou o gatilho e atirou, o tiro passou muito perto do meu peito,” revela Wigold.

Após o disparo, Wigold conta que continuou segurando o cano da arma com as duas mãos enquanto o caçador tentava novamente virar o cano e apontar em sua direção, como não obteve êxito passou a agredir violentamente a vítima com chutes, coronhadas e até com a própria máquina fotográfica, que se partiu quando o agressor a bateu na cabeça da vítima.

As agressões foram interrompidas alguns minutos mais tarde com a chegada de Miriam, que estava um pouco atrás. “Ao ouvir o grito de socorro do Wigold e em seguida o disparo da arma, imediatamente pedi que a minha filha Gabriela corresse até em casa e chamasse a polícia”, relatou Miriam. Ela também relata que ao chegar perto do local viu o Wigold deitado no chão e o homem batendo nele com a coronha da arma: “Enquanto me aproximava fui tirando fotos para registrar a agressão e ao mesmo tempo reconheci o agressor e o chamei pelo nome”. Ao perceber a aproximação da Miriam e ver que ela também estava registrando o que acontecia, o agressor parou de espancar o Wigold e passou agredir a Miriam na tentativa de também lhe tirar a câmera fotográfica.

Os dois ambientalistas ficaram ainda por mais de 20 minutos sob a mira da arma do caçador, que queria lhes tirar as câmeras fotográficas. A situação só parou quando Miriam anunciou que a polícia já deveria estar chegando, pois a Gabriela saíra em busca de socorro logo após o disparo. Pouco depois, o homem se afastou caminhando de costas, sempre com a arma apontada em direção ao casal, até se embrenhar na mata.

Os ambientalistas Wigold e Miriam, nascidos na região do Alto Vale do Itajaí, tem destacada atuação em defesa da Mata Atlântica. O casal voltou para Atalanta depois de 14 anos trabalhando em Brasília. Wigold trabalhou por mais de 13 anos no Ministério do Meio Ambiente e Miriam fortaleceu a atuação da Apremavi em colegiados de âmbito nacional, como a Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), onde foi Coordenadora Geral. Hoje é Secretária Executiva do Diálogo Florestal Brasileiro e conselheira do Diálogo Florestal Internacional. Os dois são fundadores da Apremavi, que completou 26 anos este ano.

A situação vivida pelos ambientalistas evidencia para uma preocupante realidade no Alto Vale do Itajaí e outras regiões de Santa Catarina: a prática da caça. Apesar de ser proibida no Brasil,  a caça continua sendo realizada, inclusive por jovens, com equipamentos cada vez mais sofisticados, como demonstra o episódio do último domingo.

As vítimas já denunciaram as agressões junto às Polícias Civil, Militar e Ambiental, bem como ao Ministério Público Estadual e Federal. Nos próximos dias, a Apremavi, juntamente com outras instituições de Santa Catarina e do Brasil, estará deflagrando uma ampla campanha junto aos órgãos públicos para que estes realizem operações de fiscalização da caça, soltura de animais aprisionados e apreensão de armas na região.

 

Saiba mais sobre a trajetória do casal:

 

Autora: Sílvia Franz Marcuzzo | [email protected] (51) 9341-6213.
Contato com a Apremavi: (47) 3535-0119.

Os movimentos de borda chegaram ao centro

Os movimentos de borda chegaram ao centro

As manifestações em defesa do Código Florestal realizadas ao longo dos últimos dois anos foram um dos prenúncios de que a sociedade estava indo para um lado e os políticos para outro. Pesquisas apontaram que 85% da população era contra mudanças no código e contra o desmatamento e 85% dos parlamentares ignoraram isso e mudaram o código e permitiram o aumento do desmatamento.

Essas manifestações, embora não tão numerosas quanto as de agora, mostravam que a sociedade estava em busca de um mundo sustentável, de qualidade de vida, de mais democracia, de mobilidade urbana, de transportes públicos eficientes e movidos a energia limpa, de conservação das florestas, de oportunidades de lazer, de melhorias na saúde, na educação…

Enquanto isso os políticos fazendo conchavos e negociatas: CPI do Cachoeira/Demóstenes sendo engavetada, mensalão, Renan na presidência do Senado, Blairo Maggi na presidência da comissão de Meio Ambiente do Senado, Marco Feliciano na presidência da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, Dilma de mãos dadas com Katia Abreu e a CNA, ruralistas com a ajuda de Dilma destruindo o Código Florestal, Direitos Indígenas sendo usurpados, Unidades de Conservação sendo reduzidas por Medida Provisória, processos de criação (mais de 40) de novas unidades de conservação parados na mesa da Dilma, subsídios para indústria automobilística, estádios da Copa custando mais que o dobro do inicialmente anunciado, estradas congestionadas, nenhum investimento em energia solar e eólica, as vozes críticas dos movimentos sociais e dos cientistas sendo ridicularizadas e amordaçadas e até criminalizadas, afastamento total dos governos em todos os níveis dos movimentos sociais e suas legítimas reivindicações…etc. etc. etc.

Estava claro que uma hora a sociedade iria acordar.

A questão vai muito além de 0,20 centavos… queremos os temas do século 21 na pauta, com soluções sendo buscadas e efetivamente implementadas.

Mesmo assim os 0,20 centavos estão relacionados com uma das principais questões do século 21 que é a mobilidade urbana pois é inaceitável do ponto de vista de respeito ao ser humano que as pessoas tenham que ficar durante horas presas diariamente em intermináveis congestionamentos que implicam em outra irracionalidade que é a queima de combustíveis fósseis que vão agravar o efeito estufa e acelerar o processo de mudanças climáticas em curso.

Mobilidade Urbana implica em novos modelos de transporte com novas e limpas energias (solar, eólica, etc.), implica em construir ciclovias, redes de metrô e de ferrovias, etc. E tudo isso deve ser feito de tal forma que reduza a poluição e as emissões de carbono e assim comecemos a minimizar o problema das mudanças climáticas cujo principal vilão é a queima dos combustíveis fósseis.

Ou seja, para bons entendedores, 0,20 centavos podem estar no final, ou se preferirem, no início da busca por soluções efetivas, duradouras e sustentáveis… só assim a juventude que está protestando terá direito a um futuro.

 

Autor: Wigold Bertoldo Schaffer.

Rede Sustentabilidade comemora 500 mil assinaturas de apoio no sábado

Rede Sustentabilidade comemora 500 mil assinaturas de apoio no sábado

O sábado vai ser um dia para a Rede Sustentabilidade comemorar as 500 mil assinaturas de apoio para a criação do novo partido político. Em Santa Catarina, primeiro estado a atingir sua meta, haverá um mutirão de coleta de assinaturas no Trapiche da Avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, a partir das 14h.

É um dia de comemorar, mas também de manter e até de aumentar a mobilização, porque apesar de a legislação exigir o apoio de 500 mil eleitores para criar o partido, a #rede vai buscar 790 mil fichas. Isso porque, na hora de validar as fichas nos cartórios eleitorais, cerca de 30% pode ser descartadas por erro no preenchimento.

A meta de 500 mil foi alcançada na quarta-feira. Santa Catarina atingiu sua marca no fim da semana anterior: 9673 fichas (ou 110% da meta). A primeira meta no estado era de 30 mil. Mas, na época, a expectativa era de a #rede conseguir 1,5 milhão de assinaturas. Em maio, os dados foram reavaliados para uma marca mais realista dado o curto espaço de tempo. Com a nova meta de se conseguir as 790 mil assinaturas, SC passa a ter um novo desafio, que é o de coletar 14.000 apoios até o dia 07 de julho.

Um dos momentos mais marcantes em Santa Catarina foi a vinda da ex-senadora Marina Silva, que teve 20 milhões de votos quando foi candidata a presidente em 2010. Ela participou de caminhada no Centro de Florianópolis e de palestra na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). No dia, foram coletadas mais de mil assinaturas.

Depois disso, a ala jovem da Rede criou o Jovens + 1000, com o objetivo de coletar mil assinaturas em uma semana. A meta também foi cumprida. Há coleta de assinaturas em várias cidades do Estado.

Saiba mais

Qual é o nome do partido?
Rede Sustentabilidade

Qual o apelido?
#rede (em caixa baixa)

Quem pode apoiar?
Quem quiser, desde que tenha título eleitoral.

Como fazer?
Basta assinar uma ficha de apoio. Ela pode ser encontrada
em www.brasilemrede.com.br (basta baixar a ficha e enviar para o endereço CAIXA
POSTAL 1551 – CEP 88010-970 – Florianópolis-SC) ou com os multiplicadores, pessoas
que estão coletando assinaturas em diversos pontos.

Se eu apoiar estarei filiado?
Não, é apenas o apoio. Mesmo porque o partido ainda não está formado.

