Só sobreviveremos como espécie se a natureza puder viver

Só sobreviveremos como espécie se a natureza puder viver

Tenho afirmado que eu ainda acredito num futuro sustentável e que ele existe, mas, para isso, precisamos ser ativistas deste futuro. Minha história se confunde com a história da Apremavi, organização que ajudei a criar. Por aqui, o lema que temos adotado – boca no trombone e mão na massa – de alguma forma tem se mostrado eficiente. Ao mesmo tempo em que nos mantemos ativistas frente às catástrofes socioambientais, tentamos mostrar que existem maneiras de proteger e utilizar os recursos naturais de forma sustentável. Isso tem ajudado a conseguir o engajamento das pessoas, mas o momento nos mostra que precisamos de muito mais. E a pandemia que estamos enfrentando indica que é necessário e urgente rever nossos conceitos e valores.

Por um lado, o enfrentamento da Covid-19 está mostrando que o mundo tem condições de se mobilizar para combater e evitar catástrofes, uma vez que a maioria dos países, de alguma forma, vem se mobilizando e grande parte da população entendeu e está participando dessa mobilização. Essa é uma boa notícia. Por outro lado, infelizmente no Brasil, temos um governo federal que nega a ciência, adota práticas antidemocráticas, não se importa com a vida das pessoas e está promovendo o maior desmonte ambiental de nossa história. Isso nos coloca diante de um desafio a mais a ser superado.

Um dos biomas que, novamente, está ameaçado é a Mata Atlântica, morada de 145 milhões de brasileiros e um dos mais ricos em biodiversidade do mundo. Considerada Patrimônio Nacional por sua importância, a Mata Atlântica é protegida por um arcabouço legal que levou décadas para ser aprovado no Congresso Nacional e no Conselho Nacional do Meio Ambiente, com a participação de toda a sociedade. É inaceitável que as iniciativas de flexibilização dessa legislação partam do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. E ele o faz com requintes de crueldade, como mostrou o vídeo da reunião ministerial, tornado público dia 22 de abril de 2020, no qual afirmou que se deveria aproveitar a oportunidade da Covid-19 para “passar a boiada” e flexibilizar tudo o que fosse possível. Salles deveria ser retirado do cargo imediatamente. Pelo bem da coletividade.

São duas as mais recentes ameaças à Mata Atlântica. A primeira, levada a cabo através do Despacho no 4.410/2020, publicado no Diário Oficial da União (DOU) de 06/04/2020, dá anistia a desmatamentos ilegais e permite que os desmatadores sejam desobrigados de pagar as multas e recuperar as áreas degradadas, inclusive, áreas de preservação permanente em margens de rios e nascentes. A segunda ameaça é uma proposta de decreto que pretende excluir do Mapa da Área de Aplicação da Lei 11.428 – Lei da Mata Atlântica – os campos salinos e áreas aluviais, os refúgios vegetacionais, as áreas de tensão ecológica, as áreas de estepe, savana e savana-estépica, e a vegetação nativa das ilhas costeiras e oceânicas. Essa proposta deixa sem proteção alguma, milhares de quilômetros quadrados de vegetação nativa da Mata Atlântica. É uma proposta desprovida de legalidade e de qualquer respaldo técnico, que vai na contramão das ações necessárias para a manutenção da qualidade de vida de 70% da população brasileira. Vale lembrar que vem da Mata Atlântica a água que abastece essa população e suas atividades econômicas.

Infelizmente, os outros biomas brasileiros também estão seriamente ameaçados. Um relatório recente do Mapbiomas mostra que 99% do desmatamento realizado no Brasil em 2019 foi ilegal. Esse desmatamento atingiu todos os biomas, mas foi mais impactante no Cerrado e na Amazônia, atingindo, inclusive, unidades de conservação e terras indígenas. As projeções do desmatamento da Amazônia para 2020 também já mostram desolação, indicando que a taxa deve ser muito maior do que a de 2019.

A natureza precisa de toda a sociedade, num movimento urgente para evitar que esses retrocessos se concretizem. Somente com a proteção e restauração da Mata Atlântica e dos outros biomas brasileiros, teremos alguma chance de combater os efeitos da grave crise climática em andamento.

Por isso, diante da dura realidade que o coronavírus está nos impondo, é hora de pensar no mundo que vai emergir após a pandemia. Os mesmos atores que agora lutam para salvar vidas humanas e evitar que a economia entre em colapso, terão que trabalhar para que a retomada das relações sociais e econômicas siga um rumo muito mais sustentável e com maior empatia, colaboração, parceria, diálogo e solidariedade do que tem sido até hoje.

Acredito que todos devem e podem fazer a sua parte, seja pressionando os órgãos públicos para que não haja retrocessos ou seguindo o exemplo dos jovens para dar voz a movimentos como o “Fridays for Future”, ou ainda plantando árvores e ajudando a cumprir metas climáticas. Zerar o desmatamento é imprescindível. Outra meta é restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Milhares de pessoas trabalhando na restauração vão ajudar a restaurar também a economia. Não é por acaso que o Fórum Econômico Mundial apresentou um plano para o plantio de um trilhão de árvores no mundo. Cada ação e cada árvore plantada fazem, sim, a diferença. Assim sendo, fica o convite: #AtivismoSim, #AtivismoJá, #AtivismoSempre.

 

Autora: Miriam Prochnow.
Fonte: Porém.net

A Mata Atlântica está ameaçada e precisa de você

A Mata Atlântica está ameaçada e precisa de você

A Mata Atlântica, bioma no qual vivem 145 milhões de brasileiros e um dos mais ricos em biodiversidade do mundo, está novamente ameaçada. Considerada Patrimônio Nacional exatamente por sua importância, ela é protegida por um arcabouço legal que contou com a participação de toda a sociedade e que levou décadas para ser aprovado no Conselho Nacional do Meio Ambiente e no Congresso Nacional. Estão querendo flexibilizar essa legislação.

É inaceitável que partam do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, duas novas ameaças à Mata Atlântica.

A primeira, levada a cabo através do Despacho no 4.410/2020, publicado no Diário Oficial da União (DOU) de 06/04/2020, dá anistia a desmatamentos ilegais e permite que os desmatadores sejam desobrigados de pagar as multas e recuperar as áreas degradadas, inclusive áreas de preservação permanente em margens de rios e nascentes. A segunda ameaça é uma proposta de decreto que pretende excluir do Mapa da Área de Aplicação da Lei 11.428 – Lei da Mata Atlântica – os campos salinos e áreas aluviais, os refúgios vegetacionais, as áreas de tensão ecológica, as áreas de estepe, savana e savana-estépica, e a vegetação nativa das ilhas costeiras e oceânicas.

Essa proposta, se concretizada, deixaria sem proteção alguma milhares de quilômetros quadrados de vegetação nativa da Mata Atlântica. É uma atitude criminosa, desprovida de legalidade e de qualquer respaldo técnico, que vai na contramão das ações necessárias a combater os efeitos das mudanças climáticas em curso.

Breve resumo da história da Lei da Mata Atlântica e comentários sobre as ameaças que pretendem destruí-la. Vídeo: Arquivo Apremavi.

A Mata Atlântica precisa novamente de seus ativistas

A Mata Atlântica precisa de você! Manifeste-se contra essas ameaças. Grave um vídeo-depoimento para a Mata Atlântica e poste na suas redes sociais com as #LeiDaMataAtlânticaVIVA e AtivismoSim – não esqueça de marcar a Rede Mata Atlântica e a Apremavi na sua postagem.

Além disso, você também pode mandar uma mensagem para o Ministério do Meio Ambiente dizendo que você não concorda com esses retrocessos.

Conheça a Mata Atlântica

A Mata Atlântica é um dos Biomas mais ricos em biodiversidade do mundo e também o segundo mais ameaçado de extinção. Abrangia uma área equivalente a 1.315.460 km² e estendia-se originalmente ao longo de 17 Estados. Hoje, restam apenas cerca de 12,5% da cobertura original que formam um mosaico de vegetações definidas como florestas ombrófilas densa, aberta e mista; florestas estacionais decidual e semidecidual; campos de altitude, mangues e restingas. Decretada Patrimônio Nacional na Constituição Federal de 1988, hoje moram em sua área de domínio em torno de 70% da população brasileira.

Acesse a seção da Mata Atlântica no site da Apremavi e desvende os mistérios e curiosidade dessa exuberante Floresta.

