Miriam Prochnow: três décadas de luta em defesa do meio ambiente e da vida

Miriam Prochnow: três décadas de luta em defesa do meio ambiente e da vida

Ela é uma das mais aguerridas ambientalistas brasileiras. Muito jovem, fundou com seu marido, Wigold Schäffer, a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), no Alto Vale Itajaí, interior de Santa Catarina. Isso foi nos anos 1980, quando caminhões madeireiros eram fáceis de encontrar nas estradas da região, levando embora as florestas de araucárias que, por muito pouco, não sucumbiram totalmente. A atuação de Miriam à frente da associação e de várias outras organizações, como a Rede de ONGs da Mata Atlântica, da qual foi coordenadora geral por quatro anos, teve muito a ver com essa reversão de expectativa.

O trabalho da pedagoga e ecologista de 55 anos, fosse denunciando e fazendo campanhas, educando, informando e plantando árvores, ou atuando politicamente e empreendendo articulações, colaborou para que a Mata Atlântica seja, hoje, o único bioma brasileiro a ter uma lei específica e sua recuperação, em que pese as atuais forças em contrário, esteja em curso.

Ela também foi secretária-executiva do Diálogo Florestal Brasileiro, articulação entre empresas ligadas à área de papel de celulose e a sociedade civil, que ajudou a transformar o setor em referência mundial em produção com respeito ao meio ambiente. Também foi uma das idealizadoras do Centro de Apoio Socioambiental, cujo objetivo é apoiar pequenas organizações com potencial para fazer a diferença em prol de um desenvolvimento mais justo e sustentável no país, como foi a Apremavi.

Miriam fez tudo isso enfrentando as dificuldades que ativistas na linha de frente sofrem no Brasil. Perseguições e ameaças de morte foram uma constante em sua vida e na de Wigold. Os dois precisaram apelar à Anistia Internacional e ao Ministério Público Federal para que tivessem proteção policial. Mesmo reconhecidos internacionalmente, os tempos difíceis parecem estar de volta para eles. Em 2013, Wigold foi baleado na mão por um caçador que invadiu a propriedade do casal. E, desde o final do ano passado, ameaças voltaram a ser feitas a Wigold, agora via WhatsUpp.

Conheci Miriam em 1993, quando fui contratada para desenvolver a área de comunicação da Rede de ONGs da Mata Atlântica, que acabava de ser criada. Ela era uma das coordenadoras. Desde então, acompanho sua trajetória, marcada por um idealismo incondicional, que se estende por toda a família, inclusive as filhas, Carolina e Gabriela, que sempre encararam como privilégio dividir os pais com causas ambientais. No ano passado, eles me convidaram para escrever o livro em celebração aos 30 anos da Apremavi e tive o privilégio de conhecer ainda mais de perto o ativismo e as realizações do casal.

Nesta entrevista – que inaugura o blog Mulheres Ativistas, aqui, no Conexão Planeta – Miriam fala sobre seus propósitos e motivações. Para ela, o ativismo é cada vez mais necessário para conter as ameaças à democracia que rondam o país e, sobretudo, as ameaças climáticas, que podem comprometer o futuro em todo o mundo. Como mulher, ainda acrescenta a defesa de causas específicas como garantir a participação política feminina e o direito de assumir seus cabelos brancos.

Quando você começou a se ver como ativista?

Lembro que, quando era criança, tinha uma ligação muito forte com animais. Sempre ficava apreensiva quando via bicho doente, abandonado, mas não tinha poder nenhum, a não ser chorar, me indignar e ficar triste. Uma das primeiras ações que realizei foi uma greve de fome ao ver meu pai chegar em casa com um bicho que acabara de caçar. Nunca concordei com isso, mesmo que na época fosse comum. Disse que não iria comer. Insisti tanto que ele parou de caçar.

Meu pai também tinha atuação comunitária muito forte, foi fundador de clubes, associações da cidade, e minha mãe sempre se mostrou atenta a quem precisava e doava alimentos que plantava ou que não consumíamos.

Cresci vendo a importância da interação e da colaboração com a comunidade.

Na época da escola, já me indignava com injustiças. Diziam que eu era a defensora dos fracos e oprimidos. Fiz parte da Comissão Municipal de Saúde, ainda no ensino médio, quando fazia visitas à comunidade. A debandada para o ativismo ambiental veio quando eu e Wigold nos casamos e fomos morar em Ibirama, cidade onde o desmatamento da Mata Atlântica era flagrante. Era uma jovem adulta quando defini que isso pautaria minha profissão.

Como essa decisão se concretizou?

Criamos a Apremavi e fui sua primeira presidente. Ainda dava aulas, mas rapidamente percebemos que, para fazer um bom trabalho, precisaria me dedicar em tempo integral. Nos primeiros cinco anos, fui voluntária, até conseguirmos ter um orçamento e eu me tornar a primeira funcionária da organização.

Fui contratada como ecologista. Não sei dizer se mais alguém foi contratado com esse cargo no país. A partir daí, o próprio lema da Apremavi – boca no trombone e mão na massa – me norteou. Sempre achamos que é necessário fazer denúncias, atuar com enfrentamentos, mas mostrando como as coisas têm que ser feitas. Acho que ativismo é isso: mostrar o que precisa mudar e oferecer alternativas. A Apremavi nasceu no meio do nada e, hoje, é referência nacional e internacional por conta dessa forma de atuar.

Alguma vez sentiu dificuldade à frente da ONG por ser mulher?

Ser mulher traz dificuldades, mas acho que, desde o começo, consegui impor respeito, sempre respondi à altura. Sou competente no que faço e trabalho para o bem comum, não tem como me desqualificar. Não significa que foi fácil.

Até hoje, publico textos no meu perfil pessoal (fechado) e no de figura pública (totalmente aberto) e convivo com comentários que me dizem que ‘agora vai acabar a mamata’. Não sei em que mundo essas pessoas vivem e me indigna, depois de 30 anos de trabalho, ver esse tipo de comportamento.

Também participei de reuniões onde era a única mulher entre mais de 30 homens. Mas não fiz tudo sozinha, tenho minha família, o Wigold, que é parceiro no ativismo, tão ativista quanto eu, minhas filhas, um núcleo de amigos, o pessoal da Apremavi.

A gente precisa se cercar de pessoas com missão e ideais parecidos. Sem isso, nada vai para frente. Ativismo ambiental envolve assuntos desagradáveis, como desmatamento, caça, poluição. E somos uma ameaça porque ser contra a destruição do bem comum bate de frente com o status quo. Tem que ter de onde se alimentar energeticamente para poder continuar.

E como está o ambientalismo, hoje, com tantos retrocessos e a perseguição oficial às ONGs?

Eu e Wigold chegamos a pensar, pouco antes disso tudo começar a acontecer, que tinha chegado o momento de nos retirarmos da linha de frente, diminuir nossas atividades, escolher o que mais gostávamos de fazer, trabalhar mais no jardim, viajar… Aí, a conjuntura caiu nas nossas cabeças e concluímos que este momento ainda não chegou.

A situação está tão complicada que, para mim, é claro que ativismo e mobilização são a primeira coisa da lista. Então, voltamos ao que fazíamos há 30 anos: trabalhos de educação ambiental com professores, palestras, apoiando fortemente um grupo de jovens em Atalanta, produzindo conteúdo para redes sociais…

Um trabalho especial para o engajamento de jovens em mobilizações pelo clima é uma das prioridades. Também voltamos a áreas que foram reflorestadas com programas da Apremavi e temos tido surpresas maravilhosas com as pessoas que plantaram florestas. Elas estão super engajadas e comprometidas, defendem a Ciência, combatem mentiras, alertam pessoas de que precisam buscar o compromisso com a verdade e se comprometer com a comunidade… Temos feito alguns movimentos e estamos vendo como intensificar cada um deles.

Não temos muito tempo para articular porque o ponto de inflexão precisa ser rápido, antes que seja tarde. A democracia e a garantia de direitos estão ameaçadas no Brasil e, por conta da crise ambiental, temos um grande risco mundial. Por isso o ativismo não pode se aposentar.

Como o ativismo, seu e de Wigold, influenciou suas filhas?

Creio que aconteceu de maneira natural. Por nos envolvermos com essas questões o tempo todos e também por elas terem passado por situações difíceis como as ameaças de morte que sofremos. E, desde o ano passado, isso voltou a acontecer com o Wigold, pelo WhatsAp.

A Carolina trabalha na área ambiental e a Gabriela com saúde, muito ligada ao parto humanizado, ao empoderamento feminino e aos direitos LGBT.

Acredita que os jovens estão motivados para serem ativistas?

Acabo de voltar de um congresso da IUCN – International Union for Consevation of Nature no Paraguai e a abordagem, hoje, é se trabalhar intergeracionalmente, ou seja, estimular que a juventude participe, que mais mulheres participem, os mais velhos… Para eles, a visão intergeracional de colaboração, troca de saberes, é fundamental para prosseguirmos.

Em sua trajetória, você também atuou na política. Por que seguiu esse caminho?

Fui uma das fundadoras do Partido Verde (PV), em Santa Catarina. Em 1988, em Ibirama, participei da primeira chapa formada apenas por mulheres no país: eu era candidata à prefeita e a vice também era mulher. Na época, a Folha de S. Paulo fez uma reportagem sobre isso. E o Wigold foi candidato a vereador.

Novamente, percebemos que precisávamos dedicar mais tempo à Apremavi, mas o envolvimento com a política e o partido continuou existindo, com menos intensidade, não como candidatos.

Só que eu já tinha sido conquistada pela vida política e não teve jeito: em 2010, ainda pelo PV, atendi a um pedido da Marina Silva para criar um grupo de apoio à sua candidatura à presidência e me candidatei à deputada federal. Em seguida, fui uma das fundadoras da Rede Sustentabilidade no estado e, em 2018, me candidatei ao Senado.