Os porta-vozes da #rede SC

Miriam Prochnow – Integrante da Comissão Nacional Provisória e da Executiva
Nacional Provisória da #rede
[email protected] (47) 8840-7072

Mauro Beal – Integrante da Comissão Nacional Provisória da #rede
[email protected] (48) 9981-4926

E-mail para contato com a Comissão Estadual:
[email protected]

Informações sobre a #rede: www.brasilemrede.com.br

A #rede SC nas Redes Sociais

Página da #rede Santa Catarina (facebook)
http://abre.ai/redesc-pagina

Grupo da #rede Juventude Santa Catarina (facebook)
http://abre.ai/redesc-juventude-grupoface

Caixinha de Recados da #rede Santa Catarina (ideias, sugestões, críticas, reclamações)
http://abre.ai/redesc-recados

Cadastro no Banco de Contatos #rede SC
http://abre.ai/redesc-cadastro

Elaborado por: Maurício Frighetto

Marina Silva participa de atividades da Rede Sustentabilidade em Florianópolis

Marina Silva participa de atividades da Rede Sustentabilidade em Florianópolis

Brasília, 30 de abril – A ex-senadora Marina Silva participa, nesta sexta-feira, dia 3 de maio, em Florianópolis, de uma série de atividades em apoio à criação da Rede Sustentabilidade, organização que está em processo de coletas de assinaturas para que se torne um partido político.

Pela manhã, integrantes da #Rede de Santa Catarina, mobilizadores e apoiadores realizam uma mutirão de coletas de assinaturas no centro da cidade.

Na parte da tarde, Marina Silva se une ao grupo, a partir das 15h, para uma caminhada pelo centro. Logo depois, ela conversará com jornalistas na Associação Catarinense de imprensa. À noite, ela faz palestra aberta ao público na Universidade Federal de Santa Catarina, com o tema ‘Democracia e Sustentabilidade’.

A #Rede é fruto de um movimento de caráter nacional que propõe novas formas de fazer política, alicerçadas na defesa da ética na política e da sustentabilidade

Já existem vários grupos de apoio mobilizados pela criação do partido em todo o estado de Santa Catarina. Eles esperam recolher mais de 30 mil assinaturas.

Uma das porta-vozes da Rede em Santa Catarina, Miriam Prochnow, integrante da Coordenação Nacional Provisória e da Executiva Nacional, acredita que a mobilização vai crescer com a vinda de Marina Silva à capital do estado: “será uma grande oportunidade, não só para se intensificar a mobilização da coleta de assinaturas de apoio à Rede Sustentabilidade, mas também para instigar o debate em torno do objetivo de implantar no país uma nova política e colocar no centro do debate os temas do século 21, como as mudanças climáticas e a questão energética. Todos estão convidados”,  afirma Miriam.

Programação

9h – Coletas de assinaturas com os volunários da Rede SC no Centro de Florianópolis

Local: Mercado Público, calçadão da Felipe Schmitt e Praça XV

15h – Caminhada com Marina Silva pelo Centro de Florianópolis

Local: Mercado Público, calçadão da Felipe Schmitt e Praça XV

16h30 – Coletiva de imprensa na Associação Catarinense de Imprensa, Local: Rua Victor Meirelles, n. 55, 1 andar, Centro

19h – Palestra Democracia e Sustentabilidade no auditório da Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Campus Trindade

Porta-vozes da Rede SC 

Mauro Beal, integrante da Coordenação Nacional Provisória da #rede: [email protected]  – (48) 9981-4926

Miriam Prochnow, integrante da Coordenação Nacional Provisória e da Executiva Nacional Provisória da #rede

[email protected] – (47) 8840-7072

A #rede na internet

Site – www.brasilemrede.com.br

Site de mobilização – www.movimentobrasilemrede.com.br
Instagram – http://instagram.com/brasilemrede
Twitter – www.twitter.com/maisumnarede
Facebook – www.facebook.com/brasilemrede
Flickr – www.flickr.com/brasilemrede
Youtube – www.youtube.com/brasilemrede

A #rede SC na internet 

Facebook – https://www.facebook.com/SCemRede

Facebook da Juventude – https://www.facebook.com/groups/redejuventudesc/

Twitter – https://twitter.com/rede_sc

Assessoria de Imprensa da Rede Sustentabilidade

[email protected]

Santa Catarina já coletou 4,2 mil assinaturas para a Rede Sustentabilidade

Santa Catarina já coletou 4,2 mil assinaturas para a Rede Sustentabilidade

Embalados com a campanha Eu Sou +30, que desafiou os mobilizadores da Rede Sustentabilidade em todo o País a arrecadarem pelo menos 30 assinaturas durante o último fim de semana, a #rede já conta com 128.334 fichas de apoio para a criação do partido. Em Santa Catarina, contanto com as fichas que estão nas mãos da organização e dos apoiadores, o número chega a 4,2 mil.

Para a criação do novo partido são necessárias 500 mil fichas de apoio. A meta de Santa Catarina é alcançar 30 mil.

Para atingir a meta, o Estado começa com campanhas diárias. A partir desta quarta-feira (10/04), as assinaturas serão coletadas no Centro de Florianópolis. Outros eventos estão sendo programados, além do empenho diário dos colaboradores.

A #rede nasce num movimento que reúne pessoas que buscam uma nova forma de fazer política, baseada na sustentabilidade. Entre suas inovações, defende, por exemplo, uma forma de democracia mais direta e participativa, com consultas por meio de plebiscito ou referendo.

A #rede conta, entre seus líderes, com a ex-senadora Marina Silva, que conseguiu 20 milhões de votos em 2010, quando disputou a presidência da república pelo Partido Verde (PV).

Para Miriam Prochnow, porta-voz da #rede no Estado e integrante da Executiva Nacional, ainda há um longo caminho pela frente, mas o processo de criação do novo partido está trazendo novos ares à Santa Catarina, com a participação entusiasmada de pessoas de todas as regiões do Estado: “Todos os dias novos grupos municipais estão se formando, ajudando na coleta de assinaturas e, ao mesmo tempo, organizando discussões sobre os desafios locais de como tornar a sustentabilidade algo concreto em suas cidades”, afirmou Miriam.

Dúvidas e outras informações

Qual é o nome do partido?

Rede Sustentabilidade

Qual o apelido?

#rede (em caixa baixa)

Quem pode apoiar?

Quem quiser, desde que tenha título eleitoral.

Como fazer?

Basta assinar uma ficha de apoio. Ela pode ser encontrada em www.brasilemrede.com.br (basta baixar a ficha e enviar para o endereço CAIXA POSTAL 1551 – CEP 88010-970 – Florianópolis-SC) ou com os multiplicadores, pessoas que estão coletando assinaturas em diversos pontos.

Se eu apoiar estarei filiado?

Não, é apenas o apoio. Mesmo porque o partido ainda não está formado.

Os porta-vozes da #rede SC

Miriam Prochnow – Integrante da Comissão Nacional Provisória e da Executiva Nacional Provisória da #rede

[email protected] (47) 8840-7072

Mauro Beal – Integrante da Comissão Nacional Provisória da #rede

[email protected] (48) 9981-4926

E-mail para contato com a Comissão Estadual:

[email protected]

A #rede SC nas Redes Sociais

Página da #rede Santa Catarina (facebook)

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Grupo da #rede Juventude Santa Catarina (facebook)

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Caixinha de Recados da #rede Santa Catarina (ideias, sugestões, críticas, reclamações)

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Cadastro no Banco de Contatos #rede SC

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A Rede sustentabilidade já recebeu 128.334 assinaturas

A Rede sustentabilidade já recebeu 128.334 assinaturas

A campanha Eu Sou +30, que desafiou os mobilizadores da Rede Sustentabilidade em todo o País a arrecadarem pelo menos 30 assinaturas durante o último fim de semana, levou a rede a atingir as 128.334 fichas de apoio para a criação do partido. Agora, essas fichas serão encaminhadas aos cartórios eleitorais para que sejam validadas.

Vale lembrar, que esse é o número total de fichas que já chegaram à Rede. Há assinaturas que foram coletadas no fim de semana que ainda não foram contabilizadas. Além disso, o trabalho de coleta continua sendo realizado diariamente por mobilizadores espalhados por todo o Brasil. “É neles, principalmente, que está a força da Rede neste momento.  São pessoas que, voluntariamente, coletam assinaturas entre amigos, familiares e nas ruas de sua cidade por acreditarem nas propostas da Rede”, afirma Marcela Moraes, coordenadora de organização da Rede Sustentabilidade.

Segundo ela, a campanha Eu Sou +30 fui fundamental para o crescimento na arrecadação de assinaturas para a formalização do partido. “O número de fichas cresceu 20%”, conta Marcela.

As campanhas de mobilização continuarão a ser lançadas e o objetivo da Rede para o mês de abril é chegar em 300 mil fichas de apoio – uma meta parcial, dentro da meta geral de 550 mil assinaturas validadas pelos cartórios eleitorais, necessárias para a criação do partido.