 

 

Autores: Miriam Prochnow e Wigold B. Schäffer
Fonte: Apremavi

A sustentabilidade depois da pandemia

A sustentabilidade depois da pandemia

Essa é a grande questão. A pandemia da Covid-19 está mostrando que o mundo tem condições de se mobilizar para tentar evitar catástrofes. Literalmente todos os países, mesmo os governados por terraplanistas como os USA e Brasil, estão se mobilizando e tomando decisões inimagináveis há poucas semanas, e o mais interessante, a maioria da população (pobres, ricos, empresários e trabalhadores, com exceção dos terraplanistas e outros fundamentalistas) entenderam e estão participando da mobilização e dando o melhor de si para tentar superar logo e da melhor maneira possível esse flagelo.

Isso é uma boa notícia, mas a pergunta é: a retomada da vida “normal” após a pandemia vai ter um rumo mais sustentável ou será ainda menos sustentável que hoje?

Se atentarmos para o que dizem a unanimidade dos cientistas, veremos que os efeitos das mudanças climáticas poderão ser, no médio e longo prazo, muito mais sérias e seus efeitos muito mais devastadores, não apenas para os humanos mas para toda a vida na terra.

A diferença em relação à pandemia da Covid-19 é que os efeitos das mudanças climáticas não são sentidos assim tão rapidamente e isso tem resultado, em que pese todos os alertas dos cientistas, ambientalistas e de jovens como Greta Tumberg, em letargia, falta de mobilização e ação dos atores políticos e empresariais, com honrosas exceções.

Diante da dura realidade que o coronavírus está impondo é hora de pensar no mundo que vai emergir após a pandemia. Os mesmos atores que agora lutam para salvar vidas humanas e evitar que a economia entre em colapso, terão que trabalhar para que a retomada das relações sociais e econômicas realmente seja num rumo muito mais sustentável e com maior empatia, colaboração, parceria, diálogo e solidariedade do que tem sido até hoje.

Não é possível imaginar que o mundo saia dessa catástrofe sanitária e continue no rumo do abismo. Os riscos existem e tem muita gente pensando em como reorientar a economia num modelo mais sustentável.

Existem inúmeras ações que precisam ser implementadas, rumos corrigidos, parcerias e colaborações estabelecidas. Só a paz, a solidariedade, a democracia e a colaboração entre pessoas, empresas, governos, países, ouvindo a voz dos cientistas e corrigindo os erros do passado, poderão levar ao caminho da sustentabilidade ambiental planetária e, dessa forma, garantir a continuidade da vida, inclusive dos humanos, neste planeta azul, único lugar conhecido do universo onde a vida floresce.

Este é apenas um pequeno ensaio e quem quiser, nestes tempos de quarentena, contribuir com ideias, é bem vindo.

 

 

Autores: Miriam Prochnow e Wigold B. Schäffer.
Fonte: Apremavi.

Miriam Prochnow: três décadas de luta em defesa do meio ambiente e da vida

Miriam Prochnow: três décadas de luta em defesa do meio ambiente e da vida

Ela é uma das mais aguerridas ambientalistas brasileiras. Muito jovem, fundou com seu marido, Wigold Schäffer, a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), no Alto Vale Itajaí, interior de Santa Catarina. Isso foi nos anos 1980, quando caminhões madeireiros eram fáceis de encontrar nas estradas da região, levando embora as florestas de araucárias que, por muito pouco, não sucumbiram totalmente. A atuação de Miriam à frente da associação e de várias outras organizações, como a Rede de ONGs da Mata Atlântica, da qual foi coordenadora geral por quatro anos, teve muito a ver com essa reversão de expectativa.

O trabalho da pedagoga e ecologista de 55 anos, fosse denunciando e fazendo campanhas, educando, informando e plantando árvores, ou atuando politicamente e empreendendo articulações, colaborou para que a Mata Atlântica seja, hoje, o único bioma brasileiro a ter uma lei específica e sua recuperação, em que pese as atuais forças em contrário, esteja em curso.

Ela também foi secretária-executiva do Diálogo Florestal Brasileiro, articulação entre empresas ligadas à área de papel de celulose e a sociedade civil, que ajudou a transformar o setor em referência mundial em produção com respeito ao meio ambiente. Também foi uma das idealizadoras do Centro de Apoio Socioambiental, cujo objetivo é apoiar pequenas organizações com potencial para fazer a diferença em prol de um desenvolvimento mais justo e sustentável no país, como foi a Apremavi.

Miriam fez tudo isso enfrentando as dificuldades que ativistas na linha de frente sofrem no Brasil. Perseguições e ameaças de morte foram uma constante em sua vida e na de Wigold. Os dois precisaram apelar à Anistia Internacional e ao Ministério Público Federal para que tivessem proteção policial. Mesmo reconhecidos internacionalmente, os tempos difíceis parecem estar de volta para eles. Em 2013, Wigold foi baleado na mão por um caçador que invadiu a propriedade do casal. E, desde o final do ano passado, ameaças voltaram a ser feitas a Wigold, agora via WhatsUpp.

Conheci Miriam em 1993, quando fui contratada para desenvolver a área de comunicação da Rede de ONGs da Mata Atlântica, que acabava de ser criada. Ela era uma das coordenadoras. Desde então, acompanho sua trajetória, marcada por um idealismo incondicional, que se estende por toda a família, inclusive as filhas, Carolina e Gabriela, que sempre encararam como privilégio dividir os pais com causas ambientais. No ano passado, eles me convidaram para escrever o livro em celebração aos 30 anos da Apremavi e tive o privilégio de conhecer ainda mais de perto o ativismo e as realizações do casal.

Nesta entrevista – que inaugura o blog Mulheres Ativistas, aqui, no Conexão Planeta – Miriam fala sobre seus propósitos e motivações. Para ela, o ativismo é cada vez mais necessário para conter as ameaças à democracia que rondam o país e, sobretudo, as ameaças climáticas, que podem comprometer o futuro em todo o mundo. Como mulher, ainda acrescenta a defesa de causas específicas como garantir a participação política feminina e o direito de assumir seus cabelos brancos.

Quando você começou a se ver como ativista?

Lembro que, quando era criança, tinha uma ligação muito forte com animais. Sempre ficava apreensiva quando via bicho doente, abandonado, mas não tinha poder nenhum, a não ser chorar, me indignar e ficar triste. Uma das primeiras ações que realizei foi uma greve de fome ao ver meu pai chegar em casa com um bicho que acabara de caçar. Nunca concordei com isso, mesmo que na época fosse comum. Disse que não iria comer. Insisti tanto que ele parou de caçar.

Meu pai também tinha atuação comunitária muito forte, foi fundador de clubes, associações da cidade, e minha mãe sempre se mostrou atenta a quem precisava e doava alimentos que plantava ou que não consumíamos.

Cresci vendo a importância da interação e da colaboração com a comunidade.

Na época da escola, já me indignava com injustiças. Diziam que eu era a defensora dos fracos e oprimidos. Fiz parte da Comissão Municipal de Saúde, ainda no ensino médio, quando fazia visitas à comunidade. A debandada para o ativismo ambiental veio quando eu e Wigold nos casamos e fomos morar em Ibirama, cidade onde o desmatamento da Mata Atlântica era flagrante. Era uma jovem adulta quando defini que isso pautaria minha profissão.

Como essa decisão se concretizou?

Criamos a Apremavi e fui sua primeira presidente. Ainda dava aulas, mas rapidamente percebemos que, para fazer um bom trabalho, precisaria me dedicar em tempo integral. Nos primeiros cinco anos, fui voluntária, até conseguirmos ter um orçamento e eu me tornar a primeira funcionária da organização.

Fui contratada como ecologista. Não sei dizer se mais alguém foi contratado com esse cargo no país. A partir daí, o próprio lema da Apremavi – boca no trombone e mão na massa – me norteou. Sempre achamos que é necessário fazer denúncias, atuar com enfrentamentos, mas mostrando como as coisas têm que ser feitas. Acho que ativismo é isso: mostrar o que precisa mudar e oferecer alternativas. A Apremavi nasceu no meio do nada e, hoje, é referência nacional e internacional por conta dessa forma de atuar.

Alguma vez sentiu dificuldade à frente da ONG por ser mulher?

Ser mulher traz dificuldades, mas acho que, desde o começo, consegui impor respeito, sempre respondi à altura. Sou competente no que faço e trabalho para o bem comum, não tem como me desqualificar. Não significa que foi fácil.

Até hoje, publico textos no meu perfil pessoal (fechado) e no de figura pública (totalmente aberto) e convivo com comentários que me dizem que ‘agora vai acabar a mamata’. Não sei em que mundo essas pessoas vivem e me indigna, depois de 30 anos de trabalho, ver esse tipo de comportamento.