Percebi que isso também é ativismo, porque sem mudar a política institucional, não se muda mais nada. Estamos vendo a diferença que fazem os deputados e senadores comprometidos, mesmo que sejam poucos. E a Rede elegeu a primeira deputada federal indígena da história do Brasil, que tem feito grande diferença e apoiado muito bem a causa: em abril, relançou a Frente Parlamentar dos Povos Indígenas.

Você aderiu aos cabelos grisalhos e fala disso como uma causa. É isso?

Participo da onda prateada, assumindo meus cabelos brancos, paulatinamente, nos últimos anos. A maioria das pessoas me vê com outros olhos – acham que tenho 80 anos -, ao mesmo tempo que acham bacana e passam a enxergar um outro ponto estético.

É fato que cada vez mais mulheres assumem essa característica do envelhecimento, mas ainda são poucas. É um momento libertador, mas algumas mulheres ainda não aceitam. Homens também.

Fora do Brasil, esse movimento é maior. E ainda tem um detalhe: as que aderem são mulheres mais ligadas mais à natureza, ao que é natural, ao bem-estar. Sim, também é uma forma de ativismo.

 

 

Autora: .
Fonte: Conexão Planeta.

Manifesto dos Ambientalistas sobre Brumadinho

Manifesto dos Ambientalistas sobre Brumadinho

Os ambientalistas estão sempre alertas aos retrocessos ambientais. Há muito tempo estamos chamando a atenção para a gravidade da situação no país e temos trabalhado duro, muitas vezes sofrendo ameaças, para que principalmente as próximas gerações, tenham uma oportunidade de sobrevivência e com qualidade de vida. Infelizmente o engajamento da sociedade em geral não condiz com a urgência e a necessidade colocadas.

A gestão Dilma/Temer protagonizou retrocessos ambientais enormes, cujas consequências estão sendo sentidas. A gestão atual, em menos de um mês, destroçou a área ambiental federal ainda mais. Um exemplo é ter colocado no comando do ministério do Meio Ambiente uma pessoa condenada por improbidade administrativa, por beneficiar mineradoras. Isso sem falar no discurso anti ambiental que tem sido a tônica desde a campanha. Infelizmente não fica só nisso e existem vários artigos já publicados que falam da gravidade dos retrocessos produzidos somente nestes primeiros dias de governo. Sugiro fortemente a leitura dos mesmos.

Brumadinho, infelizmente, talvez seja o choque de realidade que o atual presidente e seus eleitores tenham que sentir para rever seus conceitos e de fato entender que com meio ambiente e vidas não se brinca. Eu realmente gostaria de ver todos eles cobrando do presidente ações efetivas neste sentido. Da minha parte vou continuar com meu compromisso por um Brasil sustentável.

Aproveito para divulgar e endossar o manifesto da Associação Mineira de Defesa do Ambiente, a Amda, na qual trabalham [email protected] de longa data, [email protected] de #AtivismoSim.

 

17 dias de desgoverno ambiental

17 dias de desgoverno ambiental

Muito antes de assumir o governo, o presidente eleito já anunciava sua desafinidade com a área socioambiental. Ainda em novembro de 2018, ao retirar a candidatura do Brasil para sediar a COP-25 (Greenpeace, 28/11/18), ele dava os sinais do retrocesso na agenda ambiental e da vergonha que o Brasil passaria, perante o mundo, no seu governo.

Dito e feito. Infelizmente!

Os 17 primeiros dias do governo Bolsonaro indicam que todas as promessas de desmonte da área ambiental e social feitas na campanha estão sendo implementadas. Durante a campanha os seguidores mais fanáticos do candidato chegavam a dizer “não se preocupe, ele não vai fazer isso”, “ele fala assim apenas para ganhar votos”. Avisos não faltaram, mesmo assim muita gente resolveu se iludir. Alguns já se arrependeram mas até agora só se passaram 17 dias de uma gestão que promete ser desastrosa para todos os brasileiros, inclusive os que nele votaram. Os retrocessos já implementados ou anunciados serão sentidos na pele pelas gerações vindouras.

Primeiro, ainda durante o período de transição, anunciou a extinção do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Depois, que ele seria fundido com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A sociedade reagiu, inclusive a parte moderna do setor agrícola, e, num jogo de cena, ele voltou atrás. Na prática, manteve o MMA, mas promoveu seu fatiamento e o desmonte por dentro. Sob o comando de um condenado por fraude ambiental (El Pais, 09/12/18), o MMA não apenas perdeu poder político, mas está agora subordinado a interesses econômicos e a outras áreas da administração (ISA, 07/01/19).

A transferência da Agência Nacional de Águas (ANA) do MMA para o Ministério do Desenvolvimento Regional, junto com a competência sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos (Decreto 9.666/2019), muito além de regionalizar as demandas, mostra a influência que a bancada ruralista tem sobre o governo (Direto da Ciência, 03/01/19). Essa transferência também ignora os conflitos na gestão da água com relação a questões energéticas, comunidades tradicionais e a biodiversidade aquática.

A retirada da identificação, delimitação, reconhecimento e demarcação das Terras Indígenas das funções da Fundação Nacional do Índio (Funai) e a transferência do órgão para o MAPA (MP 870/2019), sinalizam o descaso que a gestão tem com os povos originários e tradicionais e demonstra a lógica que será adotada com os temas fundiários, como a reforma agrária e a regularização fundiária na Amazônia Legal e nos territórios tradicionais (Greenpeace, 07/01/2019)

Uma agenda que foi relegada a escalões secundários foi a de clima. Na nova estrutura do MMA restou apenas o Comitê Gestor do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, cabendo à Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação a competência de desenvolver políticas de adaptação aos impactos causados pelas mudanças climáticas. Para agravar o problema tem o fato de que o principal responsável pelas negociações internacionais sobre mudanças climáticas, o chanceler Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, ser um negacionista climático e em pleno século 21 questionar o aquecimento global. Aparentemente o Meio Ambiente passou a ter papel secundário em toda a esfera diplomática (ISA, 09/01/2019).

Além disso, não bastou só desvincular o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) do MMA e integrá-lo ao MAPA, comandado pela representante ruralista Tereza Cristina, conhecida como “musa do veneno”, Bolsonaro indicou o ex-deputado ruralista Valdir Colatto de Santa Catarina, para chefiar o SFB (G1, 17/01/19). Colatto, que é o autor do Projeto de Lei que tenta liberar a caça de animais silvestres no Brasil, vai agora ser responsável pela implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e pela gestão das florestas púbicas do Brasil. Colocar um crítico do CAR e adepto à liberação da caça de animais silvestres para cuidar da proteção e recuperação das florestas, é o mesmo que colocar a raposa para cuidar do galinheiro.

As primeiras iniciativas do novo ministro do Meio Ambiente sinalizam um ministério sem causa, pois a principal ação até agora é a feroz busca para achar “pelo em casca de ovo”. Numa tentativa de controlar as atividades do terceiro setor, o ministro teve a sagacidade de determinar a suspensão da execução dos convênios e parcerias pactuados pelos Fundos Administrados do MMA, Ibama, ICMBio e JBRJ com as ONGs (G1, 16/01/2019). Em manifestação pública, o Observatório do Clima afirma que o ofício fere o princípio da legalidade e levanta, sem elementos mínimos de prova, dúvidas sobre a idoneidade da sociedade civil, o que é ilegal e inconstitucional (OC, 14/01/2019).

Aonde foram parar as agendas ambientais?
Quem tratará das suas políticas?
Quem fiscalizará o cumprimento das leis?
Quem fará cumprir os códigos e tratados?

A Advocacia Geral da União (AGU) pelo visto não exercerá papel algum nessa empreitada, afinal também entrou no jogo do “mestre mandou”, e foi rápida em anular, a pedido, a multa ambiental que o presidente tinha em seu nome por pescar em reserva ambiental onde a pesca é terminantemente proibida (O Eco, 09/01/2019).

Os efeitos negativos dos 17 primeiros dias do governo Bolsonaro já superam os erros cometidos ao longo dos mandatos por seus últimos quatro antecessores (Congresso em foco, 15/01/2019). Mas ele não age sozinho. O (des)governo inteiro não entende nem em teoria e nem em prática a necessidade e a urgência das agendas socioambientais.

Apesar de dados científicos revelarem, por exemplo, que o desmatamento na Amazônia aumentou 13,7% entre agosto de 2017 e julho de 2018, que perdemos 7.900 km² de floresta, e, que o resultado disso contribui para o iminente aumento da temperatura e a mudança óbvia dos ciclos de chuva (National Geographic, 08/01/19), as práticas do presidente eleito e sua equipe vão na contramão da ciência e não mencionam nenhuma política para zerar o desmatamento, acabar definitivamente com as queimadas e incêndios florestais, criar novas unidades de conservação, recuperar áreas degradadas, tornar a agropecuária mais sustentável, reduzir o uso de agrotóxicos, proteger as espécies ameaçadas da fauna e flora, combater a caça aos animais silvestres, cuidar dos recursos hídricos, combater a pesca predatória no mar e nos rios, fiscalizar os desmatamentos ilegais, homologar terras indígenas e usar os recursos naturais de maneira sustentável.

Para contrabalancear a falta de políticas, o que mais se vê é politicagem, nomeação de amigos e parentes para altos cargos públicos e alianças com o que existe de mais retrógrado da velha política no Congresso Nacional. A jornalista Eliane Brum foi precisa ao descrever o que significa transformar um ordinário em “mito” e dar a ele o Governo de um país (El Pais, 04/01/19).

 

Texto: Carolina Schaffer, publicado em Poesia Visual.