“A campanha com metas tangíveis e de curto prazo se mostra mais eficiente. Achei interessante e surtiu resultado. A receptividade do público na rua é incrível, não tem melhor, gosto muito mesmo desta coleta. As pessoas se sentem representadas pela causa, pelo movimento”, conta Rafael Boff, que, junto com outros mobilizadores coletou assinaturas em Palmas, no Tocantins.

Nota da Rede sobre o leilão de cargos no Congresso

Nota da Rede sobre o leilão de cargos no Congresso

A entrega da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados a Marco Feliciano (PSC-SP) e da maioria de seus postos a parlamentares que sabidamente combatem a luta de vários movimentos sociais pelo reconhecimento e universalização de direitos ocorreu por consequência direta da atuação da base de sustentação do governo para eleger os presidentes da Câmara e do Senado, Henrique Eduardo Alves e Renan Calheiros. A mesma “partilha do poder” entregou a Blairo Maggi, notoriamente contrario as causas socioambientais, a presidência da Comissão de Meio Ambiente do Senado.

O desprezo da dimensão pública e programática que deve orientar os critérios para designação de ocupantes de cargos nos mais altos escalões da República é apenas sintoma da grave crise de representação que atinge as instituições, especialmente, mas não apenas, o Congresso Nacional e a maioria dos partidos políticos.

A governabilidade e o exercício do poder que sacrificam os princípios civilizatórios-democráticos desconsideram a diversidade social e seus valores culturais, abdicam da busca histórica pela a igualdade de direitos e pela fraternidade nas relações humanas. Reduzidos ao império do pragmatismo, sem compromisso com o bem comum e com o interesse público, buscam perpetuar o poder pelo poder através do toma lá dá cá.

O governo prossegue indiferente a tamanho descalabro patrocinado por sua base de sustentação, impotente diante de impasses econômicos, ambientais e sociais que afligem o país e cúmplice passivo da ação de seus aliados que tentam criar um ambiente político favorável a proposições de cunho fascistizante.

A #rede continuará poiando e incentivando as mobilizações e as petições públicas que pedem a renúncia de Marco Feliciano, Blairo Maggi, dos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros, dos cargos que hoje ocupam.

A #rede entende que o deputado Feliciano e o senador Maggi não têm condições políticas de permanecer na presidência das citadas comissões e defende que os líderes partidários retirem as indicações dos parlamentares que compõem as mesmas. Quem pode e deve, de modo imperativo, desfazer a crise que provocou é a maioria parlamentar governista que controla a Câmara e o Senado.

Não questionamos religião nem atividade profissional. Existem lideres religiosos com histórico de defesa dos direitos humanos e das minorias, existem empresários dedicados a conservação do meio ambiente. Infelizmente, essas qualificações não foram consideradas.

Está evidente que o atual sistema eleitoral necessita de uma verdadeira refundação. Estimular o desenvolvimento desta consciência nacional e a retomada da energia e da paixão transformadoras são algumas das vocações constitutivas da #rede. A Democracia pela qual sempre lutamos, será feita por homens, mulheres, gays, brancos, negros, vermelhos, amarelos, mudos…. por todos!

Participe do Seminário: o Desafio da Sustentabilidade

Participe do Seminário: o Desafio da Sustentabilidade

O Seminário Desafio da Sustentabilidade tem como objetivo promover o debate sobre diferentes aspectos da dinâmica social contemporânea que refletem diretamente no agravamento da crise global associada a insustentabilidade do atual modelo de desenvolvimento predominante, e avaliar alternativas para superar essa crise civilizatória avançando na perspectiva de construção de um modelo capaz de melhorar as relações sociais e sustentado numa lógica de utilização de matéria e energia compatível com os limites planetários.

Local: Auditório do Colégio de Aplicação da UFSC, Campus Trindade, Florianópolis, SC.
Data: 21 de março de 2013 (quinta-feira)
Horário: 18:00h

Mediador: João de Deus Medeiros (Departamento de Botânica – UFSC)
Convidados:
Tema 1: Economia global e sustentabilidade
Armando de Melo Lisboa (Chefe do Departamento de Economia e Relações Internacionais – UFSC) ;
Tema 2: A contribuição do movimento ambientalista para a busca da sustentabilidade
Gert Schinke (Federação de Entidades Ecologistas Catarinenses – FEEC);
Tema 3: A influencia dos partidos políticos e a administração pública: superação ou consolidação da crise?
Leonardo Secchi (Professor do Curso de Administração Pública da ESAG)
Tema 4: O papel da juventude na construção do novo rumo.
Lucas Cardoso da Silva e Marina Dambros
Tema 5: A proposta de construção da Rede Sustentabilidade no Brasil.
Miriam Prochnow (Coordenação Nacional da Rede Sustentabilidade).

Metodologia: Cada expositor terá até 20 minutos para fazer sua exposição, e ao final do bloco de exposições dos convidados será aberto espaço para questionamentos do público presente.

Rede ganha forma em Santa Catarina

Rede ganha forma em Santa Catarina

Foram realizados encontros da Rede Sustentabilidade durante o fim de semana para planejar atividades de coleta de assinaturas. A meta do estado é conseguir 30 mil.

A Rede Sustentabilidade (#rede) começa a tomar forma em Santa Catarina. Durante o fim de semana foram realizados encontros para discutir como o estado alcançará seu objetivo: coletar pelo menos 30 mil assinaturas de apoio ao novo partido. Um dos primeiros eventos será um mutirão de coleta de assinaturas, no Centro de Florianópolis, no próximo sábado, dia 09 de março de 2013.

A sugestão para o evento partiu da ala jovem, que se reuniu no sábado. Já no domingo, foi a vez da Comissão Estadual se encontrar para planejar ações.

O foco neste momento está no sentido de organizar a coleta e a validação das assinaturas. No país inteiro estão sedo feitos esforços semelhantes, já que são necessárias 500 mil assinaturas para criar um novo partido.

A #rede nasce num movimento que reúne pessoas as quais buscam uma nova forma de fazer política, baseada na sustentabilidade. Entre suas inovações, a #rede defende, por exemplo, uma forma de democracia mais direta e participativa, com consultas por meio de plebiscito ou referendo.

A #rede conta, entre seus líderes, com a ex-senadora Marina Silva, que conseguiu 20 milhões de votos em 2010, quando disputou a presidência da república pelo Partido Verde (PV).

Uma das ações de Santa Catarina, inclusive, será convidar a ex-senadora para vir ao estado participar de um seminário sobre novas formas de fazer política e sustentabilidade. Ainda não há uma data para o evento.

Santa Catarina, seguindo o exemplo da organização nacional, escolheu dois porta-vozes, que comunicam as novidades e discussões ocorridas na #rede: são a ambientalista Miriam Prochnow, de Atalanta, e o advogado Mauro Beal, de Florianópolis. Ambos participam da organização da #rede na instância nacional.

Dúvidas e outras informações

Qual é o nome do partido?

Rede Sustentabilidade

Qual o apelido?

#rede (em caixa baixa)

Quem pode apoiar?

Quem quiser, desde que tenha título eleitoral.

Como fazer?

Basta assinar uma ficha de apoio. Ela pode ser encontrada em www.brasilemrede.com.br (basta baixar a ficha e enviar para o endereço CAIXA POSTAL 1551 – CEP 88010-970 – Florianópolis-SC) ou com os multiplicadores, pessoas que estão coletando assinaturas em diversos pontos.

Se eu apoiar estarei filiado?

Não, é apenas o apoio. Mesmo porque o partido ainda não está formado.

Os porta-vozes da #rede SC

Miriam Prochnow – Integrante da Comissão Nacional Provisória e da Executiva Nacional Provisória da #rede

[email protected] (47) 8840-7072

Mauro Beal – Integrante da Comissão Nacional Provisória da #rede

[email protected] (48) 9981-4926

E-mail para contato com a Comissão Estadual:

[email protected]

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Rede Sustentabilidade começa a se tornar uma realidade

Rede Sustentabilidade começa a se tornar uma realidade

Após o Encontro Nacional da #Rede no dia 16/2/2013, reunindo mais de 1.500 pessoas em Brasília, na manhã desta quarta-feira (27) foi o dia da Comissão Nacional Provisória registrar o Estatuto e o Programa Partidário no 1º Cartório de Registro de Pessoa Jurídica de Brasília, onde a Comissão Executiva Nacional Provisória (veja rodapé) apresentou ainda a Ata da Assembléia de fundação, o nome das pessoas que a integram e o endereço do Diretório Nacional Provisório. Com o registro a #rede oficializou a intenção de criar um partido político. (Foto: Leo Cabral).

A obtenção do registro de pessoa jurídica consiste na primeira etapa para posterior registro no Tribunal Superior Eleitoral como partido político. O próximo passo é conseguir as 500 mil assinaturas exigidas por lei, uma tarefa na qual estão engajados integrantes da #rede em todo o país.