Também participei de reuniões onde era a única mulher entre mais de 30 homens. Mas não fiz tudo sozinha, tenho minha família, o Wigold, que é parceiro no ativismo, tão ativista quanto eu, minhas filhas, um núcleo de amigos, o pessoal da Apremavi.

A gente precisa se cercar de pessoas com missão e ideais parecidos. Sem isso, nada vai para frente. Ativismo ambiental envolve assuntos desagradáveis, como desmatamento, caça, poluição. E somos uma ameaça porque ser contra a destruição do bem comum bate de frente com o status quo. Tem que ter de onde se alimentar energeticamente para poder continuar.

E como está o ambientalismo, hoje, com tantos retrocessos e a perseguição oficial às ONGs?

Eu e Wigold chegamos a pensar, pouco antes disso tudo começar a acontecer, que tinha chegado o momento de nos retirarmos da linha de frente, diminuir nossas atividades, escolher o que mais gostávamos de fazer, trabalhar mais no jardim, viajar… Aí, a conjuntura caiu nas nossas cabeças e concluímos que este momento ainda não chegou.

A situação está tão complicada que, para mim, é claro que ativismo e mobilização são a primeira coisa da lista. Então, voltamos ao que fazíamos há 30 anos: trabalhos de educação ambiental com professores, palestras, apoiando fortemente um grupo de jovens em Atalanta, produzindo conteúdo para redes sociais…

Um trabalho especial para o engajamento de jovens em mobilizações pelo clima é uma das prioridades. Também voltamos a áreas que foram reflorestadas com programas da Apremavi e temos tido surpresas maravilhosas com as pessoas que plantaram florestas. Elas estão super engajadas e comprometidas, defendem a Ciência, combatem mentiras, alertam pessoas de que precisam buscar o compromisso com a verdade e se comprometer com a comunidade… Temos feito alguns movimentos e estamos vendo como intensificar cada um deles.

Não temos muito tempo para articular porque o ponto de inflexão precisa ser rápido, antes que seja tarde. A democracia e a garantia de direitos estão ameaçadas no Brasil e, por conta da crise ambiental, temos um grande risco mundial. Por isso o ativismo não pode se aposentar.

Como o ativismo, seu e de Wigold, influenciou suas filhas?

Creio que aconteceu de maneira natural. Por nos envolvermos com essas questões o tempo todos e também por elas terem passado por situações difíceis como as ameaças de morte que sofremos. E, desde o ano passado, isso voltou a acontecer com o Wigold, pelo WhatsAp.

A Carolina trabalha na área ambiental e a Gabriela com saúde, muito ligada ao parto humanizado, ao empoderamento feminino e aos direitos LGBT.

Acredita que os jovens estão motivados para serem ativistas?

Acabo de voltar de um congresso da IUCN – International Union for Consevation of Nature no Paraguai e a abordagem, hoje, é se trabalhar intergeracionalmente, ou seja, estimular que a juventude participe, que mais mulheres participem, os mais velhos… Para eles, a visão intergeracional de colaboração, troca de saberes, é fundamental para prosseguirmos.

Em sua trajetória, você também atuou na política. Por que seguiu esse caminho?

Fui uma das fundadoras do Partido Verde (PV), em Santa Catarina. Em 1988, em Ibirama, participei da primeira chapa formada apenas por mulheres no país: eu era candidata à prefeita e a vice também era mulher. Na época, a Folha de S. Paulo fez uma reportagem sobre isso. E o Wigold foi candidato a vereador.

Novamente, percebemos que precisávamos dedicar mais tempo à Apremavi, mas o envolvimento com a política e o partido continuou existindo, com menos intensidade, não como candidatos.

Só que eu já tinha sido conquistada pela vida política e não teve jeito: em 2010, ainda pelo PV, atendi a um pedido da Marina Silva para criar um grupo de apoio à sua candidatura à presidência e me candidatei à deputada federal. Em seguida, fui uma das fundadoras da Rede Sustentabilidade no estado e, em 2018, me candidatei ao Senado.

Percebi que isso também é ativismo, porque sem mudar a política institucional, não se muda mais nada. Estamos vendo a diferença que fazem os deputados e senadores comprometidos, mesmo que sejam poucos. E a Rede elegeu a primeira deputada federal indígena da história do Brasil, que tem feito grande diferença e apoiado muito bem a causa: em abril, relançou a Frente Parlamentar dos Povos Indígenas.

Você aderiu aos cabelos grisalhos e fala disso como uma causa. É isso?

Participo da onda prateada, assumindo meus cabelos brancos, paulatinamente, nos últimos anos. A maioria das pessoas me vê com outros olhos – acham que tenho 80 anos -, ao mesmo tempo que acham bacana e passam a enxergar um outro ponto estético.

É fato que cada vez mais mulheres assumem essa característica do envelhecimento, mas ainda são poucas. É um momento libertador, mas algumas mulheres ainda não aceitam. Homens também.

Fora do Brasil, esse movimento é maior. E ainda tem um detalhe: as que aderem são mulheres mais ligadas mais à natureza, ao que é natural, ao bem-estar. Sim, também é uma forma de ativismo.

 

 

Autora: .
Fonte: Conexão Planeta.

Manifesto dos Ambientalistas sobre Brumadinho

Manifesto dos Ambientalistas sobre Brumadinho

Os ambientalistas estão sempre alertas aos retrocessos ambientais. Há muito tempo estamos chamando a atenção para a gravidade da situação no país e temos trabalhado duro, muitas vezes sofrendo ameaças, para que principalmente as próximas gerações, tenham uma oportunidade de sobrevivência e com qualidade de vida. Infelizmente o engajamento da sociedade em geral não condiz com a urgência e a necessidade colocadas.

A gestão Dilma/Temer protagonizou retrocessos ambientais enormes, cujas consequências estão sendo sentidas. A gestão atual, em menos de um mês, destroçou a área ambiental federal ainda mais. Um exemplo é ter colocado no comando do ministério do Meio Ambiente uma pessoa condenada por improbidade administrativa, por beneficiar mineradoras. Isso sem falar no discurso anti ambiental que tem sido a tônica desde a campanha. Infelizmente não fica só nisso e existem vários artigos já publicados que falam da gravidade dos retrocessos produzidos somente nestes primeiros dias de governo. Sugiro fortemente a leitura dos mesmos.

Brumadinho, infelizmente, talvez seja o choque de realidade que o atual presidente e seus eleitores tenham que sentir para rever seus conceitos e de fato entender que com meio ambiente e vidas não se brinca. Eu realmente gostaria de ver todos eles cobrando do presidente ações efetivas neste sentido. Da minha parte vou continuar com meu compromisso por um Brasil sustentável.

Aproveito para divulgar e endossar o manifesto da Associação Mineira de Defesa do Ambiente, a Amda, na qual trabalham [email protected] de longa data, [email protected] de #AtivismoSim.

 

17 dias de desgoverno ambiental

17 dias de desgoverno ambiental

Muito antes de assumir o governo, o presidente eleito já anunciava sua desafinidade com a área socioambiental. Ainda em novembro de 2018, ao retirar a candidatura do Brasil para sediar a COP-25 (Greenpeace, 28/11/18), ele dava os sinais do retrocesso na agenda ambiental e da vergonha que o Brasil passaria, perante o mundo, no seu governo.

Dito e feito. Infelizmente!

Os 17 primeiros dias do governo Bolsonaro indicam que todas as promessas de desmonte da área ambiental e social feitas na campanha estão sendo implementadas. Durante a campanha os seguidores mais fanáticos do candidato chegavam a dizer “não se preocupe, ele não vai fazer isso”, “ele fala assim apenas para ganhar votos”. Avisos não faltaram, mesmo assim muita gente resolveu se iludir. Alguns já se arrependeram mas até agora só se passaram 17 dias de uma gestão que promete ser desastrosa para todos os brasileiros, inclusive os que nele votaram. Os retrocessos já implementados ou anunciados serão sentidos na pele pelas gerações vindouras.

Primeiro, ainda durante o período de transição, anunciou a extinção do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Depois, que ele seria fundido com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A sociedade reagiu, inclusive a parte moderna do setor agrícola, e, num jogo de cena, ele voltou atrás. Na prática, manteve o MMA, mas promoveu seu fatiamento e o desmonte por dentro. Sob o comando de um condenado por fraude ambiental (El Pais, 09/12/18), o MMA não apenas perdeu poder político, mas está agora subordinado a interesses econômicos e a outras áreas da administração (ISA, 07/01/19).