Aos Ativistas da Mata Atlântica

Aos Ativistas da Mata Atlântica

Este vídeo, dedicado aos ativistas da Mata Atlântica, é um agradecimento por tudo o que eles já fizeram em prol de sua proteção. É também um apelo para que fiquem vigilantes e continuem combatendo o desmatamento e a caça e promovendo a restauração deste bioma, que é moradia para mais de 120 milhões de brasileiros.

#AtivismoSim #praSCacontecer #MataAtlântica #Natureza#DesmatamentoNão #CaçaNão

A importância do Ministério do Meio Ambiente

A importância do Ministério do Meio Ambiente

Quero falar com vocês sobre a importância do Ministério do Meio Ambiente e a proposta do presidente eleito em fazer a fusão com o Ministério da Agricultura. O assunto tem estado na mídias nos últimos dias, com ida e vindas e não sabemos na verdade o que irá acontecer.

Essa fusão, que na prática significará a extinção do Ministério do Meio Ambiente, submetendo a agenda ambiental ao Ministério da Agricultura e a um ministro ruralista, é totalmente desastrosa e será uma tragédia para todos os brasileiros.

Os próprios agricultores e pecuaristas sérios, aqueles que já desenvolvem suas atividades com respeito ao meio ambiente, sofrerão barreiras não tarifárias e terão dificuldade de vender seus produtos para mercados consumidores que exigem respeito ao meio ambiente.

O desmatamento tende a aumentar em todo o Brasil com a diminuição da fiscalização e isso afetará a imagem do Brasil no exterior.

O Ministério do Meio Ambiente tem uma atuação muito pequena na agropecuária. Ele tem tudo a ver com biodiversidade, e o Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta, tem a ver com unidades de conservação e o Brasil tem mais de 80 milhões de hectares de parques e reservas terrestres, o equivalente 9 estados de Santa Catarina. e tem ainda 100 milhões de hectares de parque e reservas marinhas.

O Ministério do Meio ambiente tem tudo a ver com os recursos hídricos que abastecem as hidrelétricas as indústrias, a agricultura, e o Brasil tem o maior volume de água doce do planeta.

Tem a ver com turismo, com as cidades, com as questões do lixo e do saneamento básico, tem a ver com silvicultura, com a mitigação e adaptação às mudanças climáticas, com as energias renováveis…e com licenciamento de atividades potencialmente poluidoras em todos esses setores. Para você ter uma ideia, dos 2.800 processos de licenciamento que tramitam no Ibama, só 29 têm relação com agropecuária.

O Ministério tem a ver fiscalização de desmatamentos e queimadas e combate a caça…

Ou seja, o Ministério do Meio Ambiente tem tudo a ver com a minha, com a sua, com a vida de todos os brasileiros. Por isso ele não pode ser extinto e muito menos incorporado ao Ministério da Agricultura. E nós brasileiros e brasileiras precisamos exigir que o Ministério do Meio Ambiente continuei existindo e seja independente para poder cumprir bem o seu papel, que é garantir a vida e a qualidade de vida a todas as espécies.

Eu sou a Mata Atlântica e quero falar com você amigo ativista!

Eu sou a Mata Atlântica e quero falar com você amigo ativista!

Parque Nacional do Itatiaia. Primeiro Parque Nacional do Brasil, criado em 1937. #EspalheAmor #AtivismoSim

Olá…eu sou a Mata Atlântica, sou cheia de vida, produzo água, sombra e oxigênio para todos, inclusive os humanos. Presto meus serviços de graça, protegendo as encostas dos morros da erosão, as cidades das enchentes, produzindo alimentos, ajudando a controlar as pragas da agricultura e oferecendo espaços de lazer.

Resisti a 500 anos de usurpação e destruição provocada por seres humanos sem piedade, que ignoraram a minha beleza e importância. Minhas árvores foram arrancadas, cortadas, queimadas ou vendidas em nome do progresso. Progresso de quem?

Meus amigos animais foram caçados, aprisionados, ou morreram de fome por falta do alimento que eu fornecia.

Muitas das minhas árvores foram extintas, outras correm grande perigo. Muitas espécies de animais que conviviam comigo desapareceram para sempre, outras correm risco imediato de sumirem também. Sem os animais, muitas das minhas árvores, bromélias, orquídeas e outras espécies também correm perigo, porque são os animais que espalham ou plantam as sementes.

Eu estava prestes a desaparecer quando surgiram vocês, os ativistas – cientistas, ambientalistas, socioambientalistas, ecologistas, quilombolas, índios, amantes da natureza, professores – e disseram: É hora de dar um basta nessa irracionalidade. Isso não é progresso coisa nenhuma, isso não passa de ganância e maldade.

Foram vocês ativistas, com muita luta, suor e lágrimas, que há 30 anos me deram a primeira chance, escrevendo na Constituição Federal que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se, eu disse, IMPONDO-SE ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” e escreveram também que eu – a Mata Atlântica, junto com outros biomas – sou patrimônio nacional, e que a minha proteção será feita na forma da lei.

Em 1990 e 1993, conseguiram convencer os presidentes da época a assinar decretos para me proteger. Lutaram por 18 anos e em 2006 conseguiram aprovar a Lei da Mata Atlântica garantindo a minha proteção e proibindo o corte de minhas árvores mais nobres e ameaçadas de extinção.

Vocês, meus amigos ativistas, agiram de muitas formas: muitos lutaram para a aprovação das leis que me protegem; outros denunciaram desmatamentos e caça; outros coletaram sementes e plantaram árvores; outros ajudaram a criar parques e reservas e teve aqueles que criaram suas próprias reservas. Isso me deu a chance de voltar a crescer. Hoje minhas árvores são maiores e até já reocupei alguns espaços nos morros e margens de alguns rios.

Com todo esse esforço de vocês amigos ativistas o desmatamento que era de 107.000 hectares por ano em 1988 diminuiu quase 90%, para 12.000 hectares em 2018. Isso ainda é muito, são aproximadamente 20.000 campos de futebol e 36.000.000 de minhas árvores que tombam a cada ano.

Em nome da minha sobrevivente biodiversidade de plantas e animais quero agradecer profundamente a alguns abnegados ativistas, que já não estão entre nós, mas que muito me ajudaram a sobreviver: Jose Lutzenberger, Henrique Luís Roessler, Magda Renner, Giselda Castro, Augusto Carneiro, Lucia Sevegnani, Raulino Reitz, Roberto Miguel Klein, Tereza Urban, Ibsen Gusmão Câmara, Aziz Ab’Saber, Haroldo Palo Junior, Elizete Siqueira, Detinha Son, Rômulo Melo…

A todos os meus amigos e amigas ativistas que ainda estão aqui, mesmo sem citar nomes pois são muitos, agradeço imensamente pelo seu ativismo diuturno para me proteger contra os agressores e seus políticos de estimação.

Continuarei oferecendo um lugar de moradia, água e ar puro para mais de 120 milhões de brasileiros mas, diante de anunciadas ameaças, preciso, mais do que nunca, do trabalho ativista de todos, pois sei que sem a ajuda de vocês não vou sobreviver.

Fiquem vigilantes, façam a minha defesa, em todos os lugares, não deixem liberar o desmatamento e a caça. Eu e meus amigos animais precisamos muito de vocês, todos vocês. Estimulem também as crianças e os jovens a entrarem nessa luta pois em tempos de aquecimento global eles vão precisar muito dos meus serviços. Lembrem-se, o que acontecer comigo, acontecerá com a humanidade.

Ativismos SIM. Desmatamento e caça Não!

Textos e fotos: Wigold B. Schaffer e Miriam Prochnow

Pela DEMOCRACIA. Pela liberdade de discordar.

Pela DEMOCRACIA. Pela liberdade de discordar.

Hoje, 25 de outubro, se celebra o dia da democracia no Brasil. O momento não poderia ser mais emblemático. Esse dia foi escolhido devido a um episódio histórico: o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, no dia 25 de outubro de 1975. Herzog morreu numa sessão de tortura no DOI-CODI. A morte do jornalista provocou a primeira reação popular contra os excessos do regime militar de 1964, tornando-se um marco na luta pela redemocratização do Brasil.

E cá estamos, nas eleições de 2018. Infelizmente, o que está em jogo nesta eleição não é apenas a disputa de um projeto mais social ou menos social, mais ambiental ou menos ambiental. O que está em jogo é o próprio futuro do BRASIL como o conhecemos e ajudamos a construir. O que está em jogo é a DEMOCRACIA, a liberdade de ir e vir, a liberdade de expressão, a liberdade de cada um ser o que é.

Sempre defendi os princípios e direitos constitucionais ao meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações; direitos humanos para todos; direitos das minorias; estado laico; liberdade de expressão e de imprensa; liberdade religiosa; liberdade de associação e ativismo e, é claro, a democracia, sem a qual nenhum desses direitos é possível.

Por isso, neste segundo turno, por coerência e em respeito ao meu próprio histórico de lutas, não sem antes analisar o histórico de vida e as propostas dos candidatos, decidi votar em Fernando Haddad e Manuela D’Ávila.

Ressalto que nunca fui filiada ao PT. Quem conhece a minha história sabe que fui uma das fundadoras do PV em SC e mais recentemente da Rede Sustentabilidade. Também nunca trabalhei em qualquer governo do PT. Votei no Lula, mas nunca votei na Dilma. O PT tem um histórico de acertos e erros e ainda não fez uma coisa fundamental, uma autocrítica de sua atuação. A falta dessa autocrítica e os caminhos errados que escolheu trilhar nos últimos anos, foram responsáveis pelo afastamento de inúmeros quadros importantes, como o afastamento da própria Marina Silva. A questão é que nesse segundo turno estamos diante de uma situação muito mais complexa do que a mera disputa partidária. Estamos na iminência de perdermos nossa democracia e pelo menos isso, o governo do PT nunca afrontou.