Estavam presentes os integrantes da Executiva Nacional Provisória, entre eles as ex-senadoras Marina Silva, Heloísa Helena e os deputados federais Alfredo Sirkis (PV-RJ), Walter Feldman (PSDB-SP) e Domingos Dutra (PT-MA).

A #Rede nasceu para defender a sustentabilidade e transformar o sistema político brasileiro. Seu estatuto favorece a transparência, a diversidade de pensamento e os processos democráticos internos.

Para cumprir as determinações legais e obter o registro da Justiça Eleitoral, a #Rede promoverá uma campanha para obter 500 mil assinaturas de eleitores por todo o Brasil. A Internet terá um papel importante no esforço para atingir esse objetivo. Pelo site www.brasilemrede.com.br, os internautas podem baixar fichas para coleta de assinaturas. O objetivo é incentivar simpatizantes a manifestar seu apoio e conseguir a adesão de parentes, amigos e colegas de escola e de trabalho, além de estimular ações em espaços públicos.

Inovações que distinguem a #Rede de todos os outros partidos hoje existentes.

Prazo de validade – No prazo de dez anos após o registro na Justiça Eleitoral, será realizada uma consulta a todos os filiados e integrantes da #Rede a respeito da continuidade da existência do partido.

Mais democracia – A consulta direta, por meio de plebiscito ou referendo, será o instrumento principal de governança da #Rede.

Controle externo – A #Rede estará sempre ao lado dos núcleos vivos da sociedade. Para isso, receberá críticas e sugestões do Conselho Político Cidadão Nacional, que será composto por militantes de movimentos sociais, representantes de povos indígenas, cientistas e integrantes de instituições de pesquisa.

Renovação – Os parlamentares da #Rede poderão ser reeleitos apenas uma vez para o mesmo cargo. Por meio de plebiscito interno poderão ser abertas exceções a essa regra.

Movimentos sociais – Até 30% do total de vagas nas eleições proporcionais serão oferecidas para candidaturas independentes de cidadãos não filiados à #Rede, que representam movimentos e causas relevantes para a sociedade.

Muitos doando pouco – O mandato não é do doador, mas do povo. Será estabelecido um teto para doações de pessoas físicas e jurídicas. Não serão aceitas doações de fabricantes de bebidas alcoólicas, armas, cigarro e agrotóxicos.

Transparência – Todos os gastos e todas as doações serão divulgados na internet em tempo real, para o acompanhamento do eleitor.

Ouvidoria cidadã – Serão criadas ouvidorias para manter a #Rede sintonizada com as aspirações dos filiados e dos setores sociais que pretende representar. Sempre que necessário, as ouvidorias farão audiências públicas sobre o projeto político da #Rede.

Cláusulas Pétreas – Os princípios da pluralidade política, da justiça social, do respeito ao meio ambiente, da defesa das minorias, da função social da terra, da função social da propriedade, da solidariedade, de um partido laico fundado na plena liberdade religiosa e da transparência na gestão pública estão entre as cláusulas pétreas do estatuto, que só podem ser alteradas por quórum qualificado de 2/3 dos filiados.

Cotas – Regimento interno disciplinará a exigência de cotas para negros, ciganos e índios.

Meta de assinaturas em Santa Catarina = 30.000 em três meses

Para alcançar a meta de coleta das 30.000 assinaturas de apoio a criação da #Rede já estão acontecendo reuniões de mobilização de simpatizantes em várias regiões de Santa Catarina.  Estas reuniões são organizadas voluntariamente, por núcleos locais, e também pelos fundadores e coordenadores do Coletivo Estadual da #Rede. No próximo final de semana acontecerão encontros no sábado e no domingo, para planejar os próximos passos da organização para a coleta de assinaturas no estado.

Em Santa Catarina também já foram criadas e implantadas algumas ferramentas de comunicação para auxiliar na mobilização de apoio, especialmente através das redes sociais:

Página da #Rede Santa Catarina (facebook) http://abre.ai/redesc-pagina

Grupo da #Rede Juventude Santa Catarina (facebook) http://abre.ai/redesc-juventude-grupoface

Caixinha de Recados da #Rede Santa Catarina (ideias, sugestões, críticas, reclamações) http://abre.ai/redesc-recados

Cadastro no Banco de Contatos #Rede SC http://abre.ai/redesc-cadastro

Endereço para enviar ficha com assinatura de apoio em SC

Comissão Estadual de Coleta de Assinaturas – SC

CAIXA POSTAL 1551 – CEP 88010-970 – Florianópolis-SC

Os fundadores e apoiadores também utilizam suas próprias páginas no Faceboock, Twitter e em outras redes sociais para divulgar a campanha de coleta de assinaturas. A #Rede SC também está programando um seminário estadual para o mês de março (data e local a ser marcado), que terá como objetivo apresentar a #Rede e debater os temas da sustentabilidade em Santa Catarina. Nesse seminário espera-se contar com a presença de Marina Silva e outras lideranças nacionais e estaduais.

Comissão Estadual da Coleta de Assinaturas #Rede – SC

A Comissão Estadual criada para coordenar a coleta de assinaturas de apoio a criação da #Rede é formada preliminarmente pelas seguintes pessoas: Mauro Beal, Miriam Prochnow, Emerson Pessoa, Fabíola Piovezan, João de Deus Medeiros, Lucas Cardoso da Silva, Marcelo Possamai, João Martins e José Paulo Teixeira.

Além disso estão sendo criados pontos ou núcleos de contato nas diferentes regiões e municípios. Até agora existem pessoas de contato em aproximadamente 100 municípios. No decorrer do mês de março a meta é estabelecer contatos na grande maioria dos municípios catarinenses.

Mais informações sobre a #Rede em Santa Catarina podem ser obtidas com:

  • Miriam Prochnow – Integrante da Comissão Nacional Provisória e da Executiva Nacional Provisória da #Rede | [email protected] (47) 8827-3666 ou (61) 8116-8564
  • Mauro Beal – Integrante da Comissão Nacional Provisória da #Rede | [email protected] (48) 9981-4926

Executiva Nacional Provisória:

  • Coordenadores Gerais (Porta Vozes): Cássio Martinho (MG) e Marina Silva (AC).
  • Coordenadores Executivos: Bazileu Margarido (SP) e Pedro Piccolo (DF).
  • Coordenadores de Finanças: André Lima (DF) e José Fernando Aparecido (MG).
  • Coordenadores de Organização: Marcela Moraes (SP) e Pedro Ivo Batista (DF).
  • Vogais: Alfredo Sirkis (RJ), Domingos Dutra (MA), Gisela Moreau (SP), Heloísa Helena (AL), Jefferson Moura (RJ), Martiniano Cavalcante (GO), Miriam Prochnow (SC) e Walter Feldman (SP).
Manifesto Político da Rede Sustentabilidade

Manifesto Político da Rede Sustentabilidade

No dia 16 de fevereiro de 2013 nasceu uma nova forma de se fazer política no Brasil. Nasceu a Rede Sustentabilidade. Conheça o Manifesto Político da #Rede e seja +1 na Rede você também.

Somos um país soberano e independente, mas com pouca capacidade de interferir nos fóruns e mercados globais. Um país rico, livre e plural, mas com graves indicadores de violência, desigualdade e pobreza. Somos a sétima economia do mundo, mas não conseguimos dar educação de qualidade e garantir bom atendimento de saúde para todos.

Estamos sempre atrás de respostas e não vemos o que temos de melhor para encontrá-las: a diversidade étnico-cultural de nosso povo, o domínio sobre parte considerável da biodiversidade e da água doce do planeta, um território de extensão continental com uma rica variedade de biomas cujo papel é fundamental no equilíbrio climático e no desenvolvimento científico, tecnológico e econômico de nosso país e do mundo.

Temos avançado com perseverança na construção da democracia brasileira. Superamos uma ditadura militar de mais de duas décadas, aprovamos o impeachment do primeiro Presidente eleito sob a redemocratização, debelamos um processo inflacionário arrasador que parecia não ter fim e iniciamos importante trajetória de redução das desigualdades sociais que ainda marcam nossa sociedade.

Prevalece, contudo, a mesma concepção de crescimento. Continuamos insistindo num modelo econômico que não consegue transformar em estratégia de desenvolvimento nossa privilegiada condição de detentor de um patrimônio ambiental único.

É significativo que as instituições políticas e os sucessivos governos, nas últimas décadas, não tenham absorvido e dado relevo ao papel crucial da sustentabilidade ambiental dentro do processo de desenvolvimento. A exploração dos recursos naturais segue sendo predatória, com baixa agregação de valor e uso intensivo de agrotóxicos. Esta é uma realidade que não diz apenas de questões ambientais. Ela aponta para um equívoco de visão cujas dimensões precisam ser melhor compreendidas.