A transferência da Agência Nacional de Águas (ANA) do MMA para o Ministério do Desenvolvimento Regional, junto com a competência sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos (Decreto 9.666/2019), muito além de regionalizar as demandas, mostra a influência que a bancada ruralista tem sobre o governo (Direto da Ciência, 03/01/19). Essa transferência também ignora os conflitos na gestão da água com relação a questões energéticas, comunidades tradicionais e a biodiversidade aquática.

A retirada da identificação, delimitação, reconhecimento e demarcação das Terras Indígenas das funções da Fundação Nacional do Índio (Funai) e a transferência do órgão para o MAPA (MP 870/2019), sinalizam o descaso que a gestão tem com os povos originários e tradicionais e demonstra a lógica que será adotada com os temas fundiários, como a reforma agrária e a regularização fundiária na Amazônia Legal e nos territórios tradicionais (Greenpeace, 07/01/2019)

Uma agenda que foi relegada a escalões secundários foi a de clima. Na nova estrutura do MMA restou apenas o Comitê Gestor do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, cabendo à Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação a competência de desenvolver políticas de adaptação aos impactos causados pelas mudanças climáticas. Para agravar o problema tem o fato de que o principal responsável pelas negociações internacionais sobre mudanças climáticas, o chanceler Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, ser um negacionista climático e em pleno século 21 questionar o aquecimento global. Aparentemente o Meio Ambiente passou a ter papel secundário em toda a esfera diplomática (ISA, 09/01/2019).

Além disso, não bastou só desvincular o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) do MMA e integrá-lo ao MAPA, comandado pela representante ruralista Tereza Cristina, conhecida como “musa do veneno”, Bolsonaro indicou o ex-deputado ruralista Valdir Colatto de Santa Catarina, para chefiar o SFB (G1, 17/01/19). Colatto, que é o autor do Projeto de Lei que tenta liberar a caça de animais silvestres no Brasil, vai agora ser responsável pela implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e pela gestão das florestas púbicas do Brasil. Colocar um crítico do CAR e adepto à liberação da caça de animais silvestres para cuidar da proteção e recuperação das florestas, é o mesmo que colocar a raposa para cuidar do galinheiro.

As primeiras iniciativas do novo ministro do Meio Ambiente sinalizam um ministério sem causa, pois a principal ação até agora é a feroz busca para achar “pelo em casca de ovo”. Numa tentativa de controlar as atividades do terceiro setor, o ministro teve a sagacidade de determinar a suspensão da execução dos convênios e parcerias pactuados pelos Fundos Administrados do MMA, Ibama, ICMBio e JBRJ com as ONGs (G1, 16/01/2019). Em manifestação pública, o Observatório do Clima afirma que o ofício fere o princípio da legalidade e levanta, sem elementos mínimos de prova, dúvidas sobre a idoneidade da sociedade civil, o que é ilegal e inconstitucional (OC, 14/01/2019).

Aonde foram parar as agendas ambientais?
Quem tratará das suas políticas?
Quem fiscalizará o cumprimento das leis?
Quem fará cumprir os códigos e tratados?

A Advocacia Geral da União (AGU) pelo visto não exercerá papel algum nessa empreitada, afinal também entrou no jogo do “mestre mandou”, e foi rápida em anular, a pedido, a multa ambiental que o presidente tinha em seu nome por pescar em reserva ambiental onde a pesca é terminantemente proibida (O Eco, 09/01/2019).

Os efeitos negativos dos 17 primeiros dias do governo Bolsonaro já superam os erros cometidos ao longo dos mandatos por seus últimos quatro antecessores (Congresso em foco, 15/01/2019). Mas ele não age sozinho. O (des)governo inteiro não entende nem em teoria e nem em prática a necessidade e a urgência das agendas socioambientais.

Apesar de dados científicos revelarem, por exemplo, que o desmatamento na Amazônia aumentou 13,7% entre agosto de 2017 e julho de 2018, que perdemos 7.900 km² de floresta, e, que o resultado disso contribui para o iminente aumento da temperatura e a mudança óbvia dos ciclos de chuva (National Geographic, 08/01/19), as práticas do presidente eleito e sua equipe vão na contramão da ciência e não mencionam nenhuma política para zerar o desmatamento, acabar definitivamente com as queimadas e incêndios florestais, criar novas unidades de conservação, recuperar áreas degradadas, tornar a agropecuária mais sustentável, reduzir o uso de agrotóxicos, proteger as espécies ameaçadas da fauna e flora, combater a caça aos animais silvestres, cuidar dos recursos hídricos, combater a pesca predatória no mar e nos rios, fiscalizar os desmatamentos ilegais, homologar terras indígenas e usar os recursos naturais de maneira sustentável.

Para contrabalancear a falta de políticas, o que mais se vê é politicagem, nomeação de amigos e parentes para altos cargos públicos e alianças com o que existe de mais retrógrado da velha política no Congresso Nacional. A jornalista Eliane Brum foi precisa ao descrever o que significa transformar um ordinário em “mito” e dar a ele o Governo de um país (El Pais, 04/01/19).

 

Texto: Carolina Schaffer, publicado em Poesia Visual.

Aos Ativistas da Mata Atlântica

Aos Ativistas da Mata Atlântica

Este vídeo, dedicado aos ativistas da Mata Atlântica, é um agradecimento por tudo o que eles já fizeram em prol de sua proteção. É também um apelo para que fiquem vigilantes e continuem combatendo o desmatamento e a caça e promovendo a restauração deste bioma, que é moradia para mais de 120 milhões de brasileiros.

#AtivismoSim #praSCacontecer #MataAtlântica #Natureza#DesmatamentoNão #CaçaNão

A importância do Ministério do Meio Ambiente

A importância do Ministério do Meio Ambiente

Quero falar com vocês sobre a importância do Ministério do Meio Ambiente e a proposta do presidente eleito em fazer a fusão com o Ministério da Agricultura. O assunto tem estado na mídias nos últimos dias, com ida e vindas e não sabemos na verdade o que irá acontecer.

Essa fusão, que na prática significará a extinção do Ministério do Meio Ambiente, submetendo a agenda ambiental ao Ministério da Agricultura e a um ministro ruralista, é totalmente desastrosa e será uma tragédia para todos os brasileiros.

Os próprios agricultores e pecuaristas sérios, aqueles que já desenvolvem suas atividades com respeito ao meio ambiente, sofrerão barreiras não tarifárias e terão dificuldade de vender seus produtos para mercados consumidores que exigem respeito ao meio ambiente.

O desmatamento tende a aumentar em todo o Brasil com a diminuição da fiscalização e isso afetará a imagem do Brasil no exterior.

O Ministério do Meio Ambiente tem uma atuação muito pequena na agropecuária. Ele tem tudo a ver com biodiversidade, e o Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta, tem a ver com unidades de conservação e o Brasil tem mais de 80 milhões de hectares de parques e reservas terrestres, o equivalente 9 estados de Santa Catarina. e tem ainda 100 milhões de hectares de parque e reservas marinhas.

O Ministério do Meio ambiente tem tudo a ver com os recursos hídricos que abastecem as hidrelétricas as indústrias, a agricultura, e o Brasil tem o maior volume de água doce do planeta.

Tem a ver com turismo, com as cidades, com as questões do lixo e do saneamento básico, tem a ver com silvicultura, com a mitigação e adaptação às mudanças climáticas, com as energias renováveis…e com licenciamento de atividades potencialmente poluidoras em todos esses setores. Para você ter uma ideia, dos 2.800 processos de licenciamento que tramitam no Ibama, só 29 têm relação com agropecuária.

O Ministério tem a ver fiscalização de desmatamentos e queimadas e combate a caça…

Ou seja, o Ministério do Meio Ambiente tem tudo a ver com a minha, com a sua, com a vida de todos os brasileiros. Por isso ele não pode ser extinto e muito menos incorporado ao Ministério da Agricultura. E nós brasileiros e brasileiras precisamos exigir que o Ministério do Meio Ambiente continuei existindo e seja independente para poder cumprir bem o seu papel, que é garantir a vida e a qualidade de vida a todas as espécies.

Eu sou a Mata Atlântica e quero falar com você amigo ativista!

Eu sou a Mata Atlântica e quero falar com você amigo ativista!