Além disso, o Haddad tem experiência e não é maluco, foi um bom ministro da educação e um prefeito de São Paulo reconhecido internacionalmente por sua gestão inovadora e voltada para o bem-estar da população, principalmente na questão da mobilidade com ciclovias, corredores de ônibus e modificação do plano diretor para humanizar a cidade. Ele também já se comprometeu com metas ambientais e com o combate às mudanças climáticas.

Jornalistas, intelectuais, cientistas, ambientalistas do mundo todo alertam os brasileiros sobre os riscos de apoiar um candidato com ideias fascistas, sobre os riscos que esse candidato representa para a economia, o meio ambiente, a cultura, a ciência e tecnologia e para o futuro do Brasil. O mesmo ocorre aqui no Brasil, onde as pessoas que conhecem a história e prezam pela democracia, que muitos ajudaram a reconquistar com muito sangue, suor e lágrimas, também fazem esse alerta. Todas essas vozes lembram que o fascismo ou o nazismo, assim como outros regimes autoritários, na maioria das vezes começaram com o apoio de parte da população. Depois de instalados, tornaram-se autoritários e opressores e a história mostra quanto custou, mundo afora, essa insensatez.

Todos sabemos como foi difícil edificar cada tijolo dessa construção que levou o Brasil a respeitar minimamente o meio ambiente.

Cada avanço legal, cada palavra sobre meio ambiente escrita na Constituição Cidadã, a resistência para impedir retrocessos, cada nova UC criada, cada árvore plantada, cada instituição ambiental pública criada e implementada, cada acordo internacional duramente conquistado, cada ONG ambientalista criada com muito ativismo, suor e dedicação, cada conselho criado e as horas e dias dedicados às discussões democráticas nesses conselhos, e a Lei da Mata Atlântica e sua regulamentação que levou mais de 15 anos, cada trilha ecológica construída, cada palestra por um mundo melhor, mais solidário, mais inclusivo, mais respeitoso com todos os seres vivos. Tudo isso levou décadas. Essas conquistas foram “caras” e obtidas de forma progressiva, durante diversos governos.

O Bolsonaro declara abertamente que vai “acabar com todo e qualquer ativismo” e não vai demarcar 1 cm de terra indígena, que as UCs atrapalham o desenvolvimento da agropecuária, que vai fechar o Ministério do Meio Ambiente, que vai liberar a caça, que vai liberar o desmatamento na Amazônia e para facilitar o desmatamento, vai proibir o Ibama e o ICMbio de aplicarem multas, que vai tirar o Brasil do Acordo de Paris, além de defender a tortura e os torturadores.

As declarações, por si só, vindas de alguém que disputa a presidência da república, são devastadoras, incitam a violência, estimulam o desmatamento, estimulam o desrespeito a quem luta pelo meio ambiente e pela vida de todos os seres, estimula o ódio aos defensores e ativistas das causas ambientais e de direitos humanos.

Ou seja, meu voto, democrático, crítico e de oposição, é para Haddad e Manuela.

A que ponto chegamos… ter que batalhar pela liberdade de discordar.

 

Fotos da manifestação “Marcha a ré da Rio+20”, Rio de Janeiro, 2012.

Porque não voto em Bolsonaro

Porque não voto em Bolsonaro

Nestas eleições fui candidata ao Senado, pela Rede em Santa Catarina e fiquei extremamente feliz e agradecida com os votos que recebi. Com certeza temos uma onda de pessoas preocupadas com a sustentabilidade no estado.

Quando me perguntavam o porquê da minha candidatura, uma das coisas que eu respondia era porque eu entedia estar no meu melhor momento para assumir uma função dessas, para fazer ainda mais em prol do bem estar de todas as formas de vida. Trabalho na área socioambiental há mais de trinta anos e minha campanha foi baseada em propostas para o futuro. Para os desafios do século 21, que são muitos e de grande magnitude.

Sou mulher, mãe de duas filhas, ambientalista, pacifista, democrata e ativista. Esses elementos por si só já deveriam ser óbvios o suficiente para justificar a opção de não votar no Bolsonaro, afinal tudo o que ele representa não combina com isso. Mas a situação é ainda pior, porque as propostas que ele apresenta são todas de retrocesso, em todas as áreas, mas especialmente na área ambiental. As recentes manifestações de milhares de organizações socioambientalistas apontam claramente os perigos que a candidatura do Bolsonaro representa. É justamente na área ambiental que residem os maiores desafios para a sobrevivência da espécie humana. E falando em coisas óbvias, não custa lembrar que não é a natureza que depende da gente, nós é que dependemos dela.

Eu quero investir os próximos 30 anos ajudando a implantar as mudanças necessárias para a existência de uma sociedade sustentável e não batalhando para evitar ou reverter retrocessos, que vão custar caro para a humanidade. Meu voto, com consciência crítica, será no Haddad e na Manuela. No pior dos cenários, serei resistência. Começando agora. Denunciando ameaças que já estamos sofrendo, as quais repudio fortemente. Compartilho aqui texto do meu marido Wigold Schaffer. E aos amigos e familiares que votam no Bolsonaro, um lembrete: os ativistas que ele quer ver calados, somos nós.

 

#ativismoSIM #democraciaSIM #planteAMOR #MiriamProchnow #praSCacontecer
#EleNão #EleNunca #EleJamais #caixadoisdobolsonaro

As eleições e o clima

As eleições e o clima

No dia 8 de outubro de 2018, enquanto no Brasil ainda conferíamos o resultado da votação do primeiro turno das eleições; na Coreia do Sul, a ONU publicava o novo relatório especial do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática), que analisa os impactos de um aquecimento global de 1,5oC e, também, a possibilidade que temos de frear o aquecimento neste limite. Os cientistas alertam que o aquecimento acima deste patamar trará consequências profundas para a saúde e o bem-estar da Humanidade, e colocará ecossistemas e a biodiversidade em risco.

E o que isso tudo tem a ver com as eleições? Tem tudo a ver, porque vamos precisar de governantes verdadeiramente comprometidos com essa questão. Para evitar a catástrofe climática, as emissões humanas de dióxido de carbono terão que cair 45% até 2030, em relação aos níveis de 2010, e zerar até 2050. E isso só será possível com mudanças sem precedentes no estilo de vida das pessoas, na mudança dos modelos de produção e consumo e no desenvolvimento de tecnologias capazes de remover CO2 da atmosfera.

Considerando-se que temos 12 anos até 2030, não se trata de um desafio trivial.

Veja quais são as atividades que mais contribuem para a mudança do clima do planeta e onde teremos que fazer as mudança sem precedentes:

  1. A emissão de gases pela queima de combustíveis fósseis, como o carvão mineral e derivados de petróleo, para geração de calor, energia elétrica e para transportes;
  2. Atividades agropecuárias, em especial a criação de bovinos e o uso de fertilizantes nitrogenados;
  3. O desmatamento de florestas;
  4. O descarte de resíduos sólidos de maneira inadequada, como em lixões.

Por isso existem os acordos internacionais, como o Acordo de Paris, assinado em 2015 por 197 países que se comprometeram em lutar contra a mudança do clima, reduzindo as emissões dos gases de efeito estufa. Por isso também existem as metas de cada país. Se nossos governantes não estiverem comprometidos com esses acordos e metas, teremos chances mínimas de vencermos as adversidades climáticas.

Abaixo uma tabela do comprometimento dos dois candidatos a Presidência da República para o segundo turno das eleições 2018. Confira e vote em quem tem compromisso com a democracia e o futuro da humanidade.

A educação é o caminho para a transformação

A educação é o caminho para a transformação

Miriam Prochnow e Lilian Grankow, também professora, com uma turma de alunos da Escola Isolada Caminho da Estação em Ibirama (SC), em 1984. Foto: Acervo pessoal.

Hoje, dia 15 de outubro, Dia dos Professores, me inspirei a olhar para a minha trajetória como educadora…

Eu comecei a dar aula antes mesmo de me formar em Pedagogia. Dava aula durante o dia e estudava a noite. Fui professora de artes, ciências, filosofia, sociologia e inglês. Dei aula em escola pública e particular. Para o primário, o antigo ginásio (hoje ensino fundamental) e para o ensino médio. Depois me especializei em Ecologia e passei a atuar como educadora ambiental, ministrando palestras para diferentes setores da sociedade e orientando estudantes, agricultores, servidores públicos e outros professores.

Ser educadora é um objetivo que me acompanha até hoje porque sei a importância que a educação de qualidade têm na vida de uma pessoa e no futuro de um país. O desenvolvimento social e econômico do Brasil e a igualdade de oportunidades só serão alcançados com a garantia de que [email protected] tenham acesso à educação de qualidade.

Como diz Marina Silva, é preciso estabelecer uma ponte entre o Brasil do presente e do futuro. Para isso é imprescindível um esforço emergencial para enfrentar a escassez crescente de trabalhadores qualificados em áreas estratégicas, que caracteriza um verdadeiro apagão de capital humano. A superação dessa situação se dará pelo investimento intensivo em todos os níveis da educação formal, pela ampliação do acesso às tecnologias e pelo desenvolvimento de outros espaços de aprendizagem.

A educação deve ser prioridade política e orçamentária de um governo. Num mundo em constante transformação é necessário atualizar e adaptar a educação para fazer frente aos novos desafios que se apresentam. Professores devem ser valorizados e remunerados adequadamente para serem protagonistas do ensino de qualidade.

Mais do que uma profissão, ser professor é uma vocação, uma verdadeira missão, que implica em dedicação, capacitação e entrega. Professores fazem a diferença na vida das pessoas e por isso merecem nosso respeito e nosso apoio. Disso depende o futuro sustentável do Brasil, para que sejamos um país que cultiva a paz e o amor, que seja justo, democrático e livre. Nossas crianças e jovens não precisam de armas, precisam de livros.