Uma das peças-chave para uma correção de rumos está no sistema político e sua estreita relação com o modelo de desenvolvimento. Basta, para isso, ver quais são os principais doadores de campanha e as leis feitas pelos eleitos, que com frequência fortalecem os valores que se contrapõem ao desenvolvimento sustentável, à ética, à justiça, ao aprofundamento da democracia e aos princípios civilizatórios básicos.

São graves os problemas relacionados ao desgaste e ao descrédito da política, dos políticos e do sistema de representação, sobretudo porque afastam grande parcela da sociedade das decisões públicas, quando não a leva ao alheamento e total indiferença às decisões políticas. Permanecem hegemônicas as velhas práticas políticas que vêm do colonialismo, do populismo, do racismo, do totalitarismo e outras formas de dominação e corrupção que ainda configuram uma cultura arraigada e difícil de mudar. O processo de construção da nossa república ainda está incompleto.

Mesmo sendo da natureza dos partidos políticos o confronto de posições e projetos e a disputa legítima pelo poder de Estado para realizá-los, o objetivo de permanecer no poder a qualquer custo os esvazia de suas premissas fundantes que são corresponder aos clamores e urgências da população e expressar as demandas da sociedade, de forma democrática, competente, ética e justa.

Nosso sistema político-partidário, a pretexto de gerar condições de governabilidade, enredou-se numa lógica própria fisiológica de formação de base de apoio parlamentar, solapando cada vez mais as possibilidades de emergirem diferentes e verdadeiros projetos de desenvolvimento que se ofereçam como alternativas à escolha dos cidadãos e cidadãs. A maioria dos programas são feitos sob medida para os períodos eleitorais, sem compromisso real de implementação, tangidos pelo carisma de nomes e pelo imediatismo das palavras de ordem escolhidas por esquemas cada vez mais caros e sofisticados de marketing.

Passada a eleição, o poder fecha-se para a sociedade, empurrando-a para o passivo lugar de mera expectadora do processo político. Ao mesmo tempo, começa a preparar a composição de forças para as próximas eleições, com base na distribuição de cargos e vantagens, como se ainda estivéssemos nas capitanias hereditárias. A teórica separação dos poderes dá lugar à exacerbada predominância do Executivo e da União, num regime com ranços imperiais, assentado sobre uma noção de governabilidade que se traduz na repartição dos pequenos, médios e grandes poderes, prerrogativas e orçamentos de Estado, tornando inviáveis políticas públicas com organicidade, planejamento, integração e visão de longo prazo.

Essa prática, que se vende como inexorável, interage com o poder econômico, consolidando a cultura viciosa de tolerância do uso privado dos bens públicos e levando a insuportáveis distorções na aplicação dos recursos financeiros, tecnológicos, naturais e humanos do Brasil. O interesse público fica refém do poder econômico, do calendário político e das conveniências e acordos de bastidores. Chegamos a um ponto perigoso de relativização ética e de aceitação, como naturais, de práticas lesivas à sociedade.

 

A Nova Política – reinvenção e urgência

Viemos à público apresentar uma proposta de ação que é também uma escolha: contribuir com o impulso grandioso de mudanças políticas, culturais, sociais, éticas e humanas que está em ebulição na sociedade brasileira.

Acreditamos que as redes, como forma de agregação e organização, são uma invenção do presente que faz a ponte para um futuro melhor. A concepção de rede baseia-se numa operação democrática e igualitária, que procura convergências na diversidade. É um instrumento contra o poder das hierarquias que capturam as instituições democráticas e, ironicamente, fazem delas seu instrumento de dominação. Pois é em rede com a sociedade que queremos construir uma nova força política, com alianças alicerçadas por uma Ética da Urgência, tendo como horizonte a construção de um novo modelo de desenvolvimento: sustentável, inclusivo, igualitário e diverso.

Felizmente, conforme se constata na eclosão de movimentos de protesto mundo a fora e Brasil a dentro, um número cada vez maior de pessoas vai à luta, de múltiplas maneiras, para aumentar sua participação direta nas decisões públicas e mudar o caráter e alcance da ação política para sintonizá-la com as demandas nacionais e com os desafios das crises globais que clamam por respostas urgentes.

Somos parte desse amplo movimento que almeja por mudanças e, com essa motivação, nos organizamos na forma de um partido novo que tem, como seu maior desafio, ser um espaço de inovação no sistema político brasileiro, de mobilização para alimentar uma nova cultura política que ajude a superar as formas estagnadas de realização do fazer político, onde hoje prevalece a destruição ou assimilação em lugar da troca. Não queremos ser mais um participante do assalto ao Estado, mas um abrigo para forças de dentro e de fora do sistema partidário, na luta para colocá-lo e à política a serviço do bem comum.

O que virá dependerá do que formos capazes de criar e produzir, de inventar e distribuir, a partir deste encontro de sonhos e épocas, de gerações e destinos. Não temos respostas prontas, mas temos certeza de que este é o caminho que queremos percorrer para construir respostas às indagações do presente e do futuro.

O Brasil precisa começar a pensar-se como um dos líderes do futuro, num mundo onde sobra irresponsabilidade e falta coragem para enfrentar tanto a crise provocada pela desastrosa ideologia vigente de governança global da economia, quanto aquela expressa pela gravidade dos fenômenos climáticos extremos, do consumo excessivo e desigual da água, solos e biodiversidade, que coloca em risco a nossa própria existência no planeta.

Não é mais a hora de procurar um protagonismo equivocado, que almeja ascender ao modelo “primeiro mundo”, mas, sim, de nos envolvermos com determinação, competência e garra na construção de um mundo diferente e melhor, fundado em valores como a fraternidade e generosidade ética, em formas de saber e atitudes de viver elaboradas individual e coletivamente. Temos o grande auxílio das novas tecnologias de informação e comunicação; precisamos usá-las intensivamente em favor de idéias e da aglutinação de uma força política transformadora, criativa, empreendedora e radicalmente democrática.

Propomos aos cidadãos e cidadãs de todos os segmentos e de todas as idades que se unam para valorizar nosso sistema político, recriando-o e sintonizando-o com um projeto de desenvolvimento no qual ecologia, economia, justiça social, ética, gestão do Estado e prática política sejam compatíveis. Almejamos o fortalecimento da sociedade civil e da cidadania ativa, verdadeira fonte de governabilidade e de direcionamento da ação do Estado.

Não faltará quem diga que tudo é apenas sonho. Para nós, sonho é apenas aquilo que ainda não está realizado, é o teto sob o qual se reunirão aqueles que querem fazer valer a sua vida, que acreditam na força coletiva, que não aceitam interdições à sua liberdade e ao seu direito de aspirar a um futuro melhor. Temos o desafio de instigar novos processos, unir as forças, a indignação e a criatividade dispersas. Apostamos na lógica colaborativa e fraterna. Não podemos mais tolerar a verticalização das decisões e ganhos, enquanto as perdas são cotidianamente horizontalizadas.

Queremos ser instrumento de sonhadores, pois não há outra maneira de ir adiante quando tudo parece difícil e até mesmo intransponível!

 

Plataforma de ação política

Política renovada significa iniciativas inovadoras, em palavras e atos, visão e experiência, que se traduzem por um redirecionamento de forças e afetos para o objetivo comum. Queremos uma organização política diferente, que abra à sociedade uma porta para se engajar na quebra do monopólio que os atuais partidos exercem sobre o Estado, demonstrando que outra forma de governabilidade e poder político é possível e viável.

Para isso, a proposta que apresentamos à sociedade brasileira, de criação de um partido político novo, tem como principais bandeiras:

1) Mudanças no modelo econômico para a construção de um projeto de desenvolvimento socialmente includente e ambientalmente sustentável que considere como estratégias prioritárias:
• valorização do nosso patrimônio ambiental, viabilizando a transição para uma economia sustentável;
• justiça e eficiência tributária e a reforma do Pacto Federativo;
• taxas de juros em patamares que induzam os investimentos produtivos;
• planejamento e implementação da logística de transporte e da
infraestrutura de forma compatível com a gestão estratégica dos recursos naturais;
• matriz energética limpa e segura;
• democratização do acesso à terra e uma política agropecuária que recupere a função estratégica do setor para a segurança alimentar, melhoria da qualidade de vida da população e preservação dos nossos biomas; e
• investimento em conhecimento e em inovação.

2) Reforma do sistema político que permita a emergência de outro modelo de governabilidade que não se baseie na troca de vantagens fisiológicas para a manutenção de feudos de poder e garanta:
• candidaturas independentes, sem a exigência de filiação partidária, para quebrar o monopólio dos partidos sobre os cargos de representação, e renovação de lideranças políticas com limitação do número de mandatos parlamentares e de cargos executivos eleitos;
• financiamento público de campanha e teto máximo de doações por pessoa jurídica e física, por categoria de candidatura, e vedação de doações por empresas do setor de bebidas alcoólicas, cigarros, agrotóxicos e armas;
• criação de novos instrumentos para o exercício da democracia direta e resignificação dos já existentes;
• ampliação dos processos de participação da sociedade nas decisões do governo, apoiando ou elaborando propostas de poder multicêntrico e aberto;
• inovação na sua estrutura interna, de modo a garantir a participação
direta dos filiados nas suas decisões políticas e no diálogo com a sociedade, começando por controle social sobre a continuidade de sua própria existência, por meio de consulta pública a filiados e grupos sociais organizados.