Parque Nacional do Itatiaia. Primeiro Parque Nacional do Brasil, criado em 1937. #EspalheAmor #AtivismoSim

Olá…eu sou a Mata Atlântica, sou cheia de vida, produzo água, sombra e oxigênio para todos, inclusive os humanos. Presto meus serviços de graça, protegendo as encostas dos morros da erosão, as cidades das enchentes, produzindo alimentos, ajudando a controlar as pragas da agricultura e oferecendo espaços de lazer.

Resisti a 500 anos de usurpação e destruição provocada por seres humanos sem piedade, que ignoraram a minha beleza e importância. Minhas árvores foram arrancadas, cortadas, queimadas ou vendidas em nome do progresso. Progresso de quem?

Meus amigos animais foram caçados, aprisionados, ou morreram de fome por falta do alimento que eu fornecia.

Muitas das minhas árvores foram extintas, outras correm grande perigo. Muitas espécies de animais que conviviam comigo desapareceram para sempre, outras correm risco imediato de sumirem também. Sem os animais, muitas das minhas árvores, bromélias, orquídeas e outras espécies também correm perigo, porque são os animais que espalham ou plantam as sementes.

Eu estava prestes a desaparecer quando surgiram vocês, os ativistas – cientistas, ambientalistas, socioambientalistas, ecologistas, quilombolas, índios, amantes da natureza, professores – e disseram: É hora de dar um basta nessa irracionalidade. Isso não é progresso coisa nenhuma, isso não passa de ganância e maldade.

Foram vocês ativistas, com muita luta, suor e lágrimas, que há 30 anos me deram a primeira chance, escrevendo na Constituição Federal que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se, eu disse, IMPONDO-SE ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” e escreveram também que eu – a Mata Atlântica, junto com outros biomas – sou patrimônio nacional, e que a minha proteção será feita na forma da lei.

Em 1990 e 1993, conseguiram convencer os presidentes da época a assinar decretos para me proteger. Lutaram por 18 anos e em 2006 conseguiram aprovar a Lei da Mata Atlântica garantindo a minha proteção e proibindo o corte de minhas árvores mais nobres e ameaçadas de extinção.

Vocês, meus amigos ativistas, agiram de muitas formas: muitos lutaram para a aprovação das leis que me protegem; outros denunciaram desmatamentos e caça; outros coletaram sementes e plantaram árvores; outros ajudaram a criar parques e reservas e teve aqueles que criaram suas próprias reservas. Isso me deu a chance de voltar a crescer. Hoje minhas árvores são maiores e até já reocupei alguns espaços nos morros e margens de alguns rios.

Com todo esse esforço de vocês amigos ativistas o desmatamento que era de 107.000 hectares por ano em 1988 diminuiu quase 90%, para 12.000 hectares em 2018. Isso ainda é muito, são aproximadamente 20.000 campos de futebol e 36.000.000 de minhas árvores que tombam a cada ano.

Em nome da minha sobrevivente biodiversidade de plantas e animais quero agradecer profundamente a alguns abnegados ativistas, que já não estão entre nós, mas que muito me ajudaram a sobreviver: Jose Lutzenberger, Henrique Luís Roessler, Magda Renner, Giselda Castro, Augusto Carneiro, Lucia Sevegnani, Raulino Reitz, Roberto Miguel Klein, Tereza Urban, Ibsen Gusmão Câmara, Aziz Ab’Saber, Haroldo Palo Junior, Elizete Siqueira, Detinha Son, Rômulo Melo…

A todos os meus amigos e amigas ativistas que ainda estão aqui, mesmo sem citar nomes pois são muitos, agradeço imensamente pelo seu ativismo diuturno para me proteger contra os agressores e seus políticos de estimação.

Continuarei oferecendo um lugar de moradia, água e ar puro para mais de 120 milhões de brasileiros mas, diante de anunciadas ameaças, preciso, mais do que nunca, do trabalho ativista de todos, pois sei que sem a ajuda de vocês não vou sobreviver.

Fiquem vigilantes, façam a minha defesa, em todos os lugares, não deixem liberar o desmatamento e a caça. Eu e meus amigos animais precisamos muito de vocês, todos vocês. Estimulem também as crianças e os jovens a entrarem nessa luta pois em tempos de aquecimento global eles vão precisar muito dos meus serviços. Lembrem-se, o que acontecer comigo, acontecerá com a humanidade.

Ativismos SIM. Desmatamento e caça Não!

Textos e fotos: Wigold B. Schaffer e Miriam Prochnow

Pela DEMOCRACIA. Pela liberdade de discordar.

Pela DEMOCRACIA. Pela liberdade de discordar.

Hoje, 25 de outubro, se celebra o dia da democracia no Brasil. O momento não poderia ser mais emblemático. Esse dia foi escolhido devido a um episódio histórico: o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, no dia 25 de outubro de 1975. Herzog morreu numa sessão de tortura no DOI-CODI. A morte do jornalista provocou a primeira reação popular contra os excessos do regime militar de 1964, tornando-se um marco na luta pela redemocratização do Brasil.

E cá estamos, nas eleições de 2018. Infelizmente, o que está em jogo nesta eleição não é apenas a disputa de um projeto mais social ou menos social, mais ambiental ou menos ambiental. O que está em jogo é o próprio futuro do BRASIL como o conhecemos e ajudamos a construir. O que está em jogo é a DEMOCRACIA, a liberdade de ir e vir, a liberdade de expressão, a liberdade de cada um ser o que é.

Sempre defendi os princípios e direitos constitucionais ao meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações; direitos humanos para todos; direitos das minorias; estado laico; liberdade de expressão e de imprensa; liberdade religiosa; liberdade de associação e ativismo e, é claro, a democracia, sem a qual nenhum desses direitos é possível.

Por isso, neste segundo turno, por coerência e em respeito ao meu próprio histórico de lutas, não sem antes analisar o histórico de vida e as propostas dos candidatos, decidi votar em Fernando Haddad e Manuela D’Ávila.

Ressalto que nunca fui filiada ao PT. Quem conhece a minha história sabe que fui uma das fundadoras do PV em SC e mais recentemente da Rede Sustentabilidade. Também nunca trabalhei em qualquer governo do PT. Votei no Lula, mas nunca votei na Dilma. O PT tem um histórico de acertos e erros e ainda não fez uma coisa fundamental, uma autocrítica de sua atuação. A falta dessa autocrítica e os caminhos errados que escolheu trilhar nos últimos anos, foram responsáveis pelo afastamento de inúmeros quadros importantes, como o afastamento da própria Marina Silva. A questão é que nesse segundo turno estamos diante de uma situação muito mais complexa do que a mera disputa partidária. Estamos na iminência de perdermos nossa democracia e pelo menos isso, o governo do PT nunca afrontou.

Além disso, o Haddad tem experiência e não é maluco, foi um bom ministro da educação e um prefeito de São Paulo reconhecido internacionalmente por sua gestão inovadora e voltada para o bem-estar da população, principalmente na questão da mobilidade com ciclovias, corredores de ônibus e modificação do plano diretor para humanizar a cidade. Ele também já se comprometeu com metas ambientais e com o combate às mudanças climáticas.

Jornalistas, intelectuais, cientistas, ambientalistas do mundo todo alertam os brasileiros sobre os riscos de apoiar um candidato com ideias fascistas, sobre os riscos que esse candidato representa para a economia, o meio ambiente, a cultura, a ciência e tecnologia e para o futuro do Brasil. O mesmo ocorre aqui no Brasil, onde as pessoas que conhecem a história e prezam pela democracia, que muitos ajudaram a reconquistar com muito sangue, suor e lágrimas, também fazem esse alerta. Todas essas vozes lembram que o fascismo ou o nazismo, assim como outros regimes autoritários, na maioria das vezes começaram com o apoio de parte da população. Depois de instalados, tornaram-se autoritários e opressores e a história mostra quanto custou, mundo afora, essa insensatez.

Todos sabemos como foi difícil edificar cada tijolo dessa construção que levou o Brasil a respeitar minimamente o meio ambiente.

Cada avanço legal, cada palavra sobre meio ambiente escrita na Constituição Cidadã, a resistência para impedir retrocessos, cada nova UC criada, cada árvore plantada, cada instituição ambiental pública criada e implementada, cada acordo internacional duramente conquistado, cada ONG ambientalista criada com muito ativismo, suor e dedicação, cada conselho criado e as horas e dias dedicados às discussões democráticas nesses conselhos, e a Lei da Mata Atlântica e sua regulamentação que levou mais de 15 anos, cada trilha ecológica construída, cada palestra por um mundo melhor, mais solidário, mais inclusivo, mais respeitoso com todos os seres vivos. Tudo isso levou décadas. Essas conquistas foram “caras” e obtidas de forma progressiva, durante diversos governos.