A importância do ativismo no Brasil

A importância do ativismo no Brasil

Eu sou ativista. Segundo o dicionário, ativista é a pessoa que trabalha de modo ativo por uma causa e ativismo é a transformação da realidade por meio da ação prática.

Eu sou ativista ambiental. Minha causa é o bem comum, é a conservação da natureza, da qual [email protected] somos dependentes. Da qual depende a sobrevivência da espécie humana. Meu lema sempre foi “boca no trombone e mão na massa”, denunciando as agressões ao meio ambiente, mas dando exemplos de como as coisas podem ser feitas de forma sustentável e com diálogo.

Nos meus mais de 30 anos de ativismo, encontrei milhares de pessoas que também abraçaram a causa e por conta disso conseguimos inúmeros avanços que garantem qualidade de vida para [email protected] e a proteção mínima da biodiversidade. Já recebi inúmeros prêmios de reconhecimento.

Mas também por conta do meu trabalho, já sofri muitas ameaças, inclusive de morte, fui perseguida e até agredida, física e moralmente, por aqueles que se acharam no direito de impedir que a guerreira verde trabalhasse pelo bem comum.

Pelo meu histórico, pela minha vida, digo que ativismo não é opção, é urgência. O Brasil precisa de ativistas e não o contrário. O Brasil precisa de democracia. O Brasil precisa de inclusão e respeito à diversidade. O Brasil precisa de amor e comprometimento. Por isso, para tudo que ferir a minha existência, eu serei resistência.

Brasil urgente, ativismo sempre.

Miriam Prochnow esteve no V Congresso Brasileiro de RPPNs

Miriam Prochnow esteve no V Congresso Brasileiro de RPPNs

Ontem, dia 26 de julho, foi a cerimônia de abertura do V Congresso Brasileiro de Reservas Particulares do Patrimônio Natural. Realizado pela Associação dos Proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural de Santa Catarina (RPPN Catarinense), com apoio da Confederação Nacional das RPPNs (CNRPPN), o evento acontece em Florianópolis e vai até o dia 29 deste mês.

O principal objetivo do congresso é debater a importância do setor privado na conservação da biodiversidade e o futuro da única categoria de Unidade de Conservação do Brasil de iniciativa particular, as RPPNs.

Miriam Prochnow esteve ao lado de outros proprietários de RPPN no painel de discussão sobre RPPNs coorporativas e instituições apoiadoras contando um pouco mais sobre as atividades desenvolvidas na RPPN Serra do Pitoco, da qual é proprietária junto com o seu marido, Wigold B. Schäffer.

“As RPPNs ja são uma realidade no Brasil e temos um potencial enorme de criar muitas mais, ampliando a contribuição das reversas privadas na conservação ambiental. Criamos a nossa em 1997 e ela já foi palco de muitas atividades de educação ambiental e recreação junto à natureza”, afirma Miriam.

A RPPN Serra do Pitoco

Criada pela portaria Ibama 40/97, de 30 de abril de 1997, a RPPN abriga um pequeno, mas importante remanescente de Mata Atlântica, numa região de transição entre a Floresta Ombrófila Mista e a Floresta Ombrófila Densa. É abrigo para inúmeras espécies animais. Fica na comunidade de Alto Dona Luiza, no município de Atalanta. É atravessada pelo Rio Dona Luiza e tem uma cachoeira de 10 metros de altura.

A RPPN tem 3ha e a propriedade onde está localizada foi utilizada como modelo para o conceito de Propriedade Legal (legal porque cumpre a lei e legal por ser um bom lugar de morar).

Cachoeira da RPPN Serra do Pitoco, e Atalanta – SC.

Guia das RPPNs de Santa Catarina

Durante o cobresso foi lançado o Guia das RPPN de Santa Catarina, uma publicação que pretende divulgar as Reservas Particulares do Patrimônio Natural de Santa Catarina. Através de fotos e textos descritivos o guia apresenta as reservas que fazem parte da Associação RPPN Catarinense, bem como as demais RPPNs do estado, dando à esta categoria de Unidade de Conservação uma maior visibilidade e tornando as reservas mais conhecidas e valorizadas.

Você pode acessar a publicação aqui: Guia das RPPNs de Santa Catarina.

Lançamento do Guia das RPPNs de Santa Catarina.

Jardins e Sustentabilidade

Jardins e Sustentabilidade

Jardins tem tudo a ver com sustentabilidade: são espaços que trazem qualidade de vida para as pessoas. Tornam as casas e cidades locais agradáveis para viver.

O plantio de árvores nos jardins também é fundamental. Elas oferecem sombra para tomar um chimarrão, para as crianças brincarem, para colocar um balanço ou uma rede, um local para reuniões.

Os jardins também podem contribuir com a manutenção da biodiversidade. O plantio de espécies nativas, com diferentes épocas de floração e frutificação disponibilizam alimento para pássaros e borboletas, podendo ser mais um espetáculo a ser admirado.

Um belo jardim também pode ser um atrativo para o turismo ecológico e rural, que é uma opção cada vez mais procurada por pessoas que vivem em grandes cidades. Passear por belos jardins é um dos primeiros passos para as pessoas se aproximarem da natureza.

Semana do Alimento Orgânico

Semana do Alimento Orgânico

Estamos na semana do alimento orgânico. É um momento importante para pensarmos sobre o que consumimos, sobre o que comemos, porque alimento orgânico significa saúde. Saúde para quem planta, saúde para quem consome, saúde para o planeta.

A melhor forma de estimular a produção de alimentos orgânicos é consumir produtos orgânicos. Quanto maior for a demanda, maior será a oferta. Está mais do que provado que é possível produzir de forma orgânica, não somente em pequenas propriedades, mas também em larga escala.

É importante sempre saber de onde o alimento está vindo e para isso o sistema orgânico tem os processos de certificação. Então procure sempre produtos com selo de certificação. Eles são a garantia de que você está comprando um produto idôneo.

E você também pode plantar os seus alimentos, ou parte deles. Como nós fazemos aqui. Mesmo num espaço pequeno é possível plantar alimentos para uma salada, um chá, um tempero e também flores, por que não?

E então? Vamos abraçar a ideia do alimento orgânico?

Miriam fala sobre a semana do alimento orgânico.

 

Mata Atlântica, um ícone da luta ambiental no Brasil

Mata Atlântica, um ícone da luta ambiental no Brasil

A luta pela defesa da Mata Atlântica é um dos ícones da luta ambiental no Brasil. Foi a Mata Atlântica que recebeu os colonizadores e desde então tem sofrido com o processo de crescimento econômico do país, que nada tem a ver com desenvolvimento sustentável.

É inegável que o trabalho dos ambientalistas em prol de sua proteção e restauração tem obtido sucesso. Hoje temos uma legislação robusta, que é respeitada. A Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428/2006), sancionada após 14 anos de tramitação, é uma lei que “pegou”. As pessoas sabem que precisam respeitar.

A Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE apontam que hoje restam apenas 12,4% de remanescentes florestais na Mata Atlântica em áreas acima de 3 hectares e somente cerca de 8% são remanescentes acima de 100 hectares, aquelas áreas mais bem conservadas e que incluem os parques e reservas. Os dados também mostram que houve uma redução de 64% no desmatamento do bioma após a aprovação da Lei 11.428/2006, passando de uma média de 34.313 ha desmatados em 2006 para 12.562 ha em 2017. Apesar de ainda elevado em alguns estados (PI, MG, BA e PR somam 82% de todo o desmatamento), a queda do desmatamento nos outros 13 estados inseridos na Mata Atlântica é superior a 90%, indicando a eficácia da lei.

Os índices de forma geral, ainda não são os melhores, porque apesar de podermos comemorar a queda do ritmo de desmatamento, ainda temos desmatamentos acontecendo, o que é inaceitável. Mesmo que hoje por exemplo, 7 estados praticamente zeraram seus índices. Além disso, são pouquíssimos os remanescentes que apresentam vegetação primária, que nunca foi mexida.

A maioria dos remanescentes existentes são compostos por florestas de onde foram retiradas todas as árvores grandes das espécies nobres ou então florestas em regeneração, onde as espécies nobres ainda não chegaram. Outra grande preocupação é o que chamamos de síndrome da floresta vazia, que são as florestas sem os animais. Ou seja, são poucos os atuais remanescentes capazes de manter a vida de animais de médio e grande porte. Sem falar na caça, que ainda existe e na verdade com tendência a aumentar, visto que existe um lobby para a sua liberação, inclusive através de projeto de lei na Câmara Federal.

Iniciativas para autorizar desmatamento ou destruição do pouco que restou da Mata Atlântica são recorrentes por parte de alguns parlamentares e também de setores do governo de estados como Santa Catarina e Paraná, que muitas vezes ignoram a Lei da Mata Atlântica ou buscam subterfúgios para burlar as diretrizes por ela estabelecidas. Essas iniciativas vem sendo barradas com a intervenção da sociedade civil organizada, do Ministério Público e do Judiciário. A exemplo da Lei Estadual nº 15.167/2010, que permitia o corte e exploração comercial da floresta com araucárias, foi declarada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Igualmente, a recorrente prática da Secretaria do Meio Ambiente e do Instituto Ambiental do Paraná que vinham autorizando ilegalmente o corte e exploração de araucárias foi barrada por intervenção do Ministério Público do Paraná.