3) Educação pública e universal de qualidade em todos os níveis, integral inclusiva, formadora de cidadãos comprometidos com uma vida social solidária e sustentável e preparados para os desafios de uma sociedade cada vez mais demandante de informação e conhecimento, como princípio fundante de uma verdadeira República baseada na igualdade de oportunidades para todos.

4) Democratização do sistema de comunicação, garantindo-se a liberdade de expressão, transparência, livre acesso à informação e ao conhecimento e valorização das diversas formas de manifestação cultural.

5) Respeito aos direitos humanos, garantia do equilíbrio de gênero e repúdio a todas as formas de discriminação: étnica, racial, religiosa, sexual ou outras, garantindo a cada grupo espaço próprio de participação política e de respeito e atenção às suas demandas específicas.

6) Redução das desigualdades e erradicação da pobreza por meio da garantia do acesso e da oferta de oportunidades a indivíduos e famílias, para sua inclusão produtiva na sociedade.

7) Universalização e melhoria dos serviços de saúde, com ênfase na atenção básica, da qualidade de vida com condições dignas de moradia, alimentação saudável e em quantidade suficiente, prevenção de doenças, saneamento básico, redução da violência e promoção da cultura de paz como valores centrais das políticas governamentais.

8) Defesa dos Direitos animais por meio da abolição de todas as formas de crueldade contra animais e de políticas púbicas para o bem-estar de animais urbanos, selvagens e de uso comercial.

9) Reforma urbana que transforme nossas cidades em espaços saudáveis, democráticos e seguros, que garanta o direito a moradia como forma de cidadania e possibilite o redirecionamento dos investimento em mobilidade para priorizar os pedestres, as biclicletas e o transporte público.

10) Política externa baseada na cultura da paz, na promoção dos direitos humanos, da autodeterminação dos povos, do não intervencionismo bélico, de uma ampla democracia e da sustentabilidade e comprometida com a redução das desigualdades e a construção de instituições efetivas de governança global. Promoção do debate, do intercâmbio e do diálogo a nível internacional com outros movimentos e partidos que defendam as mesmas bandeiras propostas pelo Partido e se alinhem na defesa de uma economia sustentável.

Convocatória para Encontro Nacional da Rede Pró Partido

Convocatória para Encontro Nacional da Rede Pró Partido

No dia 16 de fevereiro de 2013, a partir das 8h30, em Brasília, no Unique Palace (Setor de Clubes Sul), vamos deliberar sobre a criação de um novo instrumento político da luta pela sustentabilidade e pela ampliação e aprofundamento da democracia no Brasil.

Os intensos debates que realizamos nos últimos dois anos nos levaram à conclusão de que é urgente uma grande mudança na política brasileira, hoje monopolizada por partidos e facções voltados à disputa do poder pelo poder, sem compromisso com um futuro sustentável e incapazes de enfrentar a profunda crise que se abate sobre a civilização e ameaça a continuidade da vida humana no planeta.

Nosso novo instrumento de transformação pode ser um partido político de novo tipo, radicalmente democrático, onde se possa expressar e reunir uma ampla rede de cidadãos e cidadãs, organizações, movimentos, coletivos e comunidades que mantêm a esperança de viver num Brasil sustentável em todos os aspectos: social, econômico, cultural, ambiental, ético e estético.

Para convocar e preparar este grande encontro foi formada uma Comissão Nacional Rede Pró-Partido, com seis comissões: de articulação e fundação, jurídica, financeira, de coleta de assinaturas, de documentos referenciais e de comunicação. Essas comissões, que apresentarão seus trabalhos no dia 16, estão recebendo e analisando sugestões vindas de pessoas e coletivos em todo o país.

Foi criado o site www.redepropartido.com.br para receber sugestões e cadastrar as pessoas que queiram participar do encontro do dia 16, com prazo de inscrição até o dia 13 de fevereiro.

Sintam-se convocados todos e todas que compartilham da utopia de uma nova civilização sustentável. Os que não vierem poderão assistir a transmissão do encontro ao vivo pelo site www.redepropartido.com.br.

Reunidos, seremos a força necessária à grande mudança de que o mundo necessita.

Comissão Nacional Rede Pró-Partido.
Coordenadores: André Lima, Bazileu Alves Margarido Neto, Gisela Moreau, Maria Alice Setubal, Marcela Moraes, Pedro Ivo Batista

Por uma Nova Política

Por uma Nova Política

Para aqueles que estão interessados em pensar uma nova política:

Corações batem mais forte, algo novo na política está em gestação – por André Lima.

Em 05 de janeiro de 2013 por André Lima, 41, foi candidato a deputado federal pelo Partido Verde do Distrito Federal em 2010. Desde o final da campanha eleitoral de 2010 quando participamos na condição de candidato a Deputado Federal então pelo Partido Verde refleti muito a respeito da seguinte questão: “O que vai me entusiasmar (no sentido etimológico da palavra) a reencontrar os velhos ou fazer novos amigos em busca de (re)envolve-los com a política institucional?”

Busquei respostas objetivas, até mesmo pragmáticas, e que transcendessem à subjetividade ou ao voluntarismo contidos em meus sonhos mais sublimes a respeito da nova política. Não se trata de ignorar a relevância dos sonhos, mas de buscar identificar elementos palpáveis, mensuráveis, plasmáveis na gramática política atual. Parti de um pressuposto fundante: não vamos mudar a velha-política atuando somente por fora da política institucional. Afinal, dentro do sistema atual, o castigo aos que não gostam de política (institucional) é ser governado por quem gosta!

Em outras palavras, se as mudanças, dentro dos princípios republicanos da Legalidade e do Estado Democrático de Direito, devem ser conquistadas no tabuleiro do jogo político institucional vigente, que caminhos podem nos levar a abreviar o tempo das conquistas, sem desviarmo-nos dos rumos ou perdermos o foco?

Resgatando alguns debates ocorridos desde que se iniciou o Movimento Nova Política em 2011, e propostas já conhecidas, algumas inclusive apresentadas formalmente no parlamento por políticos identificados com o movimento, identifiquei algumas poucas e boas ideias-força que me motivarão ir às ruas defender com “entusiasmo” a criação de um novo espaço politico-institucional para praticar uma nova forma de fazer Política.

Não vou neste primeiro momento detalhar cada elemento , tampouco justifica-los. São ideias-força, a maioria delas sem qualquer ineditismo e que naturalmente, expostas ao debate, clamam serem aprimoradas. Também não tratamos aqui do “como faze-lo”, do processo, um elemento fundamental pois o desafio é faze-lo com agilidade, critério, com intensidade democrática e de forma cativante e diferenciada, dentro da lógica do partido em rede.