O Bolsonaro declara abertamente que vai “acabar com todo e qualquer ativismo” e não vai demarcar 1 cm de terra indígena, que as UCs atrapalham o desenvolvimento da agropecuária, que vai fechar o Ministério do Meio Ambiente, que vai liberar a caça, que vai liberar o desmatamento na Amazônia e para facilitar o desmatamento, vai proibir o Ibama e o ICMbio de aplicarem multas, que vai tirar o Brasil do Acordo de Paris, além de defender a tortura e os torturadores.

As declarações, por si só, vindas de alguém que disputa a presidência da república, são devastadoras, incitam a violência, estimulam o desmatamento, estimulam o desrespeito a quem luta pelo meio ambiente e pela vida de todos os seres, estimula o ódio aos defensores e ativistas das causas ambientais e de direitos humanos.

Ou seja, meu voto, democrático, crítico e de oposição, é para Haddad e Manuela.

A que ponto chegamos… ter que batalhar pela liberdade de discordar.

 

Fotos da manifestação “Marcha a ré da Rio+20”, Rio de Janeiro, 2012.

Porque não voto em Bolsonaro

Porque não voto em Bolsonaro

Nestas eleições fui candidata ao Senado, pela Rede em Santa Catarina e fiquei extremamente feliz e agradecida com os votos que recebi. Com certeza temos uma onda de pessoas preocupadas com a sustentabilidade no estado.

Quando me perguntavam o porquê da minha candidatura, uma das coisas que eu respondia era porque eu entedia estar no meu melhor momento para assumir uma função dessas, para fazer ainda mais em prol do bem estar de todas as formas de vida. Trabalho na área socioambiental há mais de trinta anos e minha campanha foi baseada em propostas para o futuro. Para os desafios do século 21, que são muitos e de grande magnitude.

Sou mulher, mãe de duas filhas, ambientalista, pacifista, democrata e ativista. Esses elementos por si só já deveriam ser óbvios o suficiente para justificar a opção de não votar no Bolsonaro, afinal tudo o que ele representa não combina com isso. Mas a situação é ainda pior, porque as propostas que ele apresenta são todas de retrocesso, em todas as áreas, mas especialmente na área ambiental. As recentes manifestações de milhares de organizações socioambientalistas apontam claramente os perigos que a candidatura do Bolsonaro representa. É justamente na área ambiental que residem os maiores desafios para a sobrevivência da espécie humana. E falando em coisas óbvias, não custa lembrar que não é a natureza que depende da gente, nós é que dependemos dela.

Eu quero investir os próximos 30 anos ajudando a implantar as mudanças necessárias para a existência de uma sociedade sustentável e não batalhando para evitar ou reverter retrocessos, que vão custar caro para a humanidade. Meu voto, com consciência crítica, será no Haddad e na Manuela. No pior dos cenários, serei resistência. Começando agora. Denunciando ameaças que já estamos sofrendo, as quais repudio fortemente. Compartilho aqui texto do meu marido Wigold Schaffer. E aos amigos e familiares que votam no Bolsonaro, um lembrete: os ativistas que ele quer ver calados, somos nós.

 

#ativismoSIM #democraciaSIM #planteAMOR #MiriamProchnow #praSCacontecer
#EleNão #EleNunca #EleJamais #caixadoisdobolsonaro

As eleições e o clima

As eleições e o clima

No dia 8 de outubro de 2018, enquanto no Brasil ainda conferíamos o resultado da votação do primeiro turno das eleições; na Coreia do Sul, a ONU publicava o novo relatório especial do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática), que analisa os impactos de um aquecimento global de 1,5oC e, também, a possibilidade que temos de frear o aquecimento neste limite. Os cientistas alertam que o aquecimento acima deste patamar trará consequências profundas para a saúde e o bem-estar da Humanidade, e colocará ecossistemas e a biodiversidade em risco.

E o que isso tudo tem a ver com as eleições? Tem tudo a ver, porque vamos precisar de governantes verdadeiramente comprometidos com essa questão. Para evitar a catástrofe climática, as emissões humanas de dióxido de carbono terão que cair 45% até 2030, em relação aos níveis de 2010, e zerar até 2050. E isso só será possível com mudanças sem precedentes no estilo de vida das pessoas, na mudança dos modelos de produção e consumo e no desenvolvimento de tecnologias capazes de remover CO2 da atmosfera.

Considerando-se que temos 12 anos até 2030, não se trata de um desafio trivial.

Veja quais são as atividades que mais contribuem para a mudança do clima do planeta e onde teremos que fazer as mudança sem precedentes:

  1. A emissão de gases pela queima de combustíveis fósseis, como o carvão mineral e derivados de petróleo, para geração de calor, energia elétrica e para transportes;
  2. Atividades agropecuárias, em especial a criação de bovinos e o uso de fertilizantes nitrogenados;
  3. O desmatamento de florestas;
  4. O descarte de resíduos sólidos de maneira inadequada, como em lixões.

Por isso existem os acordos internacionais, como o Acordo de Paris, assinado em 2015 por 197 países que se comprometeram em lutar contra a mudança do clima, reduzindo as emissões dos gases de efeito estufa. Por isso também existem as metas de cada país. Se nossos governantes não estiverem comprometidos com esses acordos e metas, teremos chances mínimas de vencermos as adversidades climáticas.

Abaixo uma tabela do comprometimento dos dois candidatos a Presidência da República para o segundo turno das eleições 2018. Confira e vote em quem tem compromisso com a democracia e o futuro da humanidade.

A educação é o caminho para a transformação

A educação é o caminho para a transformação

Miriam Prochnow e Lilian Grankow, também professora, com uma turma de alunos da Escola Isolada Caminho da Estação em Ibirama (SC), em 1984. Foto: Acervo pessoal.

Hoje, dia 15 de outubro, Dia dos Professores, me inspirei a olhar para a minha trajetória como educadora…

Eu comecei a dar aula antes mesmo de me formar em Pedagogia. Dava aula durante o dia e estudava a noite. Fui professora de artes, ciências, filosofia, sociologia e inglês. Dei aula em escola pública e particular. Para o primário, o antigo ginásio (hoje ensino fundamental) e para o ensino médio. Depois me especializei em Ecologia e passei a atuar como educadora ambiental, ministrando palestras para diferentes setores da sociedade e orientando estudantes, agricultores, servidores públicos e outros professores.

Ser educadora é um objetivo que me acompanha até hoje porque sei a importância que a educação de qualidade têm na vida de uma pessoa e no futuro de um país. O desenvolvimento social e econômico do Brasil e a igualdade de oportunidades só serão alcançados com a garantia de que [email protected] tenham acesso à educação de qualidade.

Como diz Marina Silva, é preciso estabelecer uma ponte entre o Brasil do presente e do futuro. Para isso é imprescindível um esforço emergencial para enfrentar a escassez crescente de trabalhadores qualificados em áreas estratégicas, que caracteriza um verdadeiro apagão de capital humano. A superação dessa situação se dará pelo investimento intensivo em todos os níveis da educação formal, pela ampliação do acesso às tecnologias e pelo desenvolvimento de outros espaços de aprendizagem.

A educação deve ser prioridade política e orçamentária de um governo. Num mundo em constante transformação é necessário atualizar e adaptar a educação para fazer frente aos novos desafios que se apresentam. Professores devem ser valorizados e remunerados adequadamente para serem protagonistas do ensino de qualidade.

Mais do que uma profissão, ser professor é uma vocação, uma verdadeira missão, que implica em dedicação, capacitação e entrega. Professores fazem a diferença na vida das pessoas e por isso merecem nosso respeito e nosso apoio. Disso depende o futuro sustentável do Brasil, para que sejamos um país que cultiva a paz e o amor, que seja justo, democrático e livre. Nossas crianças e jovens não precisam de armas, precisam de livros.

A importância do ativismo no Brasil

A importância do ativismo no Brasil

Eu sou ativista. Segundo o dicionário, ativista é a pessoa que trabalha de modo ativo por uma causa e ativismo é a transformação da realidade por meio da ação prática.

Eu sou ativista ambiental. Minha causa é o bem comum, é a conservação da natureza, da qual [email protected] somos dependentes. Da qual depende a sobrevivência da espécie humana. Meu lema sempre foi “boca no trombone e mão na massa”, denunciando as agressões ao meio ambiente, mas dando exemplos de como as coisas podem ser feitas de forma sustentável e com diálogo.