No caso da Floresta com Araucária, sua espécie símbolo, o pinheiro-brasileiro (Araucaria angustifolia), foi tão explorada e reduzida que hoje sofre as consequências de uma forte erosão genética, conforme apontam diversos estudos científicos. O fenômeno é causado pela falta de conexão entre os poucos remanescentes naturais da floresta. Quando as espécies encontram muitos obstáculos para se comunicar e enviar o pólen de um fragmento ao outro, acontece a endogamia, que é o cruzamento com exemplares que tem parentesco entre si. Isso diminui drasticamente a variabilidade genética da floresta. A tendência dessa situação é que algumas populações de araucária, desprovidas de certos atributos genéticos, enfrentem sérias dificuldades para se adaptar mesmo em seus ambientes de origem, podendo até ser extintas.

Não é por acaso que as espécies mais exploradas da floresta com araucárias como o pinheiro-brasileiro, a imbuia (Ocotea porosa), a canela-sassafrás (Ocotea odorifera) e o xaxim-mono (Dicksonia sellowiana), estão na lista das espécies ameaçadas de extinção. Somente a proibição da exploração e a conservação dos ecossistemas podem minimizar a perda genética.

Por outro lado, é notório que a restrição à exploração comercial das espécies madeireiras, que já perdura há mais de 10 anos, está dando uma chance para a Mata Atlântica iniciar um lento processo de recuperação de sua estrutura e biodiversidade. Essa recuperação deve ainda levar décadas em razão do reduzido percentual de remanescentes espalhados em milhares de fragmentos isolados e, a maioria deles, altamente degradados por exploração madeireira predatória no passado.

Portanto, além de não haver qualquer amparo legal, iniciativas para reabrir manejo, exploração ou corte de espécies nativas da Mata Atlântica não possuem nenhuma justificativa técnico/científica dado a reduzida área remanescente do bioma e a situação limite, em termos de viabilidade ambiental, de suas espécies vegetais, muitas delas submetidas a acelerada erosão genética.

Outro fato preocupante é que ainda existe uma visão de que a Mata Atlântica é somente floresta e muitos acham que só precisam respeitar as florestas. Aí os ecossistemas como as restingas, manguezais e campos de altitude ficam desprovidos dessa preocupação de proteção por parte de parcelas da sociedade. Nos estados do Sul os campos de altitude tem sofrido muito e sua conservação está por um fio. Estão ameaçadíssimos. Para piorar a situação, tramita no Senado Federal, um projeto de lei (PL 194/2018) que pretende tirar os campos nativos da proteção legal da Lei da Mata Atlântica. Essa iniciativa precisa ser combatida fortemente e com urgência.

Apesar de fragilizados, os remanescentes de vegetação da Mata Atlântica desempenham ainda importantes funções ecológicas e fornecem serviços ambientais essenciais para aproximadamente 140.000.000 de brasileiros. A conservação da Mata Atlântica e sua restauração é extremamente importante para a qualidade de vida de 70% dos brasileiros que dependem da água protegida pelos  remanescentes. Além disso, os remanescentes são essenciais para a manutenção da biodiversidade, a amenização do clima e a proteção contra os desastres ambientais. Do ponto de vista climático, a Mata Atlântica também tem um grande destaque porque as ações de restauração e regeneração significam números valiosos na questão de sequestro de carbono.

O que mantém a nossa esperança é que o contingente de pessoas que estão plantando árvores, para restaurar florestas aumenta a cada dia. Somos um grande time de plantadores de florestas. E plantadores de florestas são pessoas felizes, que não param de plantar. Que já fazem a diferença e ainda irão fazer muito mais. Também cresce a cada dia o número de pessoas que realmente conservam os remanescentes de vegetação nativa em seus imóveis, pois já entenderam que eles são importantes para as atividades econômicas, seja na agricultura, pecuária ou indústria.

Temos muito a fazer em termos de restauração, mas também ainda temos muito a fazer em termos de conservação da Mata Atlântica, porque ainda temos muitas áreas a serem protegidas. Estamos longe de atingir os índices da convenção da diversidade biológica que exige no mínimo 17% de áreas em Unidades de Conservação. Na Mata Atlântica, excluídas as APAs, temos menos de 3% em UCs.

Eu acredito que a Mata Atlântica ainda irá contribuir muito para a virada da sustentabilidade. Se levarmos em conta que pessoas em contato com a Natureza, são pessoas que tem uma visão diferente do mundo e que mais de 70% da população brasileira vive na Mata Atlântica, esse é um dos caminhos que temos que seguir. Estimular as pessoas a conviverem mais com a natureza e simplificarem o seu modo de vida, sendo mais saudáveis e felizes.

Natureza: Parques e Reservas

Natureza: Parques e Reservas

Neste dia 27 de maio – Dia da Mata Atlântica – apresentamos, com o apoio da Rede de ONGs da Mata Atlântica, o vídeo “Natureza – Parques e Reservas Naturais”, que reúne imagens espetaculares de parques e reservas naturais do Brasil e de outros países. A apresentação é da ambientalista Miriam Prochnow, fundadora da Apremavi. O vídeo conta com a participação do Prof. e ambientalista Lauro Eduardo Bacca, fundador da Acaprena e do Prof. e ambientalista João De Deus Medeiros, coordenador geral da Rede de ONGs da Mata Atlântica.

Os parques e reservas naturais prestam importantes serviços ambientais. Ajudam a regular o clima, a abastecer os mananciais de água, a melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Em todo o mundo as unidades de conservação, também chamadas de parques e reservas naturais, são a forma mais efetiva de proteger e preservar a natureza e sua biodiversidade, com todas as formas de plantas e animais e também a beleza dos ecossistemas no longo prazo.

O ritmo da vida moderna tem nos afastado do mundo natural, abrindo espaço para sentimentos negativos, tristezas e stress.

Por isso, proteger a biodiversidade, combater as mudanças climáticas, preservar a água e erradicar da miséria, são os principais temas com os quais a humanidade deve se preocupar, para garantir condições dignas de sobrevivência às futuras gerações.

Edição do Vídeo: Wigold Schaffer.

Santa Catarina tem mais uma RPPN

Santa Catarina tem mais uma RPPN

Miriam Prochnow, proprietária da RPPN Serra do Pitoco, participou, no dia 14 de abril de 2018, da inauguração da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Papagaios de Altitude, em Urupema (SC). A solenidade ocorreu no auditório do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Após o evento, todos foram até a reserva natural para uma interação entre amigos, realizando uma trilha interpretativa dos diferentes ambientes que a reserva natural preserva. A área, de 36 hectares, que está sob responsabilidade da Associação Amigos do Meio Ambiente (AMA) em parceria com a Universidade de Passo Fundo (UPF) e o Projeto Charão, estará aberta para atividades educativas e de pesquisa.

O nome “papagaios-de-altitude” foi escolhido pelo fato de que, na região, encontram-se as duas espécies de papagaios que o projeto pesquisa e atua em sua conservação, que são o papagaio-charão e o papagaio-de-peito-roxo, e que mantêm uma forte interação com as araucárias. A Floresta com Araucárias, sua rica biodiversidade, a exemplo do Papagaio-de-peito-roxo, e o Papagaio-charão contam com mais uma ação para garantir sua sobrevivência!

Conforme o professor da UPF Jaime Martinez, que coordena o Projeto Charão, um dos motivos que levou a equipe a optar por essa área é decorrente do fato de ela localizar-se dentro da área que o papagaio-charão utiliza quando migra para Santa Catarina em busca do pinhão. “Escolhemos essa área também pela grande quantidade de pinheiros que preserva, com objetivo de garantir um estoque estratégico de alimento para os papagaios que voam centenas de quilômetros desde o Rio Grande do Sul em busca desse recurso alimentar”, comenta. “A RPPN Papagaios-de-Altitude apresenta uma parte da área com cobertura de floresta com araucária, áreas com predominância do xaxim e áreas abertas com campos localizadas a uma altitude de 1.450 metros em relação ao nível do mar, onde existe uma ampla turfeira cobrindo os afloramentos rochosos”, descreve Martinez.

Para Miriam, poder celebrar a criação de mais uma RPPN foi um momento importantíssimo para a conservação da biodiversidade. Como proprietária de reserva particular, ela sabe da importância das RPPNs para o bem-estar de todas as formas de vida.

Miriam participou do III Congresso Nacional da REDE

Miriam participou do III Congresso Nacional da REDE

O III Congresso Nacional da REDE Sustentabilidade ocorreu de 06 a 08 de abril de 2018, em Brasília (DF). Para Miriam Prochnow, que acompanhou todo o congresso, um dos pontos altos foi o  2º Encontro Nacional do Elo Mulheres, que reuniu mais 120 mulheres e debateu a importância da participação da mulher na política. Além de Miriam participaram do encontro as catarinenses, Regina Santos (Porta Voz da REDE SC e pré-candidata à vice-governadora), Jane Stefenn (Vereadora da REDE em Camboriú e pré-candidata à deputada estadual) e Mari Haas (pré-candidata à deputada federal).

O congresso também escolheu a nova Executiva e Elo Nacionais. Os novos porta-vozes nacionais são Pedro Ivo Batista (REDE-DF) e Laís Garcia (REDE-ES). Miriam integra o novo Conselho de Ética da REDE. A relação completa da nova Executiva Nacional pode ser acessada aqui.

O Congresso também foi palco da aclamação de Marina Silva como pré-candidata do partido para disputar o pleito presidencial.

O Momento Instigador do congresso foi com a ativista Mafoane Odara, que falou sobre a relação entre democracia e a presença de mulheres na tomada de decisões políticas. A Fundação Rede Brasil Sustentável também marcou presença na programação do Congresso com a organização de dois debates temáticos: “Mulheres na política e Política para as mulheres”, em parceria com o Elo Mulher, e “Violência, desemprego e juventude”, em parceria com o Elo Juventude.

Durante os dias 06 e 08 de abril, os filiados, delegados e ouvintes também puderam participar de vários Grupos de Trabalho para sistematizar a nova Tese de Conjuntura do partido (reproduzida abaixo) e a revisão do Manifesto e do Estatuto.