São os seguintes elementos, sem hierarquia entre eles:
1) Financiamento misto de campanha – com proibição de doação de pessoa jurídica e tetos máximos de doação por categoria de candidato (presidente, governador, senador, deputados, prefeitos, vereador) e também para o doador pessoa física (p.exs.: R$mil ou 2% do teto absoluto);
2) Candidatura avulsa – XX% das vagas da nova agremiação para candidatos avulsos (submetidos aos critérios da proposta original do Projeto de Lei da Ficha Limpa) com comprovada dedicação ao bem comum e em sintonia com os valores e pilares da nova agremiação e um número mínimo de (apoio) assinaturas virtuais de eleitores no estado domiciliado (p.ex.: 0,1%).
3) Revogabilidade do mandato – candidato assina, antes do registro de candidatura, carta pública de compromisso com um numero mínimo de propostas previamente debatidas na agremiação política que se frontalmente contrariadas durante o mandato resultarão na devolução do mandato ao partido. Com direito a ampla defesa e processo deliberativo aberto aos filiados do estado domiciliado.
4) Limite para reeleição – Máximo de uma reeleição para qualquer cargo. A agremiação deve criar um conselho-escola política formado por ex-parlamentares ou ex-chefes do poder executivo para capacitar jovens militantes futuros novos candidatos, além de opinar e participar de decisões relevantes da vida política da agremiação e do País, cidade ou estado.
5) Separação de poderes e autonomia parlamentar – Parlamentar eleito pode aceitar convite para compor cargo no executivo se (e somente se) abrir mão do mandato definitivamente. Parlamentar não terá cota de cargos no executivo. Eventuais indicações da agremiação devem se dar por meritocracia e dar preferência a gestor público profissional de carreira do órgão.
6) Fim do voto secreto. Quaisquer que sejam as votações no parlamento ou dentro do partido todo voto será aberto, declarado e publicado.
7) Fim do voto obrigatório. Votar é um direito (jamais uma obrigação) que precisa ser valorizado como tal e a nova agremiação deve fazer e sustentar esse debate na sociedade.
8) Fortalecimento dos espaços participativos de políticas públicas. Defender sempre a ampliação e o fortalecimento dos conselhos de políticas públicas.
9) Fortalecimento do orçamento global participativo. Ampliação significativa dos valores destinados à deliberação popular, com mecanismos e processos que realmente informem, esclareçam e envolvam a sociedade local.
10) Processo decisório participativo e transparente para emendas parlamentares individuais. Emendas de vereadores, deputados ou senadores somente serão apresentadas e defendidas pela nova agremiação política atendidos critérios de interesse público e os valores e princípios da agremiação. As propostas devem ser públicas, divulgadas amplamente com antecedência e serão desenvolvidas e aprovadas em processo concorrencial, público, aberto e mediante processo deliberativo participativo. A emenda deve ser da sociedade e não do parlamentar de forma que a sociedade batalhe por ela junto ao executivo e o parlamentar não se submeta às chantagens de praxe que o executivo faz para aprovar projetos ou impedir críticas e denúncias de desvios. Chega de compra de votos com emendas.
11) Mandatos 100% transparentes – currículos e contatos de todos os assessores disponíveis na internet, publicação com antecedência da agenda “quente” do político, além obviamente da integra dos votos, discursos, atas de reuniões que o político tenha promovido ou participado. Devem ser realizados periodicamente eventos abertos ao público para debate com eleitores sobre o mandato ou temas relevantes na pauta legislativa ou do executivo, mediante metodologia que permita a maior participação possível dos eleitores. Indicadores de desempenho devem ser desenvolvidos pela agremiação para avaliação e monitoramento objetivos dos mandatos.
12) Abertura no parlamento de novos espaços para participação direta dos cidadãos em debates e deliberações além das audiências públicas, plebiscitos e referendos. Por ex. voz a cidadãos de renomado conhecimento ou comprometimento com determinadas causas em sessões deliberativas nas comissões de mérito e no plenário dos parlamentos; realização de sessões em comissão itinerantes, consultas pela internet
13) A agremiação contará com um comitê independente para operar como “ombusdman” ou uma auditoria independente dos mandatos da agremiação formado por cidadãos eleitos pelos membros da agremiação mediante processo aberto. As avaliações serão feitas com base nos critérios e indicadores aprovados democraticamente pelos filiados.
14) Nova agremiação tem duração pré-definida de cinco legislaturas. No 18º ano de existência do partido deverá ser realizado um plebiscito nacional entre os filiados e simpatizantes (que assinaram o apoiamento para a criação do partido) para decidir sobre a manutenção da agremiação por mais um novo período de quatro legislaturas e as condições para tanto, assim como sobre as principais bandeiras da agremiação.
A proposta é que se cogite a possibilidade das ideias aqui elencadas serem adotadas no estatuto da nova agremiação, já que pela Constituição Federal (art. 17 §1º) “É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna, organização e funcionamento…”. É preciso fazer na nossa “casa” política o que queremos para nossa “comunidade” política!

Não basta ser honesto, competente e bem intencionado, é preciso mais, é preciso que as regras e as estruturas desse novo espaço político sejam firmes e claras desde o início e operem como antídoto contra o seu “envelhecimento”. A política como vocação e não como profissão, a política como meio para promover o bem comum em lugar de cultivar o próprio jardim, a política como cooperação e não como conluio, vicejará se as bandeiras se tornarem regras e se forem claras desde o início.

Acredito que este seja mais um daqueles sonhos que se deve sonhar junto. É certo que o voo é alto e de longa duração, exige fôlego e planejamento, não é um voo solo ou de poucas belas aves raras, endêmicas ou em extinção e tampouco é um sonho cuja meta se encerra em 2014. É algo para contribuir com a mudança e o aprimoramento da política e da democracia brasileira. Então vamos ao debate e sobretudo à ação, pois sonho que se sonha junto só é realidade com atitude coletiva!

Balanço anual no micro: brotos no deserto

Balanço anual no micro: brotos no deserto

Reconfortante ler esse balanço de Leonardo Boff, sobre os sinais das mudanças transformadoras que precisamos cultivar de brotos em árvores frondosas. O texto nos encontrou em meio a uma atividade que costumamos fazer nos feriados de final de ano: “limpar” sementes de ingá-macaco, para fazer mudas. A limpeza da semente, nada mais é do que comer o ingá e guardar a semente para que possa ser plantada. Em meio à atividade sempre sobra tempo para brincadeiras divertidas, como a de fazer grandes sorrisos. Sorrisos que pontam os novos caminhos da transformação.

 

Texto de Leonardo Boff, publicado no dia 05 de janeiro de 2013, em seu Blog.

Desde Santo Agostinho (“em cada homem há simultaneamente um Adão e um Cristo”),  passando por  Abelardo (“sic et non”), por Hegel e Marx e chegando a Leandro Konder sabemos que a realidade é dialética. Vale dizer, ela tem contradições  porque os opostos não se anulam mas se tencionam e convivem permanentemente gerando dinamismo na história. Isso não é um defeito de construção mas a marca registrada do real. Ninguém melhor o expressou que o pobrezinho de Assis ao rezar: ”onde houver ódio que eu leve o amor, onde houver trevas que eu leve a luz, onde houver erros que eu leve a verdade…” Não se trata de negar ou anular um dos polos, mas de optar por um, o luminoso e reforçá-lo a ponto de impedir que o outro negativo não seja  tão destrutivo.

A que vem esta reflexão? Ela quer dizer que o mal nunca é tão mau que impeça a presença do bem; e que o bem nunca é tão bom que tolha a força do mal. Devemos aprender a negociar com estas contradições. Num artigo anterior tentei um balanço do macro, negativo; assim como estamos, vamos de mal a pior. Mas dialeticamente há o lado positivo que importa realçar. Um balanço do micro nos revela que estamos assistindo, esperançosos, ao brotar de flores no deserto. E isso está ocorrendo por todas as partes do planeta. Basta frequentar os Fórums Sociais Mundiais e as bases populares de muitas partes para notar que vida nova está explodindo no meio das vítimas do sistema e mesmo em empresas e em dirigentes que estão abandonando  o velho paradigma e se põem a construir uma Arca de Noé salvadora.

Anotamos alguns pontos de mutação que poderão salvaguardar a vitalidade da Terra e garantir  nossa civilização.

O primeiro é a superação da ditadura da razão instrumental analítica, principal responsável pela devastação da natureza, mediante a incorporação da inteligência emocional ou cordial que nos leva a envolvermo-nos com o destino da vida e da Terra, cuidando, amando e buscando o bem-viver.

O segundo é o fortalecimento mundial da economia solidária, da agroecologia, da agricultura orgânica, da bioeconomia e do ecodesenvolvimento, alternativas ao crescimento material via PIB.

O terceiro é o ecosocialismo democrático que propõe uma forma nova de produção com a natureza e não contra ela e uma necessária governança global.

O quarto é o bioregionalismo que se apresenta como alternativa à globalização homogeneizadora, valorizando os bens e serviços de cada região com sua população e cultura.

O quinto é o bem viver dos povos originários andinos que supõe a construção do equilíbrio entre seres humanos e com a natureza à base de uma democracia comunitária e no respeito aos direitos da natureza e da Mãe Terra ou o Indice de Felidadade Bruta do governo do  Butão.

O sexto é a sobriedade condividida ou a simplicidade voluntária que reforçam a soberania alimentar de todos, a justa medida e a autocontenção do desejo obsessivo de consumir.

O sétimo é o visível protagonismo das mulheres e dos povos originários  que apresentam um nova benevolência para com a natureza e formas mais solidárias de produção e de consumo.

O oitavo é a lenta mas crescente acolhida das categorias do cuidado como pré-condição para realizar uma real sustentabilidade. Esta está sendo descolada da categoria desenvolvimento e vista como a lógica da rede da vida que garante as interdependências de todos com todos assegurando a vida na Terra.

O nono é penetração da ética da responsabilidade universal, pois todos somos responsáveis pelo destino comum nosso e o da  Mãe Terra.

O décimo é o resgate da dimensão espiritual, para além das religiões, que consente nos sentir parte do Todo, perceber a Energia universal que tudo penetra e sustenta e nos faz os cuidadores e guardiães da herança sagrada recebida do universo e de Deus.

Todas estas iniciativas são mais que sementes. Já são brotos que mostram a possível florada de uma Terra nova com uma Humanidade que está aprendendo a se responsabilizar, a cuidar e a amar, o que afiança a sustentabilidade deste nosso pequeno Planeta.