Nos meus mais de 30 anos de ativismo, encontrei milhares de pessoas que também abraçaram a causa e por conta disso conseguimos inúmeros avanços que garantem qualidade de vida para [email protected] e a proteção mínima da biodiversidade. Já recebi inúmeros prêmios de reconhecimento.

Mas também por conta do meu trabalho, já sofri muitas ameaças, inclusive de morte, fui perseguida e até agredida, física e moralmente, por aqueles que se acharam no direito de impedir que a guerreira verde trabalhasse pelo bem comum.

Pelo meu histórico, pela minha vida, digo que ativismo não é opção, é urgência. O Brasil precisa de ativistas e não o contrário. O Brasil precisa de democracia. O Brasil precisa de inclusão e respeito à diversidade. O Brasil precisa de amor e comprometimento. Por isso, para tudo que ferir a minha existência, eu serei resistência.

Brasil urgente, ativismo sempre.

Miriam Prochnow esteve no V Congresso Brasileiro de RPPNs

Miriam Prochnow esteve no V Congresso Brasileiro de RPPNs

Ontem, dia 26 de julho, foi a cerimônia de abertura do V Congresso Brasileiro de Reservas Particulares do Patrimônio Natural. Realizado pela Associação dos Proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural de Santa Catarina (RPPN Catarinense), com apoio da Confederação Nacional das RPPNs (CNRPPN), o evento acontece em Florianópolis e vai até o dia 29 deste mês.

O principal objetivo do congresso é debater a importância do setor privado na conservação da biodiversidade e o futuro da única categoria de Unidade de Conservação do Brasil de iniciativa particular, as RPPNs.

Miriam Prochnow esteve ao lado de outros proprietários de RPPN no painel de discussão sobre RPPNs coorporativas e instituições apoiadoras contando um pouco mais sobre as atividades desenvolvidas na RPPN Serra do Pitoco, da qual é proprietária junto com o seu marido, Wigold B. Schäffer.

“As RPPNs ja são uma realidade no Brasil e temos um potencial enorme de criar muitas mais, ampliando a contribuição das reversas privadas na conservação ambiental. Criamos a nossa em 1997 e ela já foi palco de muitas atividades de educação ambiental e recreação junto à natureza”, afirma Miriam.

A RPPN Serra do Pitoco

Criada pela portaria Ibama 40/97, de 30 de abril de 1997, a RPPN abriga um pequeno, mas importante remanescente de Mata Atlântica, numa região de transição entre a Floresta Ombrófila Mista e a Floresta Ombrófila Densa. É abrigo para inúmeras espécies animais. Fica na comunidade de Alto Dona Luiza, no município de Atalanta. É atravessada pelo Rio Dona Luiza e tem uma cachoeira de 10 metros de altura.

A RPPN tem 3ha e a propriedade onde está localizada foi utilizada como modelo para o conceito de Propriedade Legal (legal porque cumpre a lei e legal por ser um bom lugar de morar).

Cachoeira da RPPN Serra do Pitoco, e Atalanta – SC.

Guia das RPPNs de Santa Catarina

Durante o cobresso foi lançado o Guia das RPPN de Santa Catarina, uma publicação que pretende divulgar as Reservas Particulares do Patrimônio Natural de Santa Catarina. Através de fotos e textos descritivos o guia apresenta as reservas que fazem parte da Associação RPPN Catarinense, bem como as demais RPPNs do estado, dando à esta categoria de Unidade de Conservação uma maior visibilidade e tornando as reservas mais conhecidas e valorizadas.

Você pode acessar a publicação aqui: Guia das RPPNs de Santa Catarina.

Lançamento do Guia das RPPNs de Santa Catarina.

Jardins e Sustentabilidade

Jardins e Sustentabilidade

Jardins tem tudo a ver com sustentabilidade: são espaços que trazem qualidade de vida para as pessoas. Tornam as casas e cidades locais agradáveis para viver.

O plantio de árvores nos jardins também é fundamental. Elas oferecem sombra para tomar um chimarrão, para as crianças brincarem, para colocar um balanço ou uma rede, um local para reuniões.

Os jardins também podem contribuir com a manutenção da biodiversidade. O plantio de espécies nativas, com diferentes épocas de floração e frutificação disponibilizam alimento para pássaros e borboletas, podendo ser mais um espetáculo a ser admirado.

Um belo jardim também pode ser um atrativo para o turismo ecológico e rural, que é uma opção cada vez mais procurada por pessoas que vivem em grandes cidades. Passear por belos jardins é um dos primeiros passos para as pessoas se aproximarem da natureza.

Semana do Alimento Orgânico

Semana do Alimento Orgânico

Estamos na semana do alimento orgânico. É um momento importante para pensarmos sobre o que consumimos, sobre o que comemos, porque alimento orgânico significa saúde. Saúde para quem planta, saúde para quem consome, saúde para o planeta.

A melhor forma de estimular a produção de alimentos orgânicos é consumir produtos orgânicos. Quanto maior for a demanda, maior será a oferta. Está mais do que provado que é possível produzir de forma orgânica, não somente em pequenas propriedades, mas também em larga escala.

É importante sempre saber de onde o alimento está vindo e para isso o sistema orgânico tem os processos de certificação. Então procure sempre produtos com selo de certificação. Eles são a garantia de que você está comprando um produto idôneo.

E você também pode plantar os seus alimentos, ou parte deles. Como nós fazemos aqui. Mesmo num espaço pequeno é possível plantar alimentos para uma salada, um chá, um tempero e também flores, por que não?

E então? Vamos abraçar a ideia do alimento orgânico?

Miriam fala sobre a semana do alimento orgânico.

 

Mata Atlântica, um ícone da luta ambiental no Brasil

Mata Atlântica, um ícone da luta ambiental no Brasil

A luta pela defesa da Mata Atlântica é um dos ícones da luta ambiental no Brasil. Foi a Mata Atlântica que recebeu os colonizadores e desde então tem sofrido com o processo de crescimento econômico do país, que nada tem a ver com desenvolvimento sustentável.

É inegável que o trabalho dos ambientalistas em prol de sua proteção e restauração tem obtido sucesso. Hoje temos uma legislação robusta, que é respeitada. A Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428/2006), sancionada após 14 anos de tramitação, é uma lei que “pegou”. As pessoas sabem que precisam respeitar.

A Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE apontam que hoje restam apenas 12,4% de remanescentes florestais na Mata Atlântica em áreas acima de 3 hectares e somente cerca de 8% são remanescentes acima de 100 hectares, aquelas áreas mais bem conservadas e que incluem os parques e reservas. Os dados também mostram que houve uma redução de 64% no desmatamento do bioma após a aprovação da Lei 11.428/2006, passando de uma média de 34.313 ha desmatados em 2006 para 12.562 ha em 2017. Apesar de ainda elevado em alguns estados (PI, MG, BA e PR somam 82% de todo o desmatamento), a queda do desmatamento nos outros 13 estados inseridos na Mata Atlântica é superior a 90%, indicando a eficácia da lei.

Os índices de forma geral, ainda não são os melhores, porque apesar de podermos comemorar a queda do ritmo de desmatamento, ainda temos desmatamentos acontecendo, o que é inaceitável. Mesmo que hoje por exemplo, 7 estados praticamente zeraram seus índices. Além disso, são pouquíssimos os remanescentes que apresentam vegetação primária, que nunca foi mexida.

A maioria dos remanescentes existentes são compostos por florestas de onde foram retiradas todas as árvores grandes das espécies nobres ou então florestas em regeneração, onde as espécies nobres ainda não chegaram. Outra grande preocupação é o que chamamos de síndrome da floresta vazia, que são as florestas sem os animais. Ou seja, são poucos os atuais remanescentes capazes de manter a vida de animais de médio e grande porte. Sem falar na caça, que ainda existe e na verdade com tendência a aumentar, visto que existe um lobby para a sua liberação, inclusive através de projeto de lei na Câmara Federal.

Iniciativas para autorizar desmatamento ou destruição do pouco que restou da Mata Atlântica são recorrentes por parte de alguns parlamentares e também de setores do governo de estados como Santa Catarina e Paraná, que muitas vezes ignoram a Lei da Mata Atlântica ou buscam subterfúgios para burlar as diretrizes por ela estabelecidas. Essas iniciativas vem sendo barradas com a intervenção da sociedade civil organizada, do Ministério Público e do Judiciário. A exemplo da Lei Estadual nº 15.167/2010, que permitia o corte e exploração comercial da floresta com araucárias, foi declarada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Igualmente, a recorrente prática da Secretaria do Meio Ambiente e do Instituto Ambiental do Paraná que vinham autorizando ilegalmente o corte e exploração de araucárias foi barrada por intervenção do Ministério Público do Paraná.