O Brasil se encontra num ponto crucial de sua história democrática.

Do fim da ditadura e, especialmente após a vigência da Constituição de 88, são 33 anos em busca da consolidação das instituições públicas, dos direitos sociais e de estabilidade política e econômica, a despeito das crises, algumas muito graves, que atravessaram os sucessivos governos.

O governo FHC, com a conquista da estabilidade monetária, e o governo Lula, com a ampliação de importantes conquistas sociais, foram períodos marcantes. No entanto, o Brasil continuou sendo um dos países de pior distribuição de riquezas e maior injustiça social, com graves danos à democracia pela continuidade e aprofundamento da corrupção sistêmica e fragilização do papel do Estado, dado o seu esgarçamento ao longo de negociações por governabilidade em troca de concessões espúrias de bens e poderes públicos.

A exposição pública desse processo, dada especialmente pela Operação Lava-Jato, provocou revolta e desconfiança na população, fazendo com que significativas parcelas passassem até mesmo a duvidar das virtudes da democracia e de suas instâncias representativas.

A crise política brasileira mudou de patamar, estamos em um momento marcado por impasses e instabilidade com desfecho imprevisível nos próximos meses.

É momento de aguçar os sentidos e aprofundar a compreensão dos principais fatores – alguns emergentes e ainda de difícil mensuração – que nos trouxeram a essa situação. É tempo de buscar alternativas e de avaliar riscos para intervir com qualidade no debate público, reforçar o protagonismo dos que querem renovar e fortalecer a democracia; tempo de renovar e solidificar uma nova política que valoriza o compromisso com a ética, a transparência, justiça social e cultura de paz. E, principalmente, é tempo de recusar os conchavos e a constituição de blocos de poder sem projetos para o país.

Em meio a essa conjuntura, a melhor saída é a aliança com a sociedade em torno de eleições limpas e livres das mentiras, ódios, ataques e estelionato eleitoral que marcaram o pleito de 2014. Esta é a alternativa possível para reorganizar o país e reconstituir a legitimidade para o exercício do governo.

As eleições não resolverão todos nossos problemas, mas podem garantir o mínimo necessário para sair dessa crise profunda: o estabelecimento de um governo legitimado pelo voto e por uma agenda claramente apresentada aos eleitores. A legitimidade é um elemento chave da crise em ebulição.

Vejamos: em 2014, a crise econômica já era evidente, mas foi sendo negada em função do calendário eleitoral. O segundo mandato de Dilma Rousseff iniciou-se com uma guinada em suas diretrizes econômicas, configurando uma fraude política em relação ao programa por ela defendido nas eleições presidenciais. O discurso eleitoreiro e a mudança brusca de rota, após a eleição, transformou a crise econômica em crise política, contrariou sua base social de apoio e desmontou sua base parlamentar, desde sempre sustentada por conchavos, na histórica lógica patrimonialista de cessão de nacos do Estado para oligarquias predatórias. O uso em larga escala de caixa 2 completa esse quadro de fraude eleitoral. O resultado foi o aprofundamento da crise econômica que atinge seu auge em 2016, com desmantelamento do aparato produtivo e reprimarização da economia, retrocesso da inserção do Brasil na economia global, desemprego alarmante, precarização do trabalho, aumento da violência, tudo isso acompanhado pela queda dramática da credibilidade no sistema político.

O governo Temer também nasce ilegítimo, em função mesmo de sua origem, – a coligação que o elegeu vice-presidente. Ele só se mantém com base nas práticas patrimonialistas e corruptas tradicionais e pelo apoio de segmentos da elite econômica à políticas que jogam os custos do ajuste econômico sobre os ombros da parcela mais vulnerável da sociedade, como é o caso das reformas previdenciárias e trabalhistas por ele propostas.

Não se trata de fugir do debate sobre as necessidades de reformas e insistir em ações reativas e defensivas, evitando discutir mudanças estruturais que impactam todas as sociedades contemporâneas. Trata-se de mostrar a impossibilidade de legitimar mudanças sem pactuá-las com os diversos atores sociais e debatê-las amplamente com a sociedade. O Governo Temer agarrou-se nesta agenda radical de retrocessos e nos setores sociais que a defendem para se manter no poder, enfrentando sua enorme rejeição, duas denúncias formuladas pela Procuradoria da República e de seu déficit de legitimidade.

Apesar de sair vitorioso em sucessivas votações no Congresso, seu governo não se estabilizou e nenhuma democracia consegue sobreviver com instabilidade permanente e com governos deslegitimados. A sociedade brasileira não admite mais repetir a trágica trajetória de ameaça à democracia, enterrada com o fim do regime militar em 1985 e a nova constituição de 1988. Só um governo legitimamente eleito pode conter a violência simbólica que habita as novas formas de comunicação e sociabilidade na era da informação e transbordam para a violência política real nas ruas.

Os episódios recentes como o covarde assassinato da vereadora Marielle Franco do PSOL (RJ), as mobilizações que confrontam o Judiciário a favor e contra suas decisões nos processos da operação lava jato, as ameaças ao juiz do Supremo Edson Facchin e à sua família e as tentativas de bloqueio e o ataque com tiros à caravana do ex-presidente Lula no Sul do país são sinais de alarme preocupantes no campo político. Soma-se a isto a violência social em expansão com o aumento anual dos homicídios, a humilhação imposta aos moradores de áreas periféricas das grandes cidades – emparedados entre facções criminosas e a violência policial – e a explosão e crise do sistema prisional.

A crise da democracia não é problema restrito ao Brasil. Ela atinge em graus diferenciados todas as sociedades que buscam consolidar instituições capazes de garantir os direitos civis e políticos, enquanto patamar mínimo para a expansão dos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais. Esta tarefa é cada vez mais complexa e incerta na medida em que a lógica garantidora dos laços de solidariedade – negociados nos espaços nacionais – foi rompida pela lógica contraditória do processo de globalização que alterou o padrão clássico de constituição da modernidade e do Estado Nacional. A fragmentação e dispersão global do modo hegemônico de produção trouxe a experiência de relações mais fluidas e compromissos societários menos sólidos.

]Trata-se de um dilema a ser enfrentado. Ele tende a ficar mais tenso a cada dia, pois a dinâmica positiva neste processo é a possibilidade de acesso a informações por novos grupos sociais e indivíduos em função da criação de novas redes e utilização de novos meios de comunicação. Esses novos atores cobram cada vez mais transparência e tratamento igualitário. Obviamente, não estão imunes à produção de falsas notícias (fake news) ou de estratégias de manipulação comunicativa de processos políticos, como mostra o episódio recente da empresa Cambridge Analítica. Estas manipulações que operam a partir do conceito de “pós-verdade”, no entanto, não são capazes de bloquear a aspiração política e social por um novo padrão de política capaz de responder aos desafios democráticos contemporâneos.

Não há resposta para tudo nem sinais de alteração das variáveis centrais que impactam as sociedades democráticas. A única alternativa para enfrentar esses desafios é a política: uma nova política que precisa ser buscada, instituída e qualificada. Fora da política, só resta a barbárie. No Brasil, este desafio é duplo na medida que a própria experiência democrática recente, a despeito de seus amplos e louváveis avanços, não foi capaz de romper de forma definitiva com nosso padrão histórico de desigualdade.

O sistema político brasileiro chegou a um tal grau de afastamento da sociedade que perdeu a capacidade de abrir-se para sua própria renovação. No entanto, a sociedade brasileira está, sim, disposta a apostar na mudança, o que foi expresso pela votação dada a Marina nas duas últimas eleições presidenciais.

Nosso compromisso é com a causa da mudança – mudança para um desenvolvimento sustentável inseparável de uma política limpa e sustentável. Chegou a hora de ser e fazer, de nos movimentarmos em conexão com as redes e pessoas que expressam a chegada do futuro e o constroem na prática, no dia-a-dia.

Para isso a Rede existe e nossa compreensão da realidade presente, em que aumentou exponencialmente o conhecimento sobre as entranhas do sistema político brasileiro, tem que passar necessariamente pelo filtro dos compromissos da ética e da sustentabilidade. É tempo de iniciar uma nova etapa de democratização no país, de construir a democracia real, do povo, em contraposição à democracia de fachada, operada e desvirtuada pela má política dominante.

A Rede não é um partido que faça planos para permanecer no poder a qualquer custo; a Rede quer oferecer seus conceitos, princípios e práticas para ajudar a mudar o sistema político e fazer a transição para um modelo de desenvolvimento fundado na justiça social, na vigência plena da democracia, na mudança da relação com o ambiente natural para usá-lo corretamente, sustentavelmente, e em benefício de todos.

A justiça social de que falamos vai além de prover meios de subsistência imediata aos mais pobres. Incorpora sua inclusão produtiva, seu acesso efetivo à educação de qualidade, promovendo sua verdadeira liberdade pela cidadania, colocando em questão a distribuição de riquezas no país, para que o desenvolvimento seja para todos.

A sustentabilidade de que falamos é um princípio norteador e deve ser colocado como uma característica indissociável da gestão pública. Não é concebível que o país guardião 5 da Amazônia, da maior biodiversidade e de 20% da água doce disponível do planeta, trate o meio ambiente com o descaso que hoje vigora. Crimes bárbaros como o da Samarco em Mariana e o da Hydro no Pará não podem mais ser tolerados.

A mudança do sistema político de que falamos não virá do próprio sistema. Virá pela escolha eleitoral dos cidadãos e cidadãs e pela exigência de transformações institucionais e procedimentais a partir de propostas que venham da inteligência existente na sociedade, hoje a maior fonte de avanços no Brasil. Ela deve ser mobilizada, empoderada e intervir democraticamente para impor novos paradigmas de governo, de Estado e de acesso a direitos de cidadania. Daí virá o novo modelo de governabilidade, para enterrar o atual – verdadeiro berçário de corrupção e de solapamento do interesse público.