Veja L.Boff e M.Hathaway  O Tao da Libertação: explorando a ecologia da transformação (Vozes 2012)

Sobre jardins e borboletas

Sobre jardins e borboletas

Rubem Alves é muito mais do que um escritor…é um entendedor de almas e um inspirador de emoções. Seus textos profundos nos levam do imaginário à ação. Quero me despedir de 2012 com um belíssimo texto de Rubem Alves, que fala de um jardim, porque entendo perfeitamente o que ele quer dizer quando fala desse jardim e 2012 foi o ano em que voltamos para nosso jardim! Voltamos para nossa oficina de sonhos! Que venha 2013, cheio de sonhos para realizar. Cheio de borboletas para contemplar!

Sobre Jardins e Borboletas, de Rubem Alves

“Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma. Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles… e não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses…

…Um amigo me disse que o poeta Mallarmé tinha o sonho de escrever um poema de uma palavra só. Ele buscava uma única palavra que contivesse o mundo. T.S. Eliot no seu poema O Rochedo tem um verso que diz que temos “conhecimento de palavras e ignorância da Palavra”. A poesia é uma busca da Palavra essencial, a mais profunda, aquela da qual nasce o universo. Eu acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem de beleza, harmonia, amor, felicidade. Se me fosse dado dizer uma última palavra, uma única palavra, Jardim seria a palavra que eu diria.

Depois de uma longa espera consegui, finalmente, plantar o meu jardim. Tive de esperar muito tempo porque jardins precisam de terra para existir. Mas a terra eu não tinha. De meu, eu só tinha o sonho. Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora. Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma… Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas… São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, à espera de alguém que as liberte e as plante na terra. Os sonhos viviam dentro de mim. Eram posse minha. Mas a terra não me pertencia.

O terreno ficava ao lado da minha casa, apertada, sem espaço, entre muros. Era baldio, cheio de lixo, mato, espinhos, garrafas quebradas, latas enferrujadas, lugar onde moravam assustadoras ratazanas que, vez por outra, nos visitavam. Quando o sonho apertava eu encostava a escada no muro e ficava espiando.

Eu não acreditava que meu sonho pudesse ser realizado. E até andei procurando uma outra casa para onde me mudar, pois constava que outros tinham planos diferentes para aquele terreno onde viviam os meus sonhos. E se o sonho dos outros se realizasse, eu ficaria como pássaro engaiolado, espremido entre dois muros, condenado à infelicidade.

Mas um dia o inesperado aconteceu. O terreno ficou meu. O meu sonho fez amor com a terra e o jardim nasceu.

Não chamei paisagista. Paisagistas são especialistas em jardins bonitos. Mas não era isto que eu queria. Queria um jardim que falasse. Pois você não sabe que os jardins falam? Quem diz isto é o Guimarães Rosa: “São muitos e milhões de jardins, e todos os jardins se falam. Os pássaros dos ventos do céu – constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre à beira do mais belo. Este é o Jardim da Evanira. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas. Onde uma Meninazinha, banguelinha, brinca de se fazer Fada… Um dia você terá saudades… Vocês, então, saberão…” É preciso ter saudades para saber. Somente quem tem saudades entende os recados dos jardins. Não chamei um paisagista porque, por competente que fosse, ele não podia ouvir os recados que eu ouvia. As saudades dele não eram as saudades minhas. Até que ele poderia fazer um jardim mais bonito que o meu. Paisagistas são especialistas em estética: tomam as cores e as formas e constróem cenários com as plantas no espaço exterior. A natureza revela então a sua exuberância num desperdício que transborda em variações que não se esgotam nunca, em perfumes que penetram o corpo por canais invisíveis, em ruídos de fontes ou folhas… O jardim é um agrado no corpo. Nele a natureza se revela amante… E como é bom!

Mas não era bem isto que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido… Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: “Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma…” Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos…

Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera… Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios… E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas… Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio… E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu. Pois, como o disse o místico medieval Angelus Silésius: Se, no teu centro um Paraíso não puderes encontrar, não existe chance alguma de, algum dia, nele entrar.

Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:

“No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta.”

Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim. Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: “O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso.”

Nós, Guaranis Kaiowás

Nós, Guaranis Kaiowás

Os Guarani Kaiowás precisam de nossa atenção. Por isso sou Guarani Kaiowá, assim como Marina Silva que assina este excelente artigo, publicado no Jornal O Estado de São Paulo, no dia 28 de outubro de 2012.

 

Nas assembleias estudantis e de movimentos sociais, nos anos 1970, 80 e 90, havia um ritual de “chamada” dos nomes dos que não estavam mais vivos e todos respondiam “presente!” como se todos ali fossem aquele que não estava mais. Geralmente tinham sido assassinados, em ação ou em sessões de tortura. A vida que havia se dado pela causa de todos era resgatada na vida de cada um e, coletivamente, com aquele gesto mostrávamos que aquela pessoa continuava a viver em nós.

Lunae Parracho/Reuters
Índios guaranis-kaiowás invadem fazenda que estaria dentro de suas terras em Paranhos (MS)

Nessa semana, com a tecnologia que nos permite o século 21, esse ritual de resgate foi reeditado no Facebook. Centenas de pessoas adicionaram, como sobrenome, o “guarani-kaiowá”. E uma página chamada “Somos guarani-kaiowá” foi criada. Por sorte eles ainda estão vivos, por sorte a mensagem é sobre a continuidade dessa vida em nós que somos brasileiros. É uma afirmação, e não um resgate. Mas a necessidade da afirmação se deu por uma situação trágica. Uma tragédia superlativa porque crônica, já que vem de longe, muito longe no tempo, a luta dos guaranis-kaiowás pelas suas terras, pela sua cultura, pelo respeito a sua visão de mundo.

Estudo recém-lançado pelo Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis do Repórter Brasil indica o ano de 1882 como o início da expulsão dos guaranis-kaiowás de suas terras – quando o governo federal arrendou a região para a companhia Matte Laranjeiras cultivar erva-mate. A partir daí, começaram a ser desalojados, expulsos de suas terras sagradas, tangidos para não lugares como são as faixas de beira de estrada, onde muitos grupos estão, áreas da União onde não se pode ter nenhuma atividade produtiva.

Às crianças nossa “pátria mãe gentil” oferece a chance da desnutrição. Aos adultos alquebrados, dobrados pelo sofrimento, resta o alcoolismo. E aos jovens, na idade do sonho com o futuro, com a vida adulta de realizações, mostra-se o horizonte da escolha entre trabalhar em canaviais, em regime de semiescravidão, ou perambular mendigando nas ruas das cidades próximas. Muitos preferem o suicídio. A maioria dos 550 suicídios no período de 2000 a 2011, como registrado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, são de jovens entre 17 e 29 anos. Por fim, a toda a comunidade guarani-kaiowá se oferece o lugar de estorvo no caminho da expansão das culturas de cana e de soja, que valorizam as terras e elevam os ganhos de quem tem estoques de terras para sediar a expansão do negócio.

Só a partir de 1970, quase 90 anos depois, os guaranis-kaiowás começaram a reagir organizada e sistematicamente. E então foram abraçados por um labirinto torturante que nossa cultura reserva aos que buscam as instituições jurídicas para pleitear reconhecimento de seus direitos.

O trecho da carta divulgada na imprensa, na semana que passou, mostra que os guaranis-kaiowás chegaram à exaustão com a hipocrisia e querem que autoridades e fazendeiros contendores assumam que sabem das consequências do que lhes está acontecendo: “Pedimos ao governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui”.

Ainda é tempo de trilhar o rumo da justiça com esses brasileiros. A justiça não apenas dos tribunais, das sentenças judiciais, dos papéis assinados em gabinetes distantes da realidade em litígio. A justiça do reconhecimento. Do múltiplo reconhecimento nesse paradoxal estranhamento étnico em um país que tem como uma de suas raízes mais profundas a riqueza da diversidade cultural.

É preciso reconhecer que não apenas os guaranis-kaiowás, mas os índios em geral sofrem com um olhar estagnado de colonizador que habita nossas percepções ainda hoje. Em uma manifestação que fiz sobre o filme Xingu, de Cao Hamburguer, disse que nós temos o hábito de eliminar o que não conhecemos e não compreendemos. Seria mais generoso, mais “civilizado”, ser capaz de enxergar e respeitar outras visões de mundo, outras lógicas de pensamento, outras maneiras de viver, outras formas de ser e estar no mundo.

É preciso reconhecer que em nosso país, com os mesmos direitos, vivem 305 povos indígenas que falam 274 línguas, conforme dados do Censo 2010 do IBGE. Não precisamos ser monoglotas, não deveríamos ser etnocêntricos.

É preciso reconhecer que excluir de nossa nacionalidade essas etnias, bem como outros tantos povos tradicionais, é uma mutilação incompatível com a rica contribuição que essa singularidade de nossa nação pode dar à comunidade humana. É fincado em suas raízes que o Brasil pode pleitear, na comunidade das nações, o papel de liderança que lhe cabe no esforço da transição para um modelo de desenvolvimento justo, próspero, democrático e sustentável.

O ideal de Brasil e o nome de brasileiro só serão legítimos se todos, todos mesmo, respondermos à chamada.