No caso da Floresta com Araucária, sua espécie símbolo, o pinheiro-brasileiro (Araucaria angustifolia), foi tão explorada e reduzida que hoje sofre as consequências de uma forte erosão genética, conforme apontam diversos estudos científicos. O fenômeno é causado pela falta de conexão entre os poucos remanescentes naturais da floresta. Quando as espécies encontram muitos obstáculos para se comunicar e enviar o pólen de um fragmento ao outro, acontece a endogamia, que é o cruzamento com exemplares que tem parentesco entre si. Isso diminui drasticamente a variabilidade genética da floresta. A tendência dessa situação é que algumas populações de araucária, desprovidas de certos atributos genéticos, enfrentem sérias dificuldades para se adaptar mesmo em seus ambientes de origem, podendo até ser extintas.

Não é por acaso que as espécies mais exploradas da floresta com araucárias como o pinheiro-brasileiro, a imbuia (Ocotea porosa), a canela-sassafrás (Ocotea odorifera) e o xaxim-mono (Dicksonia sellowiana), estão na lista das espécies ameaçadas de extinção. Somente a proibição da exploração e a conservação dos ecossistemas podem minimizar a perda genética.

Por outro lado, é notório que a restrição à exploração comercial das espécies madeireiras, que já perdura há mais de 10 anos, está dando uma chance para a Mata Atlântica iniciar um lento processo de recuperação de sua estrutura e biodiversidade. Essa recuperação deve ainda levar décadas em razão do reduzido percentual de remanescentes espalhados em milhares de fragmentos isolados e, a maioria deles, altamente degradados por exploração madeireira predatória no passado.

Portanto, além de não haver qualquer amparo legal, iniciativas para reabrir manejo, exploração ou corte de espécies nativas da Mata Atlântica não possuem nenhuma justificativa técnico/científica dado a reduzida área remanescente do bioma e a situação limite, em termos de viabilidade ambiental, de suas espécies vegetais, muitas delas submetidas a acelerada erosão genética.

Outro fato preocupante é que ainda existe uma visão de que a Mata Atlântica é somente floresta e muitos acham que só precisam respeitar as florestas. Aí os ecossistemas como as restingas, manguezais e campos de altitude ficam desprovidos dessa preocupação de proteção por parte de parcelas da sociedade. Nos estados do Sul os campos de altitude tem sofrido muito e sua conservação está por um fio. Estão ameaçadíssimos. Para piorar a situação, tramita no Senado Federal, um projeto de lei (PL 194/2018) que pretende tirar os campos nativos da proteção legal da Lei da Mata Atlântica. Essa iniciativa precisa ser combatida fortemente e com urgência.

Apesar de fragilizados, os remanescentes de vegetação da Mata Atlântica desempenham ainda importantes funções ecológicas e fornecem serviços ambientais essenciais para aproximadamente 140.000.000 de brasileiros. A conservação da Mata Atlântica e sua restauração é extremamente importante para a qualidade de vida de 70% dos brasileiros que dependem da água protegida pelos  remanescentes. Além disso, os remanescentes são essenciais para a manutenção da biodiversidade, a amenização do clima e a proteção contra os desastres ambientais. Do ponto de vista climático, a Mata Atlântica também tem um grande destaque porque as ações de restauração e regeneração significam números valiosos na questão de sequestro de carbono.

O que mantém a nossa esperança é que o contingente de pessoas que estão plantando árvores, para restaurar florestas aumenta a cada dia. Somos um grande time de plantadores de florestas. E plantadores de florestas são pessoas felizes, que não param de plantar. Que já fazem a diferença e ainda irão fazer muito mais. Também cresce a cada dia o número de pessoas que realmente conservam os remanescentes de vegetação nativa em seus imóveis, pois já entenderam que eles são importantes para as atividades econômicas, seja na agricultura, pecuária ou indústria.

Temos muito a fazer em termos de restauração, mas também ainda temos muito a fazer em termos de conservação da Mata Atlântica, porque ainda temos muitas áreas a serem protegidas. Estamos longe de atingir os índices da convenção da diversidade biológica que exige no mínimo 17% de áreas em Unidades de Conservação. Na Mata Atlântica, excluídas as APAs, temos menos de 3% em UCs.

Eu acredito que a Mata Atlântica ainda irá contribuir muito para a virada da sustentabilidade. Se levarmos em conta que pessoas em contato com a Natureza, são pessoas que tem uma visão diferente do mundo e que mais de 70% da população brasileira vive na Mata Atlântica, esse é um dos caminhos que temos que seguir. Estimular as pessoas a conviverem mais com a natureza e simplificarem o seu modo de vida, sendo mais saudáveis e felizes.

Natureza: Parques e Reservas

Natureza: Parques e Reservas

Neste dia 27 de maio – Dia da Mata Atlântica – apresentamos, com o apoio da Rede de ONGs da Mata Atlântica, o vídeo “Natureza – Parques e Reservas Naturais”, que reúne imagens espetaculares de parques e reservas naturais do Brasil e de outros países. A apresentação é da ambientalista Miriam Prochnow, fundadora da Apremavi. O vídeo conta com a participação do Prof. e ambientalista Lauro Eduardo Bacca, fundador da Acaprena e do Prof. e ambientalista João De Deus Medeiros, coordenador geral da Rede de ONGs da Mata Atlântica.

Os parques e reservas naturais prestam importantes serviços ambientais. Ajudam a regular o clima, a abastecer os mananciais de água, a melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Em todo o mundo as unidades de conservação, também chamadas de parques e reservas naturais, são a forma mais efetiva de proteger e preservar a natureza e sua biodiversidade, com todas as formas de plantas e animais e também a beleza dos ecossistemas no longo prazo.

O ritmo da vida moderna tem nos afastado do mundo natural, abrindo espaço para sentimentos negativos, tristezas e stress.

Por isso, proteger a biodiversidade, combater as mudanças climáticas, preservar a água e erradicar da miséria, são os principais temas com os quais a humanidade deve se preocupar, para garantir condições dignas de sobrevivência às futuras gerações.

Edição do Vídeo: Wigold Schaffer.

Santa Catarina tem mais uma RPPN

Santa Catarina tem mais uma RPPN

Miriam Prochnow, proprietária da RPPN Serra do Pitoco, participou, no dia 14 de abril de 2018, da inauguração da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Papagaios de Altitude, em Urupema (SC). A solenidade ocorreu no auditório do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Após o evento, todos foram até a reserva natural para uma interação entre amigos, realizando uma trilha interpretativa dos diferentes ambientes que a reserva natural preserva. A área, de 36 hectares, que está sob responsabilidade da Associação Amigos do Meio Ambiente (AMA) em parceria com a Universidade de Passo Fundo (UPF) e o Projeto Charão, estará aberta para atividades educativas e de pesquisa.

O nome “papagaios-de-altitude” foi escolhido pelo fato de que, na região, encontram-se as duas espécies de papagaios que o projeto pesquisa e atua em sua conservação, que são o papagaio-charão e o papagaio-de-peito-roxo, e que mantêm uma forte interação com as araucárias. A Floresta com Araucárias, sua rica biodiversidade, a exemplo do Papagaio-de-peito-roxo, e o Papagaio-charão contam com mais uma ação para garantir sua sobrevivência!

Conforme o professor da UPF Jaime Martinez, que coordena o Projeto Charão, um dos motivos que levou a equipe a optar por essa área é decorrente do fato de ela localizar-se dentro da área que o papagaio-charão utiliza quando migra para Santa Catarina em busca do pinhão. “Escolhemos essa área também pela grande quantidade de pinheiros que preserva, com objetivo de garantir um estoque estratégico de alimento para os papagaios que voam centenas de quilômetros desde o Rio Grande do Sul em busca desse recurso alimentar”, comenta. “A RPPN Papagaios-de-Altitude apresenta uma parte da área com cobertura de floresta com araucária, áreas com predominância do xaxim e áreas abertas com campos localizadas a uma altitude de 1.450 metros em relação ao nível do mar, onde existe uma ampla turfeira cobrindo os afloramentos rochosos”, descreve Martinez.

Para Miriam, poder celebrar a criação de mais uma RPPN foi um momento importantíssimo para a conservação da biodiversidade. Como proprietária de reserva particular, ela sabe da importância das RPPNs para o bem-estar de todas as formas de vida.