É preciso demonstrar que o país pode e deve ser governado a partir de um novo arranjo e que a ética no exercício de mandatos não só é possível como é imprescindível. Que o Estado, antes de ser provedor ou fiscalizador, tem que ser mobilizador das melhores energias nacionais para chegar ao bem comum. O que a Rede Sustentabilidade disputa é este ideal de Nação, que esteve presente em muitas lutas democráticas do passado mas se perdeu. Somos uma força política comprometida em criar novas bases de protagonismo para a sociedade.

A relação entre Executivo e Legislativo deve ser estabelecida com base em um programa de governo, e não de forma fisiológica. Esse princípio deve ser assumido pelos candidatos da REDE ao Executivo e ao Legislativo, pois nossos futuros parlamentares e gestores devem ser exemplos de relação republicana e programática nos respectivos governos.

O ano de 2018 traz um desafio inédito para a sociedade brasileira, de conscientizar-se do poder do voto e da responsabilidade compartilhada de quem vota e de quem é votado. É clara e irreversível a necessidade de um ponto de inflexão na história do Brasil, a começar pela reconstrução / renovação de suas instituições políticas, para que o processo de tomada de decisões expresse em sua plenitude a democracia.

Não dá mais para querer mudar sem nada mudar. É com essa atitude clara e assertiva, que recupera e reafirma nossa trajetória de busca de renovação para uma política conectada com as mudanças necessárias para o século XXI, que devemos mais uma vez nos apresentar à sociedade brasileira.

Com a premissa de que democracia é, antes de ser substantivo, verbo, pois democratizar é dar poder ao povo, incluir e abrir o Estado para a participação cada vez mais extensiva e efetiva dos cidadãos, queremos refundar a República e aprofundar a democracia no Brasil.

O desafio é mais do que enorme, é histórico, e exige um engajamento e uma mudança de parâmetros que o atual e caquético modelo de disputa de poder político não consegue alcançar e sequer tem condições de liderar. Exige a convocação de um grande diálogo nacional, de uma perspectiva que vá além de quatro anos de governo e seja, de fato, a transição para o Brasil que a sociedade merece e que ela pode construir.

Assumimos, claramente compromissos com uma ampla reforma política comprometida com o fim da reeleição e o desmonte das velhas estruturas corrompidas e reprodutoras 6 de práticas antirrepublicanas, principalmente no que tange ao retrocesso nos direitos humanos. Com isso, combateremos ideias do passado como o retorno da ditadura militar. Defenderemos hoje e sempre a democracia. Travaremos novamente este bom combate por meio de uma campanha pacífica e educadora, apostando na renovação das instituições, no protagonismo social e autoral, na profunda liberdade de expressão e respeito ao pluralismo, nos movimentos sociais, tradicionais e emergentes, como o socioambientalismo, o ecofeminismo e os movimentos de mulheres, identitários, das comunidades tradicionais, Povos Indígenas, juventudes e na cidadania ativa em todos os cantos do país.

A REDE, em articulação com entidades da sociedade civil, deve propor ao país e aos candidatos um pacto nacional por eleições propositivas, baseado no respeito à diversidade de opinião e que rejeite as notícias falsas como ferramenta de disputa. Precisamos dar ampla publicidade a essa proposta, de forma que estimule a exposição das candidaturas que assumirem esses compromissos, e também das que recusarem, arcando com este constrangimento político.

O poder político precisa restabelecer sua conexão com o povo para que possamos falar em real democracia. É preciso tirar o poder usurpado por elites partidárias, em conluio com elites econômicas, e transferi-lo para seus verdadeiros detentores, através de um novo modelo de partido e de coligações com a cidadania. É preciso uma nova institucionalidade democrática, com governos abertos aos olhos e à vontade do povo, com o uso de novas tecnologias para aproximar os cidadãos das decisões públicas, com a realização de reformas verdadeiras, pactuadas com toda a sociedade e não voltadas para a satisfação de interesses de grupos privilegiados. É preciso uma nova economia centrada na promoção da produtividade e na distribuição de renda, definitivamente comprometida com os princípios socioambientais. É preciso inserir o Brasil na revolução do conhecimento e das novas tecnologias, com políticas sociais voltadas para a integração produtiva, cultural e cidadã das pessoas, a chamada política social de 3ª geração.

É preciso fazer a revolução básica para o desenvolvimento do país: a da Educação, com reformas profundas em todos os seus níveis. Isto demanda um compromisso com uma gestão pública de qualidade, democrática, transparente, livre de patrimonialismo, focada nas atividades finalísticas e na cidadania plena.

Para isso, é preciso um Estado capaz de ofertar políticas públicas universais com qualidade. O Sistema Único de Saúde, por exemplo, é uma política universal que precisa ser fortalecida. Neste mesmo sentido, devemos encarar com seriedade a questão da segurança pública. Nosso país registra anualmente em torno de 60 mil homicídios, cerca de dez por cento dos homicídios do mundo. Somente oito por cento destes homicídios são investigados, sendo que apenas uma pequena parte diz respeito aos mais vulneráveis. Este é um grande desafio do país em várias frentes, incluindo graves problemas de fronteiras. Estas e outras políticas exigem planejamento e compromisso com os mais vulneráveis, como os povos indígenas desrespeitados nos seus direitos e desconsiderados nas decisões econômicas que impactam seus modos de vida, a exemplo das grandes hidrelétricas e das políticas de mineração.

Para isso a Rede existe e nossa compreensão da realidade presente, exige compromissos com uma nova etapa de democratização no país, com a construção da democracia real, 7 radicalizada, do povo, em contraposição à democracia de fachada, operada e desvirtuada pela má política dominante.

O que Marina disse em 2010 continua válido: “Agora é hora de ir mais fundo. A hora da verdade. Para nós e para a sociedade. Vamos nos reencantar com o nosso potencial para mudar o que precisa ser mudado e preservar o que precisa ser preservado. Essa continua sendo a nossa palavra. Não era vento, não era circunstância, era de fato nossa proposta de Política e de Vida e por ela continuaremos a nos guiar, não importam quais sejam as dificuldades, as maledicências, as armadilhas”.

2018 chegou! É ano de eleição histórica, de acerto de conta com práticas antidemocráticas, anti-republicanas e corruptas. É momento de devolver o Estado brasileiro à sociedade.

Miriam recebe troféu Anitas Libertas

Miriam recebe troféu Anitas Libertas

Na última quinta-feira, dia 8 de março, a ONG Anitas Libertas, de Florianópolis (SC), realizou uma cerimônia em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. O auge da cerimônia foi a entrega do troféu que leva o nome da ONG – Troféu Anitas Libertas. Mais de 30 mulheres foram agraciadas com o prêmio, entre elas a atual presidente da Apremavi, Miriam Prochnow.

Além da premiação, a segunda edição do Troféu Anitas Libertas contou com palestras sobre empoderamento feminino, ativismo e ocupação de espaços na sociedade pelas mulheres. Além disso, a programação também contou com atrações musicais, debates e o lançamento do livro Tem Saída?, de autoria da escritora Joana Burigo.

Para a presidente da ONG Anitas Libertas, Albertina Rosso, o prêmio é o reconhecimento da atuação feminina em vários segmentos da sociedade, tanto no mercado de trabalho como junto à família. “Mas, principalmente, queremos incentivar àquelas que se encontram no anonimato”, disse Albertina.

Para Miriam é uma grande satisfação receber esta premiação, “dedico esse troféu às ambientalistas do Brasil e também às minhas ancestrais e minhas decendentes. Enquanto mulheres precisamos nos lembrar de nunca perdermos nossa conexão com nossa essência, que é a Natureza. Somos o link direto com a vida e por isso também temos uma grande responsabilidade para com a manutenção da vida no planeta. Que consigamos ser protagonistas de um mundo sustentável e feliz para todas as espécies”.

Miriam Prochnow é escolhida Personalidade Ambiental de Santa Catarina

Miriam Prochnow é escolhida Personalidade Ambiental de Santa Catarina

Miriam Prochnow foi uma das vencedoras do 24º Prêmio Expressão de Ecologia entregue durante o Fórum de Gestão Sustentável 2017 na última sexta-feira (28) na sede da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), em Florianópolis.

A fundadora e atual Presidente da Apremavi recebeu o troféu Onda Verde de Personalidade Ambiental pelos visionários trabalhos desenvolvidos ao longo de sua jornada e por ser considerada uma aguerrida guardiã das florestas. “O Prêmio Expressão de Ecologia é um reconhecimento muito importante das atividades que temos desenvolvido nos últimos 30 anos. Estendo essa homenagem à família Apremavi e a todos os ambientalistas de Santa Catarina e do Brasil pelas atividades que desenvolvem em prol da qualidade de vida de todos os seres vivos”, destacou Miriam.

Aplaudida de pé durante o Fórum, Miriam fez um chamamento a toda a comunidade: “vamos juntar todas essas ondas verdes de projetos e transformá-los em um tsunami em favor do desenvolvimento de paisagens sustentáveis. Sigamos o exemplo do lema que inspirou a criação da Apremavi: boca no trombone e mão na massa para combater todos os retrocessos ambientais que estão em andamento”.

Durante o evento também foi lançado o Guia de Sustentabilidade da Editora Expressão, que apresenta investimentos, ações e os resultados dos projetos inscritos na região sul ilustrados com fotos. Além disso, o Guia traz uma ampla reportagem sobre os trabalhos visionários da Presidente da Apremavi, Miriam Prochnow, que pelas palavras deles é “uma aguerrida guardiã da Mata Atlântica, herdeira dos antigos ambientalistas que viveram em Santa Catarina, Fritz Müller, Fritz Plaumann e Padre Reitz